Já anda?

Já anda?

Por: Gabriela Miranda

Basta seu filho completar 1 ano para você não parar de ouvir a fatídica pergunta “já anda?”. Pra mim esse “já” soa como se fosse uma obrigatoriedade: completar 1 ano = andar. Como se as duas coisas fossem uma só. Diariamente, desde que Benjamin completou um ano, em 16 de junho, essa é a pergunta que mais ouço. Caí naquela armadilha de achar que ele estava demorando, de que algo estava errado, de ficar chateada e me questionar o tempo todo “será que vai demorar?”. Quando vi que estava me deixando levar, parei e pensei: não é porque ele completou um ano que tem que andar. Ele está se desenvolvendo bem. As coisas acontecem na hora certa. E ele vai andar quando estiver pronto. Foi assim até agora e tudo está correndo bem. Ficamos nessa ânsia pelo crescimento dos pequenos para depois lamentar a rápida evolução.

Mas tenho que desabafar que é um saco ouvir essa pergunta a todo instante. Sei que as pessoas não fazem por mal, mas é um saco mesmo assim. Já não bastassem todos os conselhos durante (e após) a gestação, temos que aguentar comparações e perguntas estapafúrdias. Ahhhh, as comparações… já ouvi tanto “Seu filho ainda não anda? Filho de fulano, começou a andar com oito meses”. E nas minhas veias percorria o desejo de dar uma resposta bem mal criada.

Desencanei.

Benjamin passou a mostrar certo esforço para andar, buscava sempre nossa mão para ajudá-lo, esticava o bracinho de uma ponta a outra até alcançar o apoio que precisava para transportá-lo até o outro lado. (Você já chegou a reparar no momento em que um bebê começa a fazer parte deste mundo de andarilho? Repara só nos seus gestos, na sua carinha de que tudo é novidade e incerto. Deve ser uma adrenalina ir de um lado ao outro. É uma conquista e tanto! Quando consegue, ele vibra e busca um olhar, alguém para mostrar o seu feito). Dia desses, percebendo sua vontade, agachei no chão, segurei suas mãozinhas tão pequenas, olhei nos olhos do pequeno e disse “filho, você está preparado, pode ir que a mamãe está aqui com você, nada de ruim vai acontecer”. Ele soltou minhas mãos e foi em direção ao pai. Isso aconteceu no último dia 01/08. Desde então ele não parou mais. É impressionante o desenvolvimento de uma semana para outra. A mãe aqui foi tomada de emoção (e também preocupação), agora Benjamin fica pra lá e pra cá andando e caindo (e o jeito que anda? Parece um soldadinho torto, perninhas arqueadas, bracinhos pra cima buscando o equilíbrio).

Já estou com saudades do seu bracinho esticado pra mim e do olhar e gesto que meu Ben passou a fazer como que pedindo “vem, mãe, vem comigo” (mas no fundo pedindo ajuda). Daqui em diante, meu bebê vai conquistar ainda mais independência. Vai explorar o mundo. Eu fico toda prosa, mas também toda nostálgica. Está passando muito rápido. E esse é um dos maiores motivos porque a gente deve zelar cada fase dos nossos pequenos. Não se importar muito com as perguntas. Compreendi que elas vão sempre existir, é assim desde quando eles nascem: “mama no peito?; já engatinha?; dorme a noite toda?”; “mas já fica no berçário tão pequeno?”; essa “já anda?” é só mais uma de várias que estão por vir. E independente da resposta sim ou não, o jeito é responder orgulhosamente. Temos que aprender a acompanhar e apreciar o encanto de cada fase, sem neura.

Gabi, mãe (mega assumida) do Benjamin, jornalista, descobriu que a maternidade transforma e que ser mãe é um aprendizado diário. Agora deu para acreditar que nasceu pra ser mãe, mesmo com toda insegurança, medos e dúvidas, está amando a ideia e registra suas impressões no blog Bossa Mãe