O pinto e o homem

O pinto e o homem

Por: Flavia Fiorillo

O pinto do título tem sim duplo sentido. Ele refere-se ao menino que vai se tornam homem um dia e ao pênis, órgão genital masculino.

 

AVISO

O Ministério da Saúde adverte: o que você vai ler a seguir ou é a maior baboseira já escrita desde a descoberta da roda ou vai ganhar o Nobel de Psicologia – aliás, vão criar a categoria por causa deste post. O Ministério da Saúde também adverte que Mamãe nunca estudou psicologia nem tem pretensões para tal. É apenas uma observadora da natureza humana e tem a boca (neste caso os dedos que teclam) bem maior do que o bom sens – aquele que diz que temos uma oportunidade de ouro para ficarmos quietos e obedecemos.

 

NOTAS

Este texto não é para pessoas sensíveis à assuntos ligados ao equipamento do cromossomo Y. Por favor pare de ler aqui se só de ler a palavra “pinto” do titulo a deixou corada e sem graça. O assunto a seguir é sobre genitália. Vou falar sobre elas sem nenhuma vergonha na cara.

 

AGORA SEM MAIS DELONGAS, OS TEXTOS:

 

1. O tamanho

Conversando com um casal amigo outro dia, não sei como o assunto acabou em pintos. De meninos. Meu amigo estava contando do choque que o sobrinho teve quando o papai foi ensiná-lo a fazer xixi de pé. O moleque se assustou com o tamanho do pinto. Do pai. Diz ele que o menino olhava para o pinto dele, depois olhava para o do pai… travou. O coitado não conseguiu nem fazer xixi. Segundo meu amigo, o complexo nasce aí no banheiro, logo cedo. Os cotocos ainda não tem noção de proporção e quando olham o pinto  – em seus olhos – tão grande do pai, pronto. Complexo para o resto da vida.

Eu vou mais longe: na minha opinião o complexo começa com a mãe. Alguém conhece alguma mãe que não chame o pinto do filho pelo diminutivo? Quantas e quantas mães comentam com o pediatra que o pinto do filho é tão pequetitico, olha só, nem dá para ver. Se for circuncidado, então, ele some quase que por completo. O pediatra então tem que explicar que o pintinho do bebê não é pequeno. Ele está somente envolto por uma camada de gordura da barriga que com o passar do tempo vai desaparecer e o pinto, aparecer. Mas alguma mãe se consola com isso? Não. O pinto do filho continua sendo um pintinho. Agora, pense bem: se você for menino e ouvir X vezes ao dia a palavra “pintinho” vinda de sua mãe que acredita mesmo que ele é pititico, em alguma hora você vai acabar acreditando no diminutivo. Até eu acredito! O golpe de misericórdia vem mais tarde quando o moleque vai aprender a fazer xixi e tem que encarar o pintão do pai bem na sua frente. Tsc, Tsc. Homens, coitados de vocês.

Abençoadas as meninas que não tem que passar por isso. Primeiro porque não tem nada pendurado para fora para ficar comparando, segundo por que ninguém chama a pereca, piriquita, xoxota, ou seja lá que nome você inventou para vagina pelo diminutivo.

Com meninas as questões são bem mais simples de resolver. Fofoquinha* me viu pelada um dia desses e perguntou:

Mamãe, quando eu tiver pelos aí em baixo como você eles podem ser cor-de-rosa?

 

***

 

2. A ereção

Um fato real, aconteceu em casa. Na verdade, essa história tem pouco a ver com o pinto, fala sobre as diferenças entre as almas masculina e feminina.

Cara-metade viaja muito. Matraca-Trica está passando por aquela fase divertida – bom, eu acho hilária, humor negro da categoria “pimento no olho dos outros…” – em que tem que aprender a controlar as ereções.

Mãe presente que sou e interessada pelo o que acontece no universo de minhas crias, passei muito tempo abordando o assunto de maneira natural para ele não se sentir mal, explicando que é normal ficar com o pinto duro, acontece com todos os meninos etc e tal, usando o triplo de palavras que a criaturinha é capaz de absorver ou mesmo entender, levando a criança à exaustão do assunto em poucos meses.

Papai em casa, aproveitei um desses dias em que a cena se repete e pedi para o macho alfa bater um papo com o filho, de homem para futuro homem. Passei 40 minutos argumentando, contando causos e direcionando a conversa que eles deveriam ter (louca completa, eu sei) para que, como adulto, o pai pudesse ter uma conversa franca com o filho sobre o assunto. Ele ouviu pacientemente meu monólogo e respondeu: “Ué, mas você já não falou com ele? Então.” Expliquei, após um longo suspiro, que é diferente, eu apenas faço locação do equipamento por pequeno período de tempo e tenho conhecimento limitado de todas as suas funções. Algumas conversas tem que acontecer com pessoas do mesmo sexo.

“Pode deixar comigo”, disse a cara metade.

Alguns dois dias depois, quando os cromossomos Y da casa assistiam qualquer coisa na TV, notei o moleque. Chamei a atenção da cara-metade apontando para Matraca-Trica e sai da sala de fininho, mas não aguentei e me plantei por perto.

“Matraca-Trica”, começou o pai, “seu pintinho está duro?”

“Sim papai”.

Retruca o adulto: “É normal.”

Fim da conversa.

FIM. E resolvido o assunto ficou, por incrível que pareça, com ambas as partes satisfeitas com o resultado.

 

 *Flavia chama os filhos e todas as crianças mencionadas no blog Mamãe Sabe Tudo por nomes de personagens de desenho animado. São suas crias a Fofoquinha, nascida em 2002 e o Matraca-Trica, que nasceu em 2005.