índigo & cristal

índigo & cristal

Por Nanci

Estive lendo sobre crianças índigo um tempo atrás.

Acho que todos os pais acham seus filhos especiais. Alana nasceu especial. Nasceu prematura. Era um especial que a gente preferia não ter que enfrentar. Mas aconteceu e a gente teve que passar por isso pra ter nosso bebê em casa. Daí ela começou a crescer e eu achava que ela era o máximo.

Básico, todas as mães acham.

Poucas têm o equilibrio de achar que seu filho é igual a todos os outros. Eu não achava, ela era diferente e eu não sabia explicar porque. Fui ler, achei as tais crianças índigo. Depois do terceiro livro descobri que eu era muito mais índigo que a Alana. Ela não tinha nada de índigo, nada. Eu era super índigo, mas adulto não tem a menor graça. Adulto índigo é mal educado e metido a besta, isso sim. Mas eu não estava procurando nada de especial em mim, afinal me conhecia bem.

Queria saber dela.

Com o tempo descobrimos que o especial era “especial”. Asperger. Foi difícil, muito difícil. Como diria o Robertão, sofri, chorei, tanto que nem sei. Passado o susto, a tristeza, vamos as soluções. Tudo foi dificil, caro, e cansativo. Ainda temos coisas a fazer, mas estamos bem melhor encaminhados e acessorados. Não tô satisfeita ainda, mas vamos chegar lá. Faltam pequenos ajustes.

Comecei a achar que o “especial” não é tão ruim quanto eu pensava e acho que minha filha é uma flor de criatura. Todo mundo que a conhece acha isso. Mas, alertada pelo meu marido, conclui que as pessoas são educadas e elogiam nossos filhos porque sabem que amamos quando isso acontece. Diziam que ela era um amor, que era diferente, que era especial, mesmo antes de a gente saber disso. Até hoje dizem: Alana é uma figura. Amorosa e divertida.

Na escola, ás vezes, vira uma fera. A professora sofre, mas era de se esperar, devemos achar maneiras de controlar esses ataques de furia. Daí, que eu fuço o blog dos outros em busca de outros blogs maternais. E achei um blog onde uma mãe desabafa sobre seu filho. Achei que o filho dela parecido demais com a Alana. Deixei um post, morrendo de medo de ofender, falando sobre as semelhanças e o asperger, porque essa mãe nao tem ainda um diagnóstico para o filho de 5 anos. E um dos comentários das amigas dessa mãe diz que o filho dela é uma criança Cristal. WFT??? Fui procurar e resumo da ópera: crianças novas estão nascendo, as índigo e as cristais. As índigo são confrontadoras e rebeldes, serão líderes mundiais e odeiam mentira e falsidade. Começaram a aparecem a cerca de 100 anos. As cristais são pacificadores e amáveis. Carinhosas e introspectivas. Artistas, vieram continuar as mudanças começadas pelas índigo. Começaram a aparecer depois do ano 2000.

Segundo os defensores dessas teorias essa crianças são erroneamente diagnosticadas como especiais. As índigo como TDAH e as cristais como ASPERGER.

A minha dúvida é: num mundo super complicado, onde teorias alternativas são cada vez mais aceitas, não é perigoso dar nomes misticos a doenças e deixar de tratá-las por medo de que percam suas características especiais? Eu tive medo de medicar minha filha, mas hoje vejo que fez diferença pra ela. Sei que outras mães preferem mudar a alimentação, mas sinceramente eu não tenho grana pra dar leite de 16 reais o litro pra Alana nao comer nada de origem animal. Eu não sei se melhora ou agrava, mas li sobre mudanças significativas no comportamento das crianças por causa da alimentação.

Enfim, pelo menos estão tentando ajudar essas crianças a se adaptar sem perder suas característcas especiais e sua personalidade apaixonante. Nada contra novas teorias, mas tenho medo, porque sei que é mais bonito ser índigo ou cristal do que hiperativo ou autista.

Mas não é tudo rótulo? Sou mais de assumir as responsabilidade para com a saúde e desenvolvimento da criança cuidando para que ela não deixe de ser um indivíduo, que vá mudar o mundo ou que vá ser feliz. Hoje eu sei que estamos fazendo nossa parte pra melhorar o mundo e que ser feliz é o direito principal de qualquer criança e cabe aos pais principalmente (não totalmente) viabilizar isso da melhor maneira possível.

Nanci, mãe de uma linda autista, estudante de arquitetura, fibromialgica, bem humorada, impaciente, com intolerância séria a gente séria, índigo. Ela é autora do Alaníssima.



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