Priorizando os papéis

Priorizando os papéis

Por: Chris Ferreira

Me perguntam com frequência: Como você tem tempo para fazer tudo isso? Como você consegue, depois de trabalhar o dia todo, ainda ter disposição para brincar, estudar, cozinha, inventar? Mas você trabalha fora?

Sim, trabalho fora. Trabalho no mundo corporativo que tem toda a sua carga de competição, produtividade e carga horária pesada. E sim, chego em casa com disposição para brincar, estudar, para inventar. Como? Priorizo e Delego! Levo como lema a frase de Goethe: “As coisas importantes não devem ficar à mercê das menos importantes”. E a coisa mais importante, para mim, é a minha família.

Priorizo os meus papéis onde preciso atuar mais, naquela fase da vida.

Mãe – Não posso ser substituída. É o único papel que não posso delegar. O meu papel na família é definitivo
Esposa – Até posso ser substituída, mas não quero né?
Trabalho – Posso ser substituída, mesmo que eu não queira. O meu papel como profissional é temporário.
Dona de casa – Não quero ser substituída mas posso delegar funções.
Amigos – Não são substituídos. São importantes para mim e eu quero ser importante para eles.

Como já disse, a minha prioridade é a família. O trabalho é importante para minha saúde física, mental e financeira. Eu trabalho para poder dar o melhor de mim (não apenas financeiramente) para a minha família. Mas tenho pela consciência de que essa priorização, muitas vezes, limita a minha carreira. Não me importo que a minha família limite a minha carreira, é uma escolha minha. Ao contrário, me importaria muito se a minha carreira impactasse a minha família. O sucesso para mim anda junto com a felicidade. Quero o meu sucesso profissional até o limite de manter a minha felicidade. Com esse pensamento já abri mão de posições mais altas que me exigiriam maior disponibilidade de tempo, abri mão de mudar de trabalho pois assim estaria mais longe de casa e consumiria mais tempo no trânsito. Escolhas. E eu escolho não confiar minhas filhas aos cuidados de terceiros por mais tempo nem maior frequência.

Como a função de dona de casa pode ser delegada, faço isso. Tenho uma pessoa que me ajuda em casa. Nunca tive problemas em ter babá. Quando as minhas meninas eram bebês, por exemplo, eu sempre dei o banho mas não precisava encher a banheira, esvaziá-la, lavá-la, secar o chão, etc… Sempre tive alguém para me ajudar nas tarefas mais braçais e com isso o disponibilizo meu tempo para fazer o que é mais importante: o contato físico e emocional com as minhas filhas. O tempo que eu estaria arrumando, lavando e passando eu aproveito brincando, cantando, conversando, educando, etc… Faço isso até hoje por acreditar que os momentos de entretenimento são os que mais aproximam a família pois proporcionaram alegria e o verdadeiro prazer de estar juntos. Por exemplo: se eu pensar, durante o meu horário de expediente, em fazer uma brincadeira de reciclagem com as meninas ao chegarmos em casa, ligo e solicito à moça que me ajuda para providenciar o material necessário e deixá-lo separado para mim.

Na hora de delegar, lido com o seguinte pensamento: se eu quero que seja exatamente do meu jeito, faço eu. Sendo assim quando eu delego, eu confio. Um exemplo é o supermercado: o marido é o responsável por essa tarefa e eu não fico fiscalizando se ele fez direito, se comprou o que eu compraria, se arrumou a despensa como eu arrumaria. Com isso ele se sente bem em dividir as tarefas comigo e cada vez faz mais uma coisinha ou outra. (obaaaa, mais tempo disponível para eu me cuidar)

Normalmente fico com o marido depois que as meninas dormem e tiro um dia ou outro para sairmos sozinhos. Isso é possível porque tenho alguém que me ajuda ficando com as minhas filhas. Manter a saúde do relacionamento é importante para a felicidade das crianças e por isso não me sinto culpada em deixá-las com alguém para sair com o meu marido. Estou fazendo isso por elas e por mim. Nesse momento não estou terceirizando o meu papel de mãe, estou contando com uma ajuda para poder desempenhá-lo da melhor maneira possível.

Uma vez ou outra saio com as minhas amigas. Isso me faz bem e reforça a relação do pai com as filhas. É importante eles terem um tempo só deles.

Como pessoa, procuro respeitar os meus limites. Sou totalmente normal e nem sempre tô com esse gás todo né?

Fico cansada algumas vezes? Sim.

Tenho dúvidas? Sim.

Penso em largar o trabalho para ficar mais em casa? Sim.

Algumas vezes acho que estou no caminho errado? Sim.

Aí é hora de reequilibrar as minhas funções, revisar as minhas prioridades em função das necessidades familiares, repensar os meus papéis e principalmente, reavaliar o que nos faz, a mim e a minha família, felizes.

E quando começo a perceber que não tenho tempo para para fazer isso ou aquilo com as minhas filhas e marido, eu repenso: não tenho tempo para não fazer!

 

Chris Ferreira- Mãe integral apesar de não ser em horário integral, autora do blog: Inventando com a mamãe