Sororidade: maternando para um mundo novo

Sororidade: maternando para um mundo novo

Por: Gabriela Martins

Numa manhã de maio troquei e-mail com uma amiga:

Mensagem enviada: Ana, hoje estou tão tocada por uma palavra nova que aprendi: sororidade. Você deve saber o que é, né? Eu não sabia! Tô até emocionada…

Resposta recebida: Primeiro eu li “sonoridade” e pensei: “Gabi tá ficando louca! Não conhecia sonoridade? Também acho linda, mas eu, hein?!”. Aí agora li o texto que você enviou e vi que li errado! Hahaha… Pôxa, Gabi, eu acho que eu sou super sororida!!!!!!

Agora, contextualizando:

Sororidade é descoberta recente pra mim. Sororidade é irmandade feminina. É ir contra a corrente que nos faz crer que nós mulheres somos rivais, que estamos em competição constante umas com as outras, que duas mulheres não podem reinar juntas num mesmo condado. Tudo balela. Alimentar a idéia de que as mulheres são falsas e perigosas serve apenas para nos afastarmos de nós mesmas.

Quando a gente põe no mundo um rebento a gente começa a se sentir meio mãe de todas as crianças, fica com o coração amolecido, mais inclinada a entender as demandas de outras crianças, mesmo que não sejam as suas. Mas a grande sacada mesmo é que quando a gente vira mãe a gente vira também irmã das outras mães, aliás, de todas as mulheres, mesmo as que ainda não são mães ou nunca serão.

Assim, tentei entender por que a descoberta dessa nova palavra na minha vida, “sororidade”, havia me causado tanta comoção. E a resposta estava aqui, em vocês, mães blogueiras.

Isso aqui, que chamamos de blogosfera materna, é um exemplo perfeito de sororidade. Depois que me tornei mãe e vim me refastelar nos blogs maternos, aprendi coisas que sem essas tantas mulheres jamais teria visto dando sopa por aí. Coisas que a gente vai fazendo meio que por instinto, meio na incerteza… e que finalmente encontram total amparo a partir de relatos de experiências parecidas, que nos aliviam, nos mostram como podemos fazer melhor e nos dão a certeza de que estamos indo por um caminho bacana, e que pode ir além do que a gente supunha!

Amamentação prolongada, cama compartilhada, educação bilíngue, violência obstétrica, parto humanizado, disciplina positiva, desescolarização, medicalização da vida, xixi e cocô livres das fraldas, empoderamento… tudo descoberto por aqui! Mulheres ajudando mulheres a se libertarem de paradigmas sociais que nos oprimem. Mulheres ajudando mulheres a se libertarem de si mesmas, de seus próprios preconceitos. Mulheres ajudando mulheres a fazerem suas próprias revoluções, maternando para um mundo novo. Mulheres solidárias, irmãs. O famoso trabalho de formiguinha que se expande pouco a pouco e se materializa em filmes, em passeatas, em mudança de conduta médica…

Mulheres, definitivamente nós somos as melhores amigas que a gente podia se dar. Aqui (e fora daqui) estamos todas de mãos dadas, somos todas irmãs. Mulheres de todo o mundo, uni-vos!

 

“…e nunca é tarde pra aprender!”

 

(foto daqui.)

 

Uma notinha pós-post e pré-menstrual: Pra se ter uma idéia do quão próxima me senti de todas as mulheres depois que a sororidade entrou na minha vida, dei de presente de aniversário a uma amiga querida um copinho coletor menstrual, sabe aquele que parece uma tacinha de vinho? Então… Foi certamente o presente mais estranho que ela já recebeu, e o mais inusitado presente que já destinei a alguém. Mas pra não parecer tão doido, junto com o presente anexei uma cartinha, na qual atribuia à sororidade o motivo do presente escolhido. E ela ficou feliz. Afinal, eu usei e aprovei. Me senti livre com ele e uma vez me sentindo “sororida” queria que as mulheres queridas da minha vida se sentissem tão livres quanto eu me senti.

 

Gabriela, 33 anos, carioca papa-goiaba e mãe da Clara. Pra pagar as contas é produtora de TV, pra desenvolver as idéias é mestranda em cinema na Universidade de Montréal. Atualmente vivendo no Canadá, está mais do que convencida que sua maior qualidade na zona norte do planeta é a de ser brasileira. Gosta daqui e de lá, de todo lugar.