Razão e Pânico

Razão e Pânico

Por Anne

 

Joaquim esta andando! Vocês não conhecem Joaquim? Bem, só posso dizer que ontem ele era um bebezinho que mal fixava os olhos em alguém e hoje ele anda e fala coisas, muitas coisas. E no meio tempo entre uma coisa e outra ele me transformou em mãe, daquelas bem comuns e bem especiais, que gosta de observar e fazer parte do crescimento, da transformação, dos novos horizontes a serem alcançados. Eu sou mãe, aquele ser cheio de razão e pânico.

E não é para isso que servem as mães? Será que finalmente eu cheguei em uma resposta?

Observar, orientar, acompanhar, ver crescer… Cheias de razão, e levemente permeadas de pânico?

Observar aquele braço gordo tentando puxar a toalha da mesa, antes do desastre maior avisar em alto e bom tom (mãe que é mãe tem um tom inconfundível) :

-Vai cair na sua cabeça! Você vai chorar! – perceberam? Razão e pânico!

Ficar de olho no pote de bolinhas de gude, perto de um bebe de 8 meses, e em principio rezar em vão para que ele não perceba a deliciosa tentação de explorar aquelas delicias. E mais uma vez vociferar aos quatro ventos:

– Dá isso para a mamãe que não é coisa de bebê! – e como doçura demais também é coisa chata imediatamente arrumar alguém que possa levar uma bronca decente:

– Alguém pode me explicar o que esse pote esta fazendo aqui? Nesse caso é razão e razão, convenhamos, bolinha de gude… Pânico tem que ter o culpado desse atentado!

Aos sete em uma viagem para o interior eu estava ajoelhada na beira de um lago fundo, tentando inutilmente alcançar o ultimo pedaço de pão, que havia caído sem querer na água, longe dos patos que eu alimentava.

– Sai dessa beirada que eu vou dar em você! – em uma época que o lançamento do momento eram as câmeras vhs, meu pai registrava a cena, para a eternidade.

A menina de chiquinhas, que nunca apanhou da mãe, diga-se de passagem, levanta como um furacão! Sábia garota, ela sabe que as mães tem sempre razão! E te enchem de pânico!

Até quando mandam levar casaco no verão, colocam medos insensatos – não pode brincar com saco plástico por que pode morrer sufocado! – detonam com as regras da ciência – come cenoura que faz bem para a vista. afinal, já viu coelho de óculos? – fazem chantagens absurdas com comida – come para a mamãe ficar feliz? – diminuem sua própria autoridade – espera seu pai chegar! – caem em contradição – fecha a boca e come! – as mães tem sempre razão!

É claro que eu só aprendi isso quando virei mãe. Minha mãe que disse: quando você for mãe você vai entender…

E ela tinha razão! Estamos aqui para acompanhar, ver crescer, desenvolver. Assistir as empreitadas, viabilizar os sonhos. Dar muita bronca, ameaçar com bobagens, entrar em pânico.

Amar incondicionalmente essa filharada sabendo que no dia em que forem pais e mães, é que vão entender.

Anne, artista plástica, decoradora, ex-bancária, ex-professora, mãe, filha, hilária, descontrolada, controladora… enfim, puro charme!
Escreve sem censura, o Super Duper – que a gente adora e recomenda! – um registro do mundo da Anne versão Mammi.