Da solidão de ser mãe

Da solidão de ser mãe

Por: Carol e sua baby-bobeiras*

*Esse blog faz parte do Especial Top 20 do MMqD, uma seleção dos blogues mais votados pelos nossos leitores, através do formulário VIP na pracinha.

De todo o caos que eu esperei pra esse primeiro momento da maternidade, não tinha incluído na lista o quanto eu poderia me sentir só. Estive processando este sentimento ao longo dos últimos dias e, foi num blog qualquer que afirmava exatamente isso que me dei conta. Parece que sou a única mãe do mundo, a única ínsone-amamentadora-acalentadora-trocadora de fraldas. E quanto mais eu me vejo assim, mais meu filho concorda: só se acalma no meu colo, só dorme com o meu cheiro, só quer o meu peito, só gosta do banho que eu dou. Sinto que estou viva só pra que outro alguém esteja. Que não tenho mais o direito de não querer. De não estar. De não ser. E fico achando que todo mundo tem essa carta na manga, essa que te permite desistir, só por um tempinho. Dormir uma noite toda, tomar um chope, usar roupas e lingeries de gente normal. Todo mundo pode, menos eu. Aliás, eu não sou eu, sou a mãe do Lucas. E só. É horrível pensar que dá uma vontade de sair correndo. Mas dá. Queria pausar o relógio, dormir oito horas e sair um pouco desse estado de constante alerta e preocupação.

Outro dia, numa das raras vezes que saí de casa, fiquei olhando pras pessoas na rua, tentando adivinhar se elas tinham filhos. Invejando o andar aparentemente despreocupado de algumas, que pareciam ter a vida só pra si. Não sei se vou conseguir caminhar desse jeito de novo na vida.

***

Na noite passada, Lucas teve muitos gases. Pela primeira vez, chorou desesperado e ficou algumas horas acordado. Depois de tentar tudo (muito peito, chupeta, mudança de posição, bolsa de água quente…), me lembrei do balde de dar banho e enfiei a criança na água quentinha. Isso foi às três e meia da manhã. Ele relaxou tanto que dormiu profundamente. E eu, na penumbra do quarto, chorei. Fiquei aliviada, triste, sozinha, feliz, confusa. Ele tava tão lindinho dormindo dentro do balde, eu esperei tanto pelo momento de ter meu filho comigo, eu o amo tanto tanto, mas, ao mesmo tempo, só queria largá-lo ali de molho e voltar correndo pra minha cama e dormir.

Deixei as lágrimas virem enquanto segurava o bebê, tão quietinho no ofurô dele. Quando me acalmei, sorri, tirei do banho, sequei, pus fralda, vesti, dei beijos, dei peito, me dei – como sempre e como só eu sei e posso e quero fazer. Coloquei no berço ao lado da minha cama e, em vez de dormir, fiquei ali velando o soninho dele.

De manhã, quando o marido acordou, me elogiou, disse que eu sou uma “super mãe”. E eu fiquei com raiva desse comentário. Estou exausta, maltratada, cheirando a leite, vivendo em ciclos de duas ou três horas. Isso não é super nada.

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Maternidade não é apenas entrega. É abnegação. É esforço. É amor maior.

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Mesmo sabendo que essa tristezinha besta passa, que esses sentimentos conflitantes são normais, não deixo de me sentir culpada por tudo isso.

Mas passa, eu sei que passa.

 

Carol. Bobinha. Mommy do Lucas. Jornalista. Quase fotógrafa. Carioca. Moradora da Argentina. Blogueira. Autora do Carol e sua baby-bobeiras