O melhor dos melhores e o pelhor dos pelhores (ou: repertórios familiares, parte 2)

O melhor dos melhores e o pelhor dos pelhores (ou: repertórios familiares, parte 2)

Por: Mari BZ & blogueiras unidas no constrangimento vocabular*

 

O título, inventado pela Nanci, não podia ser mais apropriado.

Eu podia estar dormindo, eu podia estar dengando meus filhos, eu podia estar escrevendo um post diferente, mas estou aqui juntando alguns dos absurdos que apareceram nos comentários daquele post sobre o vocabulário equivocado que as nossas famílias nos fazem engolir.

Uma pequena coletânea faz-se necessária, porque o constrangimento humano pode ir muito além do que eu pensava. Olho para trás e agradeço aos meus pais pelos meus errinhos bobos, que nem me envergonharam tanto assim.

Me lembrei de uma respostinha fofa de quando eu era pequena: alguém dizia obrigada e eu rebatia: odinada!

Suave, vai? O que é um odinada infantil perto de uma pessoa adulta que, em um show, puxou o corinho do “Começa, Começa” assim: TÔ NESSA! TÔ NESSA! ?

Ou de alguém que até bem pouco tempo acreditou na espécie animal mafagafos? Na outra que tinha medo de bicho-pavão? Ou na que topou o convite do irmão para ir ao show do Raul Seixa em 1993 (data do óbito do moço: 1989). Nos que acreditaram por anos a fio que Caetano e Bethânia eram a mesma pessoa?

 

Pois é, sempre dá pra ser pelhor, minha gente. É nisso que a gente tem que se prender para não morrer de culpa quando deixar nossa cria:

– andar de bilisqueta (mas sempre usando o pacacete!)

– chamar o elevado é assim: ô enevadooor!

fucutar o tucuvelo

– usar tampufas

– brincar de ser policial na leguedacia, ou aninínena em uma nave espacial

– fugir das picadas de pelilongo, morabomba ou besourro

– vestir a merbunda para ir à praia (e cuidado que normaço queima, hein?)

– lavar as mãos no lavábulo, depois comer alcafrouxa e bife ali-na-mesa tomando suco de macurujá

– Tirar todo o gengislim do pão

– colar cartápcios de filmes na parede do quarto

abudecer (ou desabudecer, mais provável) a mãe

– andar num carro sem versível – aquele normal, claro, preciso nem explicar.

– perguntar a pergunta mais fofa ever: indiota é paladrão?

 

E as palavrinhas com letras comidas? Um bigo. A genda. A Lice (ouvimo muito essa última). Muita gente tem a bisoluta certeza de que é assim que se escreve, ué.

 

Criança também é imbatível na criação de frases subvertidas ou sentidos paralelos. E tem gente carregando suas criações infantis até hoje…

– Se a catapulta serviu

– Onde o Juca perdeu as botas

– Deus ticrim (funciona assim, ó: -Atchim! -Deus ticrim!)

– Tumitinhas (aquele cujo amor era pouco e se acabou…)

– O já célebre pé de cachimbo. Alguma criança um dia terá entendido que domingo pede cachimbo? Duvido. A árvore de cachimbos é muito mais legal!

Quem foi uma criança televisiva nos anos 80/90 há de entender (ou falar) essas:

– Super gênios, ativar!

– Não contavam com minhas túcias! Sigam minhas mãos!

 

Tem constrangimentos que, pelo menos, são coletivos: quem nunca comeu uma couve bem afogadinha? Quem nunca foi a um bazar beneficiente? Quem nunca ouviu (ou falou) horrores os termos asterístico, sombrancelha, cisnei, indioma, cônjugue ou guspe (opa opa, mas “guspir” está no dicionário, minha gente! Mais um paradigma que cai, cataploft!, como uma guspida na própria testa!)?

 

A conclusão é que, no que se refere a constrangimentos linguísticos, todos nos passamos, passaremos, causamos e causaremos. Melhor relaxar, se divertir e dividir com a colegagem blogueira, certo?

 

A Paula já blogou o louco vocabulário da família dela aqui.

 

Quem se animar a escrever sobre isso, mande os links aqui nos comentários que a gente publica!

 

 

*Esse post foi escrito com a generosa (e um tanto despudorada) colaboração de: Ana Cláudia, De., Lucelia, Lavínia, Gabi, Carol, Lucia Helena, Camila Guerrero, Glauthiara, Lia, Genetriz, Carolina, Juliana Contezini, Gugui, Marcia, Renata, Paula Mouzinho (que nos trouxe a verdade sobre o “guspir”, estou chocada até agora…), Muriel, Renata, Sarah, Cynthia, Nanci, Liliana, Maria Thereza, Juliana, Tatiane do Carmo, Drica Lopes, MHelena, Vivian, Gabriela, Giuliana Nogueira, Lu, Maria Paula, Mariana Martins, Aline Ricardi, Joana e Dani. Obrigada pela solidariedade no embaraço, amigas!

 

(Muito obrigada também a todas as comentadeiras cujas historias ficaram de fora por falta de tempo/espaço/sanidade mental da louca da coletânea, eu. Perdoam?)