Tipo assim…

Tipo assim…

Por: Laura

Você tem horário marcado é exatamente o primeiro dia que o relógio biológico do bebê o faz dormir mais do que todos os outros dias. Logico que você acorda atrasada, pois confiando no biológico não colocou o digital.

Atrasada, corre, acorda o marido, se veste com a roupa (de magra) já preparada na noite anterior; coloca o salto que estava em standby há quase 2 anos. Faz uma maquiagem meio capenga, pois além de ter perdido o hábito, a metade dos produtos passaram da data de validade, fica morrendo de medo do ridículo, pois não faz a mínima ideia do que está (ou não) na moda.

Acorda o bebê. Quase tendo uma parada cardíaca, falência múltipla e paralisação de todos os órgãos, pois desde que o bebê nasceu nunca mais dormiu um pouco mais.

Troca fralda, troca roupa, empacota bem pois está frio ainda, amarra na cadeira, confere mentalmente a sacola e coloca mais um brinquedo por precaução.

Passa perfume, que também não usa há mais de 1 ano. Bem pouco, mas espirra mais do que se tivesse alergia ao polem, gripe do porco, da vaca, do frango, do pombo, do boto cor-de-rosa, da borboleta azul, ou qualquer outra coisa causadora de gripes horrendas.

Coloca um brinco maior, um anel além da aliança, solta o cabelo e vai.

Continua espirrando muito, agora com os olhos ardendo e lacrimejando muito. O rímel, o delineador, a sombra ou os três deviam estar vencidos também. Talvez foi o corpo que criou resistência a maquiagem (isso existe?). A calça aperta, a blusa de magra sobe, o cabelo (sem corte) cai nos olhos, o brinco incomoda, as pernas e pés ardem mais do que pimenta por conta do salto.

Volta pra casa. Desanimada, desconfortável, se sentido cafona e gorda, com o cabelo preso, brinco e anéis dentro da bolsa, morrendo de calor pois não pode tirar o casaco e a blusa de magra num para de subir, jurando pra si mesma que vai atrás do infeliz que inventou o salto alto e rogar uma praga qualquer.

Esse é um post real. O bebê que dormiu além do normal é a Bebedocinha. A pessoa que não colocou o despertador sou eu.

Eu não sei quando me tornei mulher. Esse é um processo que acontece aos poucos, e realmente não tenho consciência de quando o meu terminou.

Tenho consciência de que não sou bonita, mas sei ficar bonita. Sou cuidadosa comigo, vaidosa (ou fui) na medida, feminina, não sou escrava da moda, não preciso de 20 pares de sombra pra fazer uma maquiagem elegante, nem de uma infinidade de produtos de beleza.

Sei que de repente me tornei mãe. Cada dia aprendo (ou tento) ser uma boa mãe. Sigo instinto, leio, pesquiso, pergunto, procuro, erro….

Só falta encontrar o equilíbrio (bichinho difícil de encontrar esse hein?) em ser mãe e ao mesmo tempo mulher.

 

Post orginialmente escrito em 09.05.09

 

Laura – Casada, mãe da Bebedocinha. Autora do blog “Não tem pão francês na França” onde conta o dia a dia e as descobertas de morar num pais diferente.