Ensine seu filho a ser feliz

Ensine seu filho a ser feliz

Por: Paula Abreu

No meu site, onde escrevo sobre transformação pessoal, sempre incentivo meus leitores a celebrarem a vida e a se manterem curiosos diante do mundo. Ou seja, a observarem o mundo como uma criança. A se permitirem se maravilhar com as pequenas coisas, a observarem os detalhes da natureza pelos quais normalmente passamos batidos na correria da nossa rotina, a encararem o exercício como o momento de brincarem com seus próprios corpos. A se surpreenderem.

Para alguns, é muito difícil.

Mas, se todos fomos um dia crianças e vimos o mundo dessa forma, como e por que aprendemos a ser infelizes e nos apegamos tanto a esse estado de infelicidade?

Se imagine diante de uma pessoa infeliz. Ela vem a você, desabafa, conta suas tristezas, seus problemas, chora. O que você sente? Normalmente, diante de uma pessoa infeliz, nos sentimos amorosos, temos simpatia, damos um abraço, queremos ajudar.

Agora imagine essa mesma pessoa extremamente feliz, alegre, saltitante. É muito mais provável que você sinta uma pontinha de inveja do que qualquer tipo de simpatia.

Você já reparou como esse comportamento se repete quando estamos lidando com as nossas crianças?

Se nosso filho está pulando na cama, rolando na praia e enchendo a sunga de areia ou dançando no meio da rua, muitas vezes nós ignoramos, isso quando não mandamos parar ou até damos uma bronca pela “bagunça”.

Mas quando nosso filho está com febre, murcho e deitado sobre a cama, nós ficamos cheios daquele amor e simpatia lá de cima, o amor e simpatia pela miséria do outro. Os pais enchem de carinho e mimo. Os avós enchem de carinho e mimo. A criança tem a total atenção de todo mundo.

Claro que não estou pregando que devemos ignorar nossos filhos quando estão doentes: todo doente precisa de cuidados. Mas cuidado não é o mesmo que simpatia, e devemos cuidar dos nossos filhos doentes, dar remédio e tirar a temperatura com um quê de indiferença.

Pode parecer um conselho radical, mas é muito importante: não dê mais amor e atenção ao seu filho quando ele está doente do que quando ele está saudável, brincando e pulando. Pelo contrário, da próxima vez que o vir pulando na cama, suba e pule com ele, se suje de areia na praia você também, enfie o dedo na massa do bolo e fique com um bigode de chocolate.

Ensine ao seu filho que ser feliz é bom, é ótimo. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para que ele cresça mantendo as suas qualidades de criança, para que ele continue se maravilhando com a vida e celebrando cada momento.

E quanto a você mesmo, olhe para o seu passado e lembre das vezes em que estava extremamente feliz e algum adulto brigou com você, pediu para parar. Tente identificar os momentos em que, pela primeira vez, você se sentiu ridículo por ser criança e fazer o que toda criança faz.

Perdoe conscientemente estes adultos que não tiveram a habilidade de te permitir se manter feliz. Vá até a cozinha, estoure uma pipoca, coloque uma música bem alta e cante e dance com a sua criança interior. Celebre com ela a alegria de estar vivo.

Paula Abreu é escritora, mãe do Davi e autora do livro A Aventura da Adoção e do site Escolha Sua Vida onde escreve sobre transformação pessoal, bem estar e simplicidade.

 

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