Pornô para mães

Pornô para mães

Por: Gabriela Miranda

Li vários textos sobre a famosa trilogia 50 Tons de Cinza, referindo-se como pornô para mães. Cof cof cof.  Desculpe decepcionar quem não leu (ou quem gostou), mas a história não tem nada de pornô nem para adolescentes, quem dirá para as mães. Disseram que essa trilogia além de erótica continha muito sadomasoquismo e transformaria a literatura erótica para mulheres.

O livro é tipo um conto de fadas, só que sem enredo. Christian Grey é o CEO príncipe, dominador, bilionário, hiper-mega-ultra-bem-sucedido, gato, extraordinário, implacável, pilota avião e barcos, é atencioso, bom de cama, ah, sim e pauzudo! Anastasia Stelle é a gata borralheira universitária, de 22 anos, virgem e de baixa auto-estima que transforma Grey num apaixonado.

Livros que são sucesso no mundo todo me despertam a curiosidade. Não foi diferente com 50 Tons, porém foi bem decepcionante. O livro que lidera a lista de mais vendidos, não é nada do que todo mundo fala. No início do primeiro confesso, o livro me causou certa revolta de tão absurdo que achei a proposta de Grey, o tal contrato, as cláusulas, o sadomasoquismo…embora goste disso, de livros que provoquem algum sentimento, fiquei com medo de continuar a leitura de tão surreal que achei. Mas depois que avancei a leitura… Li os dois primeiros da trilogia na crença de que mudaria minha percepção (não era possível um livro mega bem comentado, ser uma porcaria – na minha humilde opinião!).

O primeiro, depois do espanto, fica sem graça, sem enredo nenhum, um grande marqueteiro de marcas como iPad, Audi, iPod, etc. Ia parar nele quando me deixei levar pelos comentários “ah, o segundo melhora, acontece um monte de coisas”. Quando você pensa que o segundo vai ter um enredo, não acontece nada demais. Ambos são extremamente repetitivos. Juntando os dois não dá um só. Não caio mais na armadilha! Se dois livros de quase 500 páginas são péssimos, não consigo acreditar que o terceiro seja bom. (confesso, estou com aquela sensação de ter lido um livro pela metade e odeio isso, mas até aí ler o terceiro, isso sim seria sadomasoquismo)

O livro é surpreendente…de tão ruim, pra não dizer péssimo. Muito bobinho, os diálogos são repetitivos demais. Stelle fala 432 vezes a palavra “implacável” e “eu sou sua, Christian” 424 vezes. (é claro que não contei as palavras) Mas uma página sim e outra também tem a mesma conversa. Ah, não podia me esquecer do “baby” de Grey. O cara a chama de “baby” a todo instante, principalmente nas cenas de sexo, o que em minha opinião é de brochar qualquer mulher. Baby?! Ok, isso deve ser coisa de tradução ruim.

Você vai encontrar muito sexo, em todos os capítulos mais de uma vez, porém nada que transforme a vida sexual de alguém (sim, tem uma coisinha ou outra; amarras, brinquedinhos, mas nada de tão admirável, nenhuma novidade extraordinária).

Li depoimentos de mulheres (e homens) dizendo que 50 Tons transformou a vida conjugal (e sexual) do casal. A maioria das mulheres que lêem o livro se diz apaixonada por Grey. O que me faz concluir que tem muita mulher mal casada, mal amada e mal… Só pode. Acho que mais homens do que mulheres deveriam ler o livro e aprender com Grey como tratar bem uma mulher.

Contudo, o livro tem um lado bom. Pode ser comparado ao início de um relacionamento. Lembra como é?! O frio na barriga, aquela vontade de ficar horas com a pessoa amada, o sexo podia ser a qualquer hora (e lugar), sem limites. Concluo que é um livro erótico, ou melhor, sensual. Tem sexo (baunilha) todo instante, elogios, flores, presentinhos, romancinho.

A leitura é uma boa indicação para retomar a vida sexual do casal após filhos. Todo mundo não se questiona para onde vai o sexo com a chegada dos filhos? Então, vai para algum lugar onde o cansaço e as noites mal dormidas não tem vez. Algumas vezes ele volta após uns 4 meses ou depois de um ano ou sei lá depois de quanto tempo, isso depende de casal para casal. A mulherada se sente um trapo, os homens rejeitados. Por aí vai. Se você teve filho no último ano, recomendo a leitura só para provocar seu pensamento. Pensar em sexo (e em romance!) pode ser uma forma de trazê-lo de volta à sua vida. Tente esquecer minha opinião negativa relatada acima, mergulhe na leitura, se envolva e deixe a imaginação rolar.

 

Gabi, mãe (mega assumida) do Benjamin, jornalista, descobriu que a maternidade transforma e que ser mãe é um aprendizado diário. Agora deu para acreditar que nasceu pra ser mãe, mesmo com toda insegurança, medos e dúvidas, está amando a ideia e registra suas impressões no blog Bossa Mãe