Por quê é tão difícil falar sobre educação emocional?

Por quê é tão difícil falar sobre educação emocional?

Recentemente eu decidi fazer uma palestra online gratuita para os pais e pensei no título: Dicas importantes para se aproximar emocionalmente do seu filho. Para a minha surpresa (ou não) eu recebi uma enxurrada de conselhos sobre tirar a palavra “emocional”. O argumento da maioria foi que a palavra assusta, afasta, repele ou de que os pais não entendem o que é inteligência emocional.

Esse feedback me despertou mais ainda a vontade de falar sobre o assunto e espalhar a mensagem de que a educação emocional não precisa (e não pode) ser um tabu. Na verdade, nós já educamos o tempo todo nas emoções, só que estamos dando nomes errados e “mascarados” para isso e, o pior, deixando de colher lindos frutos de uma educação consciente na emoção.

Se você ama o seu filho você educa na emoção. O amor é a maior das emoções e é através do amor que os pais guiam os filhos para a vida. Junto com a decisão de ter um filho vem também a necessidade de criar um novo espaço de convivência entre ele e os membros da família, e é nesse espaço que o seu filho vai aprender lições importantíssimas.

Pode ser que esse novo espaço de convivência venha da família que você construiu com o parceiro (a) ou que o seu filho seja inserido dentro de um ambiente familiar mais antigo, como é o caso de pessoas que continuam morando com os pais ou de mães que refazem a vida em outros casamentos.

O importante é você entender que qualquer espaço de convivência é construído através do entrelaçamento da linguagem com a emoção. Você (e todos os que convivem com o seu filho) vão se comunicar com ele e ele vai sentir algo bom ou ruim com essa comunicação, que vai leva-lo a agir de uma determinada maneira e seguir um caminho ou outro.

Sentimentos geram comportamentos. Os pais que entendem esse ponto conseguem guiar os filhos para que eles consigam ajustar as emoções e, consequentemente, o curso das suas vidas.

É o emocionar que se conserva de uma geração a outra na aprendizagem das crianças. Então, se uma pessoa se move, por exemplo, a partir da frustração, isso vai definir continuamente o espaço relacional na qual se encontra e o curso que vai ter seu viver. Se vive a partir da confiança, vai seguir um curso distinto. Assim, portanto, o que guia o fluxo do viver individual são as emoções e na constituição evolutiva também –
Humberto Maturana (biólogo)

 

 

Em todas as fases do seu filho ele precisará da sua ajuda para lidar com as emoções e a cada ano da vida essas interações emocionais se tornam mais complexas dentro dele. E então vem a grande pergunta do começo do texto (e que me faz não desistir de colocar a palavra emoção): Como ensinar para os nossos filhos esses conceitos se estamos, ao mesmo tempo, querendo uma educação diferente e negando a prática da educação emocional?

É importante também alertar que educação emocional não é simplesmente amar os filhos. A educação começa desse amor, mas é preciso mais do que boas intenções para ajudar o filho a ter equilíbrio emocional.

Recentemente eu publiquei um vídeo da minha filha (assista aqui) que mostra um pouco do resultado da educação emocional. Foi a maneira que eu encontrei de chamar a atenção para o efeito prático da coisa.

Mas, é difícil educar emocionalmente uma criança? Sim e não.

SIM porque a maternidade consciente dá trabalho, mas se você está lendo esse artigo é porque já se engajou nessa e (você sabe) é um caminho sem volta, de total entrega e amor para seguir esse fluxo natural da vida, que é uma educação amorosa, de amor fluído, com um espaço de convivência que escuta, acolhe e respeita a criança.

NÃO porque já temos o ingrediente principal, que é o amor. Toda mãe que respeita a sua essência é capaz de criar uma dinâmica familiar que faça sentido para aquele espaço de convivência. Eu, por exemplo, entendi que tudo o que eu preciso para educar a minha filha nas emoções eu tinha dentro de mim, porque essas emoções também estão em mim. Aceitá-las, deixa-las fluir e entendê-las me deu a capacidade de fazer o mesmo pela minha filha. E é libertador!

 

Jacqueline Vilela é Coach de Pais e Filhos e mãe da Bianca de 07 anos. Criadora do Programa Emoções que Falam, que ajuda os pais a serem educadores emocionais dos filhos.

É também fundadora do Laboratório de Talentos , que ajuda adolescentes a descobrirem os talentos e os pais a ajudarem os filhos nessa etapa da vida.

E-mail para contato: jacqueline@laboratoriodetalentos.com.br