Repita o mantra: Cada criança tem o seu tempo!

Repita o mantra: Cada criança tem o seu tempo!

Por: Pâmella

Mãe sempre espera que seu filho se desenvolva e aprenda tudo rapidamente, no tempo certo, se possível até antes do tempo. Vai falar que não bate aquele orgulho lá por dentro quando você fica sabendo que seu filho fez tal coisa e coisa e tal antes do que fulano ou beltrano? Nem me venha com um não e teorias como resposta, mãe na prática e principalmente de primeira viagem é assim sim ué! Fato!

Quando meu primeiro filho nasceu eu era cadastrada num site e recebia por e-mail informações sobre o crescimento e desenvolvimento esperado para cada mês completado.  Adorava! Lia, relia e sempre (sempre) passava para os meses seguintes para saber o que estava por vir.

E ele foi sentando, engatinhando, batendo palma, dando tchauzinho, beijinho no tempo esperado, andando antes do tempo. E eu como mãe, espalhando, compartilhando e me orgulhando por aí a fora de todas essas façanhas do meu filho.

Ok, tudo ia lindo e maravilhoso até que o Léo completou 1 aninho e dois meses e eu comecei a ler no tal site e escutar das amigas, mãe, avó, cachorro e periquito que já era hora dele estar começando a falar. Concordei, mas num primeiro momento eu pensei, vamos esperar, tenho certeza que em pouco tempo ele vai começar a soltar umas palavrinhas. Soltou? Não!

Consulta de rotina com a pediatra no mês seguinte:

“Dra, já não era hora do Leonardo estar começando a falar? Ele só fala mãmã e é universal! Tudo é mãmã!“  

A Dra por sua vez me disse que isso era preocupação à toa (e tem coisa à toa para uma mãe?) que ele já havia feito o teste da orelhinha, mas aproveitou na hora de examinar e fez mais alguns para tentar identificar algum probleminha na audição ou coisa do tipo e me explicou que cada criança tem seu tempo, e que principalmente os meninos às vezes demoram mais para falar por conta que estão mais preocupados com o lado motor.

Confesso que nesse dia eu saí de lá tranquila. Mas o tempo foi passando e quase nada de evolução.  Antes dele completar 2 anos eu já tinha levado meu filho em outros dois pediatras e feito uma avaliação com uma fono, a resposta: Cada criança tem seu tempo, seu filho não tem nada!  (e mãe acredita nisso?)

Com dois aninhos de idade ele falava: “au-au”, “alô”, “nenê”, “não” e “papá” que se tornou o universal da vez. Antes o universal era “mãmã”, mas misteriosamente sumiu do seu “vastooo” vocabulário para a minha maior decepção! Pelo menos ele me chamava né. Naquele momento eu não passava de um “papá”.

 

Eu já tinha escutado de muita gente, principalmente dos médicos que levei que o que muito contribuía para esse atraso era o fato dele ser filho único, neto único e que não ia para a escolinha. Ou seja, era mimado em certos pontos, e muitas vezes acatávamos as mímicas dele. Sim, concordava com tudo! Mas muitas crianças assim como ele já falavam e os pais não precisaram virar até cambalhota pra isso acontecer.

Eu fiz  tudo o que me aconselharam. Não atendia quando ele fazia mímica, parecia uma tonta o dia inteiro repetindo devagar as palavras, estimulava com desenhinhos, livros, música.  Cheguei ao ponto máximo do desespero e fiz uma simpatia que uma senhora passou para o meu marido: “Dar água na concha de feijão pra criança beber a faz soltar a voz”. Eu sinceramente já tinha ouvido falar dessa simpatia uma vez, quando eu era adolescente, mas era para crescer os peitos.

Bom, não custava tentar, tentei! E o resultado: fiquei esperando crescer os peitos porque falar ele não falou!

E a cobrança das pessoas? Gente, rolava um preconceito! Eram cobrança e indignação de todos os lados. O povo me condenava sem dó porque meu filho ainda não falava, algumas pessoas mesmo sem perguntar o que eu já tinha feito ou deixado de fazer, me ensinavam exercícios e me jogavam indiretas, outras me olhavam com compaixão  achando que meu filho era mudo.

Vários comentários sem noção de mães que extrapolaram naquele assunto que comecei meu texto, da mãe se “gabar” um pouquinho do filho, teve uma fulana que só faltou me dizer: “Nossa, meu filho já cantava o Hino Nacional com 10 meses!” me olhando como se ela fosse a Encantadora de Bebês e eu a pior mãe do mundo!

E o tempo foi passando, e eu trocando de pediatra, fazendo teste daqui, dali, avaliação com fono e sempre a mesma coisa: “Cada criança tem o seu tempo”. Putaqueoparóles! Eu já estava num estado de pânico, só faltava pular no pescoço de um quando escutava essa frase.  Cada criança tem seu tempo o raio que o parta! Deve ter alguma coisa que eu preciso fazer, ou ele deve ter um problema mesmo, mil coisas passavam pela minha cabeça surtada.

Até que um belo dia eu me toquei que aquela ansiedade toda estava prejudicando meu filho e a mim também (que já estava bem pançuda do Felipe).  Não sei como nem por onde, mas desencanei um pouco desse assunto, passei a curtir meu menininho do jeito dele, sem cobranças e mandava o povo pra ponte que partiu quando necessário.

Léo estava com 2 anos e 7 meses quando matriculamos ele na escola, antes do início das aulas,  em janeiro desse ano numa conversa com a diretora (e profeta) sobre o assunto do atraso da fala ouvi : “mãe, aposto com você que até o meio do ano seu filho estará tagarelando!”

E não é que em 4 meses, meu amado começou a falar como mágica? (pode ficar com medo da diretora?). Foi assim, do nada mesmo! Eu e meu marido nos olhávamos com cara de espanto a cada palavra que ele soltava!

Levei ele um mês na fono, para auxilia-lo com aquele mar de palavras que surigiu de uma vez. E agora eu posso dizer o que sempre sonhei: eu tenho um matraca em casa!

Claro que ele ainda fala muitas palavrinhas erradas, normal para idade, mas ouvir da fono que ele já está dentro do esperado para a idade não teve preço minha gente!

Com o filhote mais novo? Aprendi errando com o primeiro. Dessa vez eu estou zen… “zen” preocupação alguma, só deixando a vida me levar, ele está feliz e eu também! Isso é o que importa!

Então mamães que estão preocupadas com a demora do filhote falar, sentar, engatinhar, andar, seja lá o que for, entendo vocês perfeitamente! Não é fácil viver nessa ansiedade, com essas cobranças, eu sei!

Investiguem sim, procurem saber o motivo. Mas se o diagnóstico for preguiça, podem acreditar e começar a meditar o Mantra: CADA CRIANÇA TEM SEU TEMPO! Se acalmem, meu filho é a prova viva de que isso é a mais pura verdade!

 

Pâmella – Casada, mamãe de dois meninos lindos (coruja?), teimosa, perfeccionista e com a grave mania de personalizar tudo o que vê pela frente.

 



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