Perdeu, Playboy!

Perdeu, Playboy!

Por: Cappelli

Dia dos pais. A data é requentada mas o acontecimento é revelador. Quem acompanha meus textos há algum tempo já sabe que é neste dia, ou melhor, na semana que antecede este dia, que as vendas de cueca quadruplicam. Não sei porque mas me parece que toda mulher acha que nós só temos cuecas rasgadas, surradas e com o elástico frouxo. Tá bom, algumas sim, as vezes um furinho aqui, outro acolá mas, pelo que me consta, nada que prejudique nossa performance. As mais críticas e insensíveis ainda atacam falando da freada de bicicleta, mas aí é golpe baixo, que nos permite revidar falando da calcinha que ela tem da tataravó. Enfim, na dúvida, passa na Renner e compra logo um pacote daquela com cinco. É importante que seja só um porque, caso contrário, corre o risco de restarem algumas no próximo dia dos pais e você não ter o que comprar. Tá bom, chega desse papo cueca.

Fui acordado pelas crianças e por minha digníssima esposa com presentes, vindos da creche e providenciados pela trupe. O primeiro, das mãos do Thomaz, uma linda, maravilhosa, exuberante caixa de sucrilhos transformada em um porta treco, com meu rosto desenhado na frente. Logo depois, Sophia, com um tecido e suas duas mãos nele. Porta-retratos feitos pelos dois também faziam parte do pacote, além da tradicional camisa branca com a foto e uns dizeres. Confesso que compreendo o valor simbólico da camisa, o que ela representa, mas sair com ela foi um exercício de esforço e superação. Achava que a qualquer momento cruzaria com o Beiçola ou com o Agostinho na pracinha. Agora, só em casa.

Mas o que me chamou mais a atenção foi o texto que recebi da creche, revelador em muitos aspectos da visão que ainda existe sobre o que é ser pai. Até agora estou em dúvida se foi pra me sacanear ou não. Tô achando que não, nunca atrasei nem um mês, eles não fariam isso comigo. Enfim, comecei a ler e quase chorei… de depressão. Imagino que ao tornar este texto público a taxa de natalidade despencaria no dia seguinte. Vamos por partes porque se for de uma vez só não vai  ter ponte pra todos pularem ao mesmo tempo.

“Ser Pai é, acima de tudo, não esperar recompensas”. É claro que este não é o objetivo uno, que norteia a sua vida, mas pra mim todas as vitórias que eles conquistarem serão recompensas de nosso esforço e dedicação. Ou eu tô maluco? Será que vou pro céu?

“Ser Pai é contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado pra depois” Na boa, nessa parte cheguei a catar um Rupinol e um Rivotril que estão esquecidos lá na gaveta dos remédios, mas ponderei. Lembra da taxa de natalidade zero? Como o cara lê isso e sai animado pra brincar na pracinha???
“Ser Pai é colher  a vitória exatamente quando percebe que o filho já trilha seu caminho”. Ué, mas o esquema não era não esperar recompensas???

Sei não, acho que eles estão me preparando pra facada quando as crianças mudarem do maternal pro Jardim I. “Ser Pai é pagar a creche dos dois em dia e rindo, sem esperar recompensas e sem atrasar. A única coisa que se pode esperar é a multa e a mora no dia seguinte ao vencimento”

Termino com uma dica para o próximo texto do dia dos Pais: mintam. Nós sabemos que é mentira, quem escreve sabe que é mentira, mas ao menos nos conforta imaginar que um dia assim será. Não é pra isso que serve o ano-novo?

Abraços ao quadrado!

Cappelli é Tricolor (Fluminense) e macumbeiro em todas as suas passagens pelo universo. Ele diz que na casa dele não tem visita. Passou da porta é apoio! Quem é mãe (ops!) pai de 2 há de entender! Escreve com muito bom humor, sobre a visão paterna no  “É tudo ao quadrado”, um blog sem frescuras ou preocupações com o politicamente correto. Passa lá e Divirta-se!