Mãe à moda da casa.

Mãe à moda da casa.

Por Juliana

 

Um dia destes, em um papo de quintal com as amigas, percebi que os sentimentos maternos são, na maioria das vezes, muito parecidos e um deles é a saudade da tia que fomos um dia.

Quem já foi tia antes de ser mãe, sabe do que estou falando.

Eu fui uma tia 10!

Digo fui, pois não moro em minha cidade natal há oito anos. Destes oito, cinco com um oceano nos separando.

Eu era a tia que aprontava todas brincava, mimava, fazia mil bagunças e tinha uma paciência invejável. Eu mesma tenho inveja da paciência que um dia me pertenceu.  Meu foco era só na farra, no “bem bom” e no prazer de estar perto da criançada. Não que ser mãe não dê prazer, pelo contrário, mas o foco muda bastante.

E eu, achava que este fantasma era só meu. Todas as vezes que o saudosismo daquela Juliana aparecia, surgia com ele a culpa. Mas culpa do que? Culpa de estar muitas vezes cansada, sem aquela super vontade de sentar no chão e brincar todos os dias de dinossauros ou carrinhos? Culpa de dizer não aos inúmeros doces, sorvetes e afins que vemos diariamente pelos caminhos que percorremos?

Culpa de educar? Culpa em colocar os limites socias necessários?

Até que em um dia de desabafo, uma amiga soltou este mesmo fantasma da tia. Foi então que eu soltei o meu, para que os fantasmas fujam pra bem longe, de mãos dadas e deixem estas ex-tias, agora mães, em paz.

E de onde vem tudo isso?

Acredito que este sentimento de culpa vem de um senso comum, fruto de uma sociedade de consumo na qual vivemos e que nos exige que temos que ser felizes e perfeitos 100% do tempo. Será que na maternidade, tudo tem que ser imaculado, bonito, o tempo todo?

Dias atrás, assisti a um programa francês (estamos na Suíça) destinado às mães e lá,  havia um pediatra que dizia o quanto nós, mães, tendemos a transformar nossos filhos em seres divinos e que na verdade, não são. Não podemos criar uma expectativa nossa e dar esta responsabilidade a seres tão pequenos que estão e fazem parte de um longo processo de amadurecimento durante (quase) uma vida toda. Não é exatamente isso que nos propomos a fazer enquanto pessoas, amadurecer, evoluir o tempo todo? Perdi as contas de quantas vezes no mesmo dia, revejo minhas atitudes, repenso…

Nesta perspectiva, a (atual) ex-tia Ju ainda existe, mas agora ela  abdica deste único papel, para acrescentar outros e diga-se, o principal agora é ser mãe. Ser mãe no sentido total da palavra. Que cuida, que educa, que ama e que apresenta o amor aos filhos nas formas mais diversas, inclusive nos “nãos” que não delegamos a ninguém, a tarefa é nossa agora, minha e do maridão.

E temos tentado fazer isto com nossos filhos (Gabriel, 6a e Lucas 5a), que durante alguns anos (antes da adoção) não souberam o que era ser amados. Eles foram apresentados a muitos tipos de amor: das cuidadoras do abrigo, das vizinhas que estavam sempre presentes, das pessoas que os visitavam, mas o amor de uma família tardou a vir. Este amor gostoso (que tem cheiro de bolo) vem sendo construído, conquistado e ele vem de mãos dadas à segurança, ao respeito, à confiança, à educação…

Estamos neste caminho há dois anos e nove meses. E acreditem, temos conquistado além de nossas expectativas. Eles estão muito bem!

Tem receita?

Eu não acredito em receitas ao pé da letra, nem naquelas de fogão, pois, sempre acrescentamos um tempero, retiramos algo e modificamos um “cadim”, conforme nossa realidade. Assim também é a relação parental. Cada um constrói segundo suas próprias crenças e necessidades.

Eu e o maridão, não somos pais à moda “tios”. Somos pais à nossa moda. Educamos, orientamos, brincamos (e como!). Vivemos 24 horas em função deles. Eles são nossa prioridade há dois anos e nove meses e muitas vezes estamos cansados, fatigados e sem toda aquela energia que tínhamos enquanto tios. Culpa??

Nada melhor que esta frase que compartilho deste blog que sou fã de carteirinha:

 

“Faça o que dita o seu coração. Seu instinto de mãe é muito mais importante que mil teorias juntas. As teorias podem cair em desuso por ficarem fora de moda ou por serem equivocadas. O instinto materno é o mesmo a centenas de anos. Ninguém no mundo pode ser, para seu filho, melhor mãe do que você”

[Dr. Zalman Bronfman]

E se existe uma coisa que tenho certeza no momento é que a maternidade é feita por fases que acompanham a fase dos filhos e agora, estou na fase:

Minha mãe é TUDO pra mim”. 

Como mãe de meninos, eu sou a princesa, a mais linda, a mais cheirosa e a toda poderosa do universo (She-ra!!). Ou seja, creio que eu deva aproveitar esta fase que um dia, passará. ÓOOOOhh céus!!!

Fui!!!

Beijar muito, cheirar muito e pegar muito no colo, enquanto eu posso!! Amanhã, a gente troca tá criançada? Amanhã, será a minha vez.

 

Mãe Pandora, que tira hoje da caixa, um orgulho enorme de ser a mãe que posso ser.

Juliana, mãe de dois. Autora do blog: Contos de uma Mãe Pandora.