Por que ter um filho?

Por: Sabrina

Interessante como, hoje em dia, para muita gente, ter 3 filhos é uma coisa quase absurda. Muitos dos que tem tido notícia da nossa terceira gestação, nos parabeniza, mas os parabéns, muitas vezes, tem vindo acompanhado por uma cara de surpresa, ou comentários do tipo “quanta empolgação?!”, “coragem hein?” ou algo parecido com isso.

Não que eu me incomode, mas percebi que isso tem mexido um pouco comigo, a ponto de eu mesma me questionar: “A gente deve ser doido mesmo né?! 3 filhos, por quê? “Será que a gente dá conta de mais um?”

Ontem fiquei o dia todo pensando nisso!

“Vocês já tem um casal”, diriam alguns! Tentar um menino ou uma menina poderia ser um bom motivo para termos um terceiro filho?! Não sei! Não acho que teríamos um terceiro filho pensando nisso! Além disso, como disse o marido ontem, sem preconceito, mas hoje em dia quem tem dois filhos, independente do sexo, pode ter um casal! Rss…

O fato é que fica a questão: porque 3? Perguntei pro marido…

Diz ele que 3 é um número ímpar; que depois de 2, vem 3… Bom humor deve ser um pré-requisito, não?! … E que o tempo que se gasta com um filho é o mesmo que se gasta com 2, ou 3, ou seja, todo nosso tempo disponível! Tendo a concordar parcialmente com isso: se por um lado as crianças tem se entretido um tempo juntas, sem a nossa presença, por outro, tínhamos mais tempo quando a filha dormia e era só ela; enquanto agora, nem sempre os horários de sono, por exemplo, são coincidentes.

Mas isso é apenas um detalhe. Na verdade, o que eu acho, é que a questão poderia ser mais generalizada: Por que ter filho? Perguntinha difícil de responder.

  • Não, eu não vejo um filho como uma continuidade minha. A cada dia percebo mais como esses seres são independentes e, com certeza, vão seguir seu próprio caminho. Difícil, mas a tentativa por aqui é: não vamos criar expectativas!
  • Não tenho herança para deixar pra ninguém.
  • Não, eu não faço filhos para que eles cuidem de mim quando eu ficar velhinha. Já conheci alguns idosos que tem bem mais de 3 filhos, e ninguém para cuidar ou dar atenção para eles…

Alguns por aí dizem: “Pra quê por filho nesse mundo que está tão ruim?” Tenho minhas dúvidas se o mundo, hoje, está muito pior do que já foi um dia. Já tivemos guerras horríveis, massacres, epidemias, e mais um monte de coisa, desde que o mundo é mundo. O que eu acho que tem diferença, hoje em dia, é que temos informação de tudo o que acontece. Pensando nesse aspecto, sou até otimista: já que está tão ruim, vamos fazer gente boa para ver se melhora né?!

“Mas, além disso, filho dá trabalho, dá despesa, limita a vida da gente”, diriam alguns! Eu, inclusive, já pedi para vários amigos que não tem filhos e não querem ter, para escreverem aqui para o blog, sobre essa decisão na vida deles, mas até hoje ninguém animou!

Esses dias até vi uma propaganda bem interessante sobre essa questão. Olhem as imagens abaixo:

bebes

Na propaganda acima, “Bebês gigantes ‘esmagam’ sonhos em anúncios de camisinha. Eles destroem escritórios, esmagam carros de luxo, detonam as férias dos seus sonhos. A nova campanha das camisinhas Lovers Plus transforma bebês em verdadeiros vilões, capazes de acabar com todos os seus lindos planos para o futuro. “Proteja seus sonhos”, dizem os anúncios criados pela agência Joe Public, de Johanesburgo, na África do Sul (por Márcio Diniz)”

Propaganda polêmica?! O fato é que parece que há bem mais motivos para não se ter filhos, do que para tê-los.

Tem a questão financeira, sim, claro que tem. Os custos de um filho podem ser contabilizados… Já vi pesquisas que demonstram o quanto se gasta com um filho durante a vida!

Entretanto, o discurso aqui de casa de que tem coisas muito mais importantes a se ganhar com a interação em uma família com mais filhos do que uma criança ter acesso ao melhor brinquedo, à roupas de marca; de um adolescente ter condições de fazer um intercâmbio, se mantém.

Outras questões acabam não tendo muita saída! Tentamos, por exemplo, conseguir uma vaga pública de berçário por algum tempo, e como não conseguimos, tivemos que pagar. Depois de visitarmos MUITOS lugares, descobrimos que não tem muita salvação: um lugar apropriado para se deixar um bebê não é nada barato. E… 2? E… 3?

Sim, tem contas que não são luxo, não tem como evitar. Quer dizer, ter, até que tem. Tem gente que não tem dinheiro, tem filho, e dá um jeito. Mas que pais que, tendo recurso, vão economizar em coisas que considerem primordiais? Claro, o dinheiro que eu gasto com escola, com plano de saúde, dentista, fraldas, e mais um monte de outras contas, me renderiam, no mínimo, algumas viagens a mais por ano (que é das coisas que eu mais gosto de fazer na vida!).

Outra questão importante é o tempo; e esse também dá pra contar: soma aí o que se gasta amamentando, dando banho, brincando, arrumando cabelo, escovando os dentes, ensinando tarefa da escola, dando comida, trocando fralda… Nossa, quanta coisa daria pra fazer, não?! Ver um filme, ler um livro, ficar na internet, ver TV, ir pro clube, fazer exercício, dormir…

Junta-se a essa questão do tempo, a relação de disponibilidade/liberdade. Esses dias, em uma dinâmica que participei para mães, fizeram a seguinte pergunta: “do que vocês mais sentem falta de fazer da época em que não eram mães?”

Dormir até 10 horas da manhã no fim de semana; um jantar romântico fora de casa com o marido; namorar a hora que quiser; um café e um bate papo com uma amiga numa cafeteria, um happy hour com os amigos? Todas essas coisas poderiam estar na lista de quem tem filhos e não tem com quem deixá-los. E olha que tem coisa até mais simples, como ter sossego para fazer uma refeição em paz…

Todas essas questões são legítimas, e podem mesmo justificar a opção por não ter filhos. Mas e aí, por que tê-los então? 3, ainda por cima?

Pode parecer clichê, mas é a mais pura verdade: um sorriso, um abraço, um beijo babado, um primeiro “mamã”, simplesmente não tem preço! Sensações das quais eu não gostaria de ter sido privada nessa existência, e pelas quais sou eternamente grata. A gente pode falar, falar… mas … Amor não se mede, não se explica, muito menos se contabiliza. É um orgulho bom, é puro encantamento!

Para aqueles que já tem filhos, já experimentaram tudo isso uma vez, momentos como esses podem contribuir para que se deixe de lado todo o racional, um pouquinho que seja, e aí, mesmo que instantaneamente, a vontade de ter uma prole gigante pode se manifestar… E a decisão por fazer mais um, a decisão de um terceiro filho, TALVEZ possa ser explicada.

Não acho que tenha como (nem porque) convencer alguém que não queira ter filhos, a tê-los. Conheço pessoas para as quais essa decisão é tranquila e feliz!

Mas, tem uma coisa que vale a reflexão: avaliando um conjunto de pessoas que poderiam ser consideradas relativamente “normais”, conheço um bocado de gente que se arrepende, sim, por não terem se tornado pais (de filhos naturais, ou não), ou por não terem tido mais filhos do que já tem. Por outro lado, não conheço ninguém, até hoje (claro, dentro desse conjunto de pessoas citadas!) que se arrependeram de ter aberto a sua vida para entrar nessa aventura.

Me desculpem, mas, para mim, para ter um filho não é preciso ter coragem, é preciso ter amor…

Expomaterna – Esse site/blog foi criado para falar da vida, para falar de amor. Para falar de família, filhos, irmãos, gravidez, parto, pós-parto… Para falar de maternidade, e, por que não?… paternidade! Para falar de educação, de espiritualidade, de música, dança… de liberdade! Para informar, para discutir, rir, e quem sabe, ás vezes, até chorar! Tudo isso não dá pra ser feito por uma pessoa só… então, contaremos com a colaboração! Sua, da vizinha, da tia, da madrinha… E vai contar também com a minha! Sabrina, que além de um monte de coisas é também mãe da Helena, de 3 anos, do Apolo, de 1 ano, e do Ulisses, prestes a nascer! Venham nos conhecer!