Estou grávida, mas a barriga ainda é minha!

Estou grávida, mas a barriga ainda é minha!

Por: Letícia

Barriga de grávida é sempre alvo de polêmica. Alguns acham lindo e outros morrem de aflição. Tem grávida exibicionista que, na primeira oportunidade, já sai mostrando o barrigão. Assim como tem também aquelas que preferem os camisões e deixam a barriga ali escondidinha, quietinha. Algumas adoram que coloquem a mão em sua barriga e outras preferem que isso não aconteça nunca. O mais importante de tudo é que, grávida ou não, a barriga ainda é minha!

Eu sou do time do camisão e morro de aflição que ponham a mão na minha barriga. Abro exceção apenas para as pessoas muito próximas, que se restringem à minha família e alguns dois ou três amigos. Essas sim podem por a mão sem perguntar ou pedir autorização. Fora elas, se não quiserem esperar o meu convite (e confesso que dificilmente o farei), o mínimo que se deve fazer é ser educado e pedir licença para tanto. Né, não?

Dia desses li uma frase que traduz meu incômodo. Quando uma mulher está grávida, todo mundo diz parabéns e quer logo por a mão na barriga, mas ninguém vai lá apalpar o saco do pai e dizer “bom trabalho”. Ou vai? Acha que eu to radicalizando? Se você puser silicone no peito, vai se sentir à vontade se todas as pessoas que te conhecem, inclusive aquela colega chata de trabalho que você mal tolera, colocarem a mão no seu peito só para “sentir” como é que é? É claro que não!

Barriga é a mesma coisa, gente! Se você não sabe que tipo de mãe eu sou, pergunte! “Grávida pela segunda vez? Parabéns! Posso por a mão na sua barriga?”. Olha só que educado de sua parte. Provavelmente, eu retribuirei de forma gentil dizendo “Claro que pode” ou “Ai, eu prefiro que não, tenho um pouco de aflição”, mas mesmo uma resposta negativa será mais agradável do que meus olhos se transformando em fuzis e dando alguns passos para o lado para tirar minha barriga do alcance de suas mãos, não é?

Por isso, meninas, eu sou a favor de lançar a campanha “Barriga de grávida não é pública. Peça licença antes de tocar”.

Leticia – Com um ano já falava. Com seis, escrevia. Aos 17, foi estudar jornalismo. Aos 21, se formou. Aos 25, se casou. Aos 27, achava que sabia de tudo, mas descobriu que ainda tinha muito o que aprender na aventura de ser mãe. A mãe da Laura e do Miguel, ainda na barriga, autora do blog Pelos Cotovelos e Pelos Cotovelinhos criado em 2007 ,  onde conta causos, tagarelices e compartilha dicas sobre a primeira infância.