Decoração do quarto do bebê – o que ninguém te falou

Decoração do quarto do bebê – o que ninguém te falou

Por: Manu Mitre

Eu tenho uma filha de 9 meses e ainda estão na minha barra de favoritos alguns dos (milhões de) sites em que eu li as regrinhas básicas para se decorar um quarto de bebê. O engraçado é que sou designer de interiores, tenho um blog sobre decoração e o que mais insisto todo dia é que não existem regras. Mas mãe de primeira viagem sabe como é, né? Hoje, centenas de mamadas, trocas de fraldas e noites mal dormidas depois, eu consigo discordar de praticamente todas as verdades absolutas que me venderam para se preparar o quarto do bebê, e vou te contar o porquê.

1. O bebê prefere cores bem clarinhas

No primeiro mês, o bebê praticamente nem abre os olhos. É uma comemoração generalizada quando isso acontece. Com o tempo ele vai aprendendo a fixar o olhar e fatalmente vai se interessar por contrastes intensos. No pouco tempo em que o bebê ficar acordado, o estímulo visual vai ser importante para seu desenvolvimento. Depois ele vai cansar de tanta sinapse acontecendo, pedir pra mamar e dormir de novo. Em resumo, quartinho branquinho, begezinho, azulzinho ou rosinha não têm graça nenhuma para bebês pequenos. Se você gosta de quartos neutros, não há problema algum em fazer o quarto bem pastelzinho, mas não é porque o bebê prefere, combinado?

2. Cores fortes “agitam” o bebê e ele não dorme

De novo, os contrastes intensos vão estimular o bebê visualmente. Mas o bebê não acha que vermelho é a cor do sangue, ou que amarelo é a cor do fogo. Essa associação, além de ser bem complexa para um bebê, também tem um cunho cultural muito forte, coisas que ele ainda não compreende. Alguns estudos apontam, inclusive, que bebês nem conseguem distinguir as diferentes cores. Talvez, justamente, por não fazer distinção de sensações e significados para cada uma delas.

Por outro lado, você vai frequentar o quartinho em situações de stress, com noites mal dormidas acumuladas e, quem sabe, à beira de um ataque de nervos. Se o vermelho te excita demais, sim, esse é um bom motivo para não utilizá-lo na decoração.

Mas, em última instância, à noite todos os gatos são pardos. Se você seguiu uma das dicas universais, você instalou o dimmer e tem controle de luminosidade do quarto, certo? À meia-luz nenhuma cor é vibrante. Caso encerrado.

3. Você precisa de uma cômoda para funcionar como trocador

Se você tem bastante espaço ou um móvel sobrando, ótimo. Mas não é fundamental ter uma cômoda. Um armário convencional guarda toda a roupa do bebê e é mais adequado para o longo prazo. Se você está pensando em colocar esse trambolho no meio do quarto só para ter um lugar para trocar as fraldas, te apresento pelo menos duas opções menos convencionais, mas bem práticas.

Use o vão do cabideiro do armário embutido. As roupas de pendurar vão demorar a ocupar todo aquele espaço, você coloca um colchãozinho, os apetrechos da troca e tcharan! você tem um trocador. Feche as portas do armário e ninguém vai ver aquela baguncinha.

decoração de quarto de bebê

Faça um trocador embutido na parede ou use a bancada do banheiro. Sim, trocar fraldas no banheiro é muito prático. Além da água corrente disponível e da lixeira, é uma solução perfeita para a saída do banho, sem ter que passar o bebê quentinho por correntes de ar até chegar no quarto.

decoração quarto de bebê trigêmeos

A segurança na troca é o mais importante. Nos dois exemplos, cheque se a estrutura aguenta o peso do bebê e se é estável. Lembre que você vai trocar fraldas por uns 2 a 3 anos, que a criança depois começa a se virar, resolve sentar no meio da troca, se joga pra fora do trocador. Por esse motivo muitas mães acabam trocando bebês maiores em cima da cama. Mais uma razão para repensar a cômoda.

4. Você precisa de uma poltrona de amamentação

É verdade que tem gente que ama e não se imagina sem. Mas a minha experiência é que durante o dia eu amamento onde você estiver – no sofá da sala, na cama, na cadeira da sala de jantar, até no chão da cozinha. Acredite, chega a ser confortável quando o bebê já está grandinho. Dá preguiça ir até o quarto só pra isso.

Para quem tiver esse desprendimento, a poltrona só vai servir nas acordadas para mamar durante a noite (que não vão ser de 2 em 2h pra sempre) e para quem faz questão de que o bebê não durma no quarto dos pais. A minha filha dorme no meu quarto e acorda uma vez por noite. Em dois movimentos trago ela pro meu colo. Continuo sentada na minha cama, enrolada no meu edredon e encostada no meu travesseiro. Não troco isso por uma poltrona gelada em outro quarto dooutroladodacasa, no meio da madrugada, por nada.

decoração de quarto de bebê

Ainda assim quer uma? Lembre que ela vai ser útil por muito pouco tempo, compre uma que possa ser aproveitada em outro ambiente sem levar aquela cara de maternidade por onde ela passe.

 

Imagens: 1 | 2

 

Manu Mitre é mãe da Alice e designer de interiores. Assim como na maternidade, acredita que na decoração cada um deve fazer o que acredita, sem “certo” ou “errado”. E é sobre isso que ela escreve no Casa da Id&a, seu blog de decoração.

Manu assina  esta nova série de decoração do MMqD.

Twitter: @casadaidea

Facebook: http://www.facebook.com/casadaidea