Volte sempre e traga as crianças!

Volte sempre e traga as crianças!

Por Roberta Lippi

Quando eu não tinha filhos, eu achava um horror as mães de restaurante. Aquelas mães que deixam o filho fazer a maior bagunça na mesa, sabe como? Mãe que deixa o filho tirar todos os guardanapos do porta-guardanapos, comer os saquinhos de açúcar, misturar sal no resto da comida pra fazer papinha, deixar filho bebê engatinhar no chão comendo migalhas que ele mesmo deixou cair. Afe! Por que não fica em casa? Que coisa desagradável de se ver!

 

Daí… a gente tem filhos. E aí você faz tudo aquilo que achava um horror e criticava e condenava. Porque agora eu penso assim: vão se catar aqueles que pensam que eu não posso ir a um restaurante só porque tenho crianças pequenas! Minhas filhas não ficam correndo feito doidas, não atazanam as mesas alheias só de vez em quando, quando resolvem dar uma choradinha básica e não ficam atirando comida na mesa do vizinho. Também não saio com elas tarde da noite em restaurantes badalados ou barulhentos em que sabidamente elas não serão bem-vindas. Porque também tenho noção das coisas.

 

Mas hoje eu entendo aquelas mães de restaurante que eu criticava. Simplesmente porque virei uma delas, vejam só mais uma pagação de língua entre tantas outras que temos depois da maternidade. E deixo as meninas tocarem o terror faço o possivel para entreter as crianças enquanto tentamos almoçar com um pouco de calma. Porque ficar em casa trancafiado até que seu filho complete cinco anos e seja mais civilizado é impensável, certo? Então a gente educa, reza pra eles se comportarem direito e vambora! Luísa já não dá trabalho na maioria das vezes, senta com a gente e se comporta como uma mocinha. Mas a Rafaela, no auge dos seus 11 meses, não está nem aí para as regras de etiqueta comportamentais e quer mesmo é ficar explorando o mundo.

 

Minha parte nessas horas, além escolher restaurantes “family friendly” sempre que possível e de pedir desculpas ao garçom pela bagunça, é dar uma recolhida básica nos restos espalhados pelas cadeiras e pelo chão. O que me conforta é que quase sempre, depois de pedir desculpas, recebo de volta um sorriso do garçom, dizendo que ele está acostumado e que toda criança é assim mesmo. Para mim, isso significa simplesmente um “volte sempre”!

Roberta é jornalista, blogueira veterana e mãe das (comportadíssimas!) Luísa e Rafaela. Ela escreve com leveza, humor e verdade no blog Projetinho de Vida.



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