O que fazer com as crianças nas férias – parte 1

O que fazer com as crianças nas férias – parte 1

Por: Natalie Catuogno

Seu filho pode até estar saindo de férias da escola (se fizer parte do grupo que vai às escolas infantis particulares, é provável que o ano letivo esteja terminando precisamente hoje, 14/12). Mas ele não vai descansar –nem deveria– de sua principal atividade: brincar.

O desafio, no entanto, é oferecer às crianças um ambiente estimulante e propício para os jogos lúdicos e simbólicos dentro de casa, com todas as limitações tão conhecidas pelos pais: pouco espaço, pouco tempo, dificuldades para ocupar o espaço público…

“A primeira coisa que as mães têm de fazer nesse período de férias é liberar a bagunça. Dentro de alguns limites, claro, com os filhos ajudando a arrumar tudo, mas oferecendo às crianças a liberdade de bagunçar mesmo”, diz Luciane Motta, diretora-executiva da Casa do Brincar.

“Minha Mãe que Disse” ouviu especialistas, pesquisou, visitou escolas infantis e preparou esse especial com algumas sugestões práticas –e até criativas— de brincadeiras e atividades para mães, pais e filhos nas férias. Para facilitar a consulta, as dicas estão divididas por faixa etária.

Questão de tamanho

As escolhas das crianças costumam ser sábias: em geral, elas optam por brincar daquilo que mais as desafia em sua fase de desenvolvimento. Por isso, ajuda bastante ter uma ideia do que pode chamar a atenção do seu filho, dependendo da faixa etária.

Até 1 ano: os bebês bem pequenos estão começando a perceber o mundo ao seu redor pelos sentidos. É fácil diverti-los oferecendo mordedores, brinquedos que possam ser levados à boca, chocalhos, bolas para apertar e arremessar, coisas que sirvam para fazer barulho suave. É interessante também oferecer livros de borracha ou de pano para que mordam e manuseiem e forrar o chão para deixá-los mais livres (engatinhando, rolando, andando com apoio).

No calor –que é o caso–, um banho mais demorado (ou mesmo sem compromisso de ser um banho propriamente) é uma opção. “Vale encher a banheira de brinquedinhos de banho, copos plásticos, talheres plásticos e qualquer coisa que chame a atenção do bebê e com a qual ele possa brincar na água. É diversão garantida”, sugere Motta.

Os pais podem usar lençóis para brincar de esconder a si próprios ou ao pequeno.

De 1 a 3 anos: os bebês a partir de 1 ano gostam de puxar e empurrar coisas. Pode ser a cadeira da cozinha, uma caixa de papelão, um carrinho, um caminhão. Também gostam de subir e descer de coisas. É possível improvisar “degraus” com almofadas e travesseiros, banquinhos baixos, colchões e montar um circuito a ser percorrido pela criança, com ajuda e supervisão dos adultos, dependendo da faixa etária e da mobilidade do pequeno.

Peças e blocos de montar (adequados para a idade e usados com supervisão para não serem engolidos) são bem vindos também, bem como quebra-cabeças com peças grandes e brinquedos de encaixe.

Com supervisão, é possível dar giz de cera, lápis, tinta, massinha de modelar. Como a criança nessa faixa etária ainda põe tudo na boca, é preciso oferecer gizes grandes e estar sempre por perto. Outra dica: “Dá para fazer massa de modelar caseira, com farinha, água, sal, limão e anilina”, diz Telma Scott, do Instituto Sidarta. Assim, se a criança colocar na boca, sem problemas. O mesmo vale para tintas. Ao invés de guaches, há receitas caseiras à base de anilina. E, claro, a diversão com os pequenos já pode começar no preparo desses itens.

O lençol, aqui, vira cabana. Com bichinhos de pelúcia, é um acampamento na selva. Com bonecos e bonecas, uma casinha, uma cidade. Vai da criatividade da criança.

Luciane Motta sugere, ainda, levar as crianças para a cozinha. Com 1 ano, podem brincar, por exemplo, com a casca de um ovo cozido. Aos 3, podem descascar o ovo. São experienciais sensoriais importantes. Também podem ajudar a preparar e mexer ingredientes secos, ver como se espreme uma laranja e por aí vai. “Cozinhar junto é uma delícia. As crianças aprendem sobre medidas e volume, conversam com os pais, reforçam vínculos e ainda se divertem”, lembra ela.

 

*Semana que vem publicaremos a parte 2, com sugestões de atividades para crianças a partir dos 3 anos.*

 

Natalie Catuogno, 32, é mãe do Enzo, jornalista, louca por livros. Escreve sobre maternidade no blog www.maederna.wordpress.com