Montessori e o nosso papel como pais

Montessori e o nosso papel como pais

 

Por: Sofia

Em primeiro lugar quero agradecer o convite para estar aqui, fiquei muito contente.

Para quem não me conhece eu sou a Sofia, lá do Educar com Carinho, onde escrevo sobre educação e desenvolvimento infantil. Onde partilho as minhas ideias e onde pretendo fazer nascer algumas reflexões a quem me lê e ouvir outros pontos de vista, que sempre me enriquecem.

Já falei por lá de muitos temas e no momento escrevo muito sobre a minha nova paixão, nascida pela importância que dou à aprendizagem e à educação do meu filho.
As teorias e filosofia de Maria Montessori, fundadora da escola Montessori, sobre o desenvolvimento e educação da criança fazem tanto sentido para mim que não posso deixar de partilhar com vocês. Montessori afirmava que a educação começa desde o berço e que os pais são os principais mediadores dessa educação.
É certo que as famílias de hoje não são iguais às famílias a partir das quais Montessori construiu as suas teorias, temos mães ou pais solteiros, temos pais e mães que trabalham ambos o dia inteiro fora, temos um grande número de casais divorciados mas todos eles ainda têm a mesma função de amar os filhos, protege-los e de nutri-los fisicamente, emocionalmente e espiritualmente.

Desde o nascimento até aos 6 anos a criança possui o que Montessori denominou de “mente absorvente” – a criança confia em nós para a criarmos e guiarmos construindo a partir de nós a sua personalidade. Ela absorve tudo, apreende tudo o que lhe transmitimos.

E é mesmo desde as primeiras fases da vida de um bebé que eu me apaixonei pelas ideias de Montessori, ela afirma o que eu mesmo antes de a conhecer acreditava, ela diz que a criança deve permanecer tanto quanto possível, nos primeiros tempo de vida, em contacto com a mãe. Não deve haver um grande contraste no que diz respeito à luz, ao ruído e temperatura em relação à sua condição anterior na barriga da sua mãe.

Somente dormir junto dos pais, ser amamentado, ser confortado é suficiente para o bebé criar um vínculo amoroso com o pai e a mãe nos primeiros dias da sua vida. (por isto acho tão importante quando um bebé nasce a família permitir aos novos pais esta paz… as visitas podem ficar para mais tarde… mas vamos combinar os primeiros dias são para a pequena família 🙂 )

E é este amor, esta dedicação que os pais podem proporcionar aos filhos que tem que ser incondicional e saudável.

Temos que ter em mente que nós somos o seu guia… existimos para os ajudar, para lhe facilitar a vida, nestes primeiros anos. E para que esta cumplicidade se crie é necessário estarmos conscientes que temos que transmitir confiança, que os nossos “nãos” os nossos ”agora espera” sejam encarados com paz e equilíbrio. Ser pais não é ser os melhores amigos é bem mais que isso és sermos um misto de “melhores e piores amigos” é sabermos dar limites e sabermos dar confiança e confiarmos.
É criar mas mais ainda guiar. É ensinar a fazer e a ser. É dar exemplo. É não permitir tudo, e é conseguir fazer isto de forma harmoniosa e para que tal aconteça tem que se criar um vinculo saudável de amor e confiança.

A criação deste vinculo tem que ser criado desde o berço por:

Contacto visual: ao mantermos o contacto visual com os filhos estamos a mostrar-lhe que estamos interessados neles e no que eles têm a dizer;

Contacto físico: manter o bebé perto do nosso corpo, segurar no nosso colo enquanto lhe lemos uma história, dar abraços, passear muito, no colo ou de mão dada… partilhar sussurros e risos, sentar junto no chão e rebolar no tapete, fazer uma massagem quando se sentem cansados ou irritados, estar perto por estar perto, tocar para mostrar que estamos ao seu lado.

Dar muita atenção: ler histórias mesmo que ainda seja um bebé bem pequeno, jogar a bola, brincar de cozinhar, ir ao parque, cozinhar juntos, tratar do jardim, lavar o carro. Todas actividades possíveis de realizar a dois, actividades que fazem os nossos filhos sentirem que são importantes e que nos podem ajudar… que também nos podem fazer feliz, e que nós temos tempo para passar com eles.

O nosso papel como pais é muito importante nós somos os pilares de uma vida que se está a formar… e é nos seus primeiros anos de vida que a criança mais precisa de nós. Temos o papel de as preparar para a vida, como disse Maria Montessori, de ensina-las a ser capaz, de levá-las a ser autónoma e segura de si mesmas.
É importante lembrar que a primeira fase de desenvolvimento é aquela que tem maior influência. É onde o sentimento, o comportamento a auto-estima e autodeterminação são formadas. Portanto, é de estrema importância que nós, como pais, consigamos ser os guias dos nossos filhos, consigamos fornecer a matéria prima, as ferramentas para que eles se construam, que consigamos criar e guiar os nosso filhos no seio de uma família segura.
Pois só mesmo uma família segura, estruturadas e harmoniosa poderá neutralizar as influências externas negativas.

E eu sempre digo: Educar não é fácil. É necessária muita dedicação e muita determinação pois estamos a fazer nascer um novo adulto que queremos que seja um adulto capaz e feliz.

Para mim não há duvida que a minha prioridade desde que decidi ter filhos, é a sua educação. Nada é mais importante, nada me dá mais prazer, nada me faz ser mais responsável e ao mesmo tempo me faz sentir mais realizada que este caminho que escolhi para mim – Ser Mãe.

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Sofia – Mãe,  a quem a maternidade abriu novas portas do pensamento, ama o debate de ideias e a partilha de saberes. Autora do blog Educar com carinho onde escreve reflexões, inspirações e ideias de como Educar, no presente, um Futuro.