da licença bloguernidade, de como tudo começou (e uma ou outra fofoquinha)

da licença bloguernidade, de como tudo começou (e uma ou outra fofoquinha)

Diz a dona ciência que existem características nossas que serão, inevitável e involuntariamente, transmitidas aos filhos.

Pois todo dia eu torço para que meu filho não tenha o desprazer de herdar algumas de minhas inúmeras nhécas, que alguns chamam traços da personalidade. A começar pelos meus pensamentos inúteis.

Desde que me conheço por pessoa física que eu teimo em ocupar meu software cerebral com pensamentos que não me deixam um centímetro mais sabida, um centavo mais rica, ou um quilo mais magra. Eu juro que tento lutar contra eles, mas todo mundo sabe que pensamento é coisa que gruda no cérebro da pessoa e não sai, podem botar reparo.

Alguns exemplos de pensamentos inúteis que me poluem diariamente a caixola (não que vocês tenham perguntado):

Será que Adolf Hitler aceitou o desmame numa boa? E o desfralde dele? Foi tranquilo?

E eu e Madonna? Já menstruamos no mesmo dia?

Quantas pessoas famosas estão, neste exato momento, fazendo cocô?

Meus pensamentos inúteis são, inclusive, os responsáveis pela minha relação pouco amorosa com esse negócio chamado Facebook. Se você entra no Face e lê que Francisco está na praia, o que lhe vem à cabeça? Que Francisco está na praia. Confere?

Pois eu, em meu pensamento sem filtro, passo o decorrer do dia divagando.

Estará fazendo sol na praia de Francisco?

E teria Francisco levado protetor solar?

O que me falta nessa vida é filtro pensamentístico, eu careço de filtro.

***

Mas se eu pudesse escolher uma coisinha a meu respeito, uma só, a ser transmitida aos descendetes, seria o meu otimismo. Sou uma otimista incurável, quase cega, colegas.

Eu sou aquela sua amiga que acorda na praia em baixo de trovoada, corre pra janela e grita:

– Tá abrindo, pessoal, o tempo tá abrindo!

Reconhece o tipo? Meu otimismo beira à esclerose.

Pra se ter uma idéia de quão crônico e irreversível é meu otimismo, quando eu morava em Londres e era solteira, livre e desfilhada, eu coloquei na cabeça que queria um emprego desses que a pessoa tem que viajar.

E todo dia eu comprava os classificados. Até que, numa bela manhã, eu encontrei o anúncio que descrevia exatamente esse emprego dos sonhos: o salário era uma maravilha e nego ainda te pagava pra você viajar pra diversos países. O tal do emprego tetéia só tinha um probleminha: a lista de pré-requisitos. Acompanhem:

Domínio da língua italiana (?)

Experiência em treinamento de funcionários (??)

Alto conhecimento em gemologia/pedras preciosas, em especial diamantes (??).

Disponibilidade em viajar (oh, yes!).

Facilidade de se comunicar.

De todos os requerimentos acima, o único que cabia à minha pessoa era o último, pois é de conhecimento universal que todo otimista é também um falador compulsivo. Assim como toda pessoa que tem bafo gosta de falar bem pertinho.

Gente, cumadis, eu tinha ZERO chance de ser contratada.

Mas na hora da entrevista me baixou um otimismo tão grande, aquilo foi me dando uma empolgação, uma cirigaitice tamanha. Eu falava, falava, mexia os bracinhos, balbuciava. E aquele meu otimismo todo foi se alastrando, e, feito conjuntivite, contaminou a pobre da entrevistadora. Quando ela deu por si eu já estava contratada.

Engraçado pensar que, tempos depois, já trabalhando na tal da empresa, a entrevistadora me confessou que nunca tinha entendido COMO RAIOS que ela havia dispensado um bocado de gente preparada e inteligente, pra escolher alguém tão trabalhada na falta de loção como eu. Certeza que ela devia achar que eu tinha era colocado um negócio de uma maconha doida naquele café gringo dela. Mas aquilo não era tóchico não, minha gente, aquilo era o-ti-mis-mo.

***

Depois que Noah nasceu eu fiquei meio perdidinha.

Meu otimismo deu trégua, eu ficava olhando pra criança e pensava “Rapaz,como é que eu vou fazer pra trabalhar e ao mesmo tempo garrá nessa belezura?”

Enfim, fiquei meio a mercê dos meus pensamentos não filtrados e loucuras maternas. Que mãe nunca?

Até que resolvi que ia trabalhar de casa. E fiz o que toda otimista incurável faria: tracei um plano.

E o plano consistia em comprar roupas de criança no exterior e vender em território nacional. Do latim “muamba”. Porque antes dessa blogosfera materna ter se tornado este templo do politicamente correto, ela já foi bem fim de feira, viu senhoras?

Agora eu precisava era de um nome pra minha loja on line. E essa é a parte do post em que eu conto um segredo até então só sabido pelo marido, aquele santo. Tome lá o babado:

O nome Minha Mãe que Disse me apareceu em um sonho. E ele me foi sussurrado por…estão sentadas?

Ele mesmo, Erasmo Carlos, olha que tu-do-a-ver. Juro que um dia eu conto o sonho todo. Ou não.

Muitas mil peças de roupa vendidas depois, a coisa foi dando tão certo que eu resolvi oficializar o barraco, abrindo uma importadora. Mas, como a vida da gente é mesmo uma esfiha de carne, nos chegou a notícia de que mudaríamos para um lugar no outro lado do mundo, que atendia pelo nome de Cingapura. Bye bye, Brasil. Hasta la vista, muambas.

***

Ah, mas me deu uma peninha de aposentar o nome Minha Mãe que Disse! Nome charmoso, saído da boca de Erasmo Carlos em pessoa. Daí eu pensei o que toda otimista incurável pensaria:

Já sei! Vou criar um diretório com o maior número de blogues maternos possíveis. E chamá-lo de Minha Mãe que Disse!

E todo dia eu juntava uns vinte blogues maternos, chegando a bagatela de uns 700. Pensei, pronto, nome reaproveitado.

E é aí é que Flávia maravilhosa entra na história. Esperta que só ela, a moça me sugere uma sociedade e, imediatamente, transfere o MMqD daquele puxadinho blogspot marromeno que eu tinha feito, para esta linda cobertura, este site toooodo cheio de guéri guéri que a gente tanto adora.

Não, e a moça é agilizada: deu dois dias ela já tinha criado página no Facebook, no tal do twitter, e se referia ao Minha Mãe que Disse como MMqD, atentem para a chiqueza e sofisticação da moçoila. Muah, te amo, lindeza!

Além de ser inteligente e perspicaz, Flávia é daquelas que acreditam na divagação da pessoa humana. E olha que eu não sou mulher de poucos devaneios. Um deles foi a TV MMqD.

Foi assim: um dia eu digo, Flávia, dá uma olhada nesse site americano. O site se chamava Momversation e reunia um bocado de mãe falando um monte de mãezice, só que em vídeo.

“Flá!!!!! Tive uma idéia!!!!!! Que tal fazermos uns vídeos, como nesse site americano??!!!!!!!!!! Não existe nada assim em português, amiga, bora videolizar!!!!! Hein???”

(Reparem na quantidade de pontos de exclamação utilizados no sobredito email. Otimista que é otimista faz uso indiscriminado, desnecessário e irresponsável das exclamações, pra modo de codificar sua empolgação de viver.)

E Flávia, este anjo na terra, não só concorda como acha tudo lindo. E nasce o nosso primeiro vídeo da TV MMqD, nem canal de youtube a gente tinha.

Claro que não houve otimismo ou ponto de exclamação que transformasse minha edição autodidata em coisa séria, seríssima. Sabe comé, pobre a-do-ra vídeo animado, aquelas músicas de fundo, batucada alegre, aquele bocado de cena excluída. Tô mentindo? Daí os vídeos acabaram ficando com zero semelhança com o tal do Momversation, eles ganharam uma cara própria. Uma carinha otimista, meio sem filtro, meio final feliz –  feita eu mesma.

E, olha, eu estou de licença bloguernidade, mas a TV MMqD está em excelentes mãos! Que lindeza de trabalho que está fazendo a nossa Mari, aquela vereadora, ídala blogostética da gente tudo. Ela não mudou a cara da TV, manteve a personalidade, a alegria, a batucada, e ainda adicionou todo charme do mundo nos vídeos. Charme E Renata Sorrah, né Maricotinha? Pra qualquer um? Essa menina vai longe, te amo também, belezura!

***

Tudo muito bonitinho mas quedê a justificativa de meu afastamento, né minha gente excelente?

Portal bombando, lindão, só com pessoas do bem, que pagam o carnê em dia,exceto que…

Me companhem, prometo que essa é a última vez:

Você é mandada com marido, filho e porquinho da índia para uma ilha tropical, do outro lado do universo.

Uma ilha longe como o cão, mas excelente pra criar criança solta: mega seguro, bem intencionado e pernilongos-free. Tudo é novo, tudo é aprendizado. Seu filho foi dormir Nuno Leal e acordou Hugh Grant, todo trabalhado no poliglotismo.

Mas…nessa ilha não tem mais avós, nem tios, nem primos, só tem a gente na ilha tropical.

Vocês estão a dois aviões, 27 horas viajadas, e 11 horas de fuso da família.

Seu filho faz tudo o que você pede: se adapta, aprende duas línguas, desfralda, vira rapaz montessori, vai à escola pelas manhãs. Tudo que ele pede é atenção. Pois agora, lá fora, o mundo inteiro é uma ilha, há milhas e milhas e milhas de qualquer lugar.

E o que que é essa mãe faz?

Bem, ela fica acoplada ao computador.

Não desbrava, não acompanha a playdates, não cultiva novas amizades, não aproveita deste presente maravilhoso, que é a expatriação. Presente este que tem dia e hora pra acabar.

Ah, eu não tava achando aquilo certo.

Então eu revi, revimos.

Eu precisava de tempo pra viver a vida lá fora. Serenidade para assimilar e aprender com as diferenças deste outro lado do planeta. Um pouco de privacidade, foco e controle de energia, já que estava tentando engravidar.

E são esses os motivos do meu afastamento provisório, que ainda perdura, cumadis.

Quero agradecer por toda preocupação por parte de tanta gente, diz que nem Ivete recebe tanto email. Ganhei reza, mapa astral e bença de vó de leitora. Beijo, Dona Jandira!

E pedir perdão pela falta de resposta de minha parte, por favor, entendam que isso fazia parte de um processo de desapego. Espero que compreendam e possam me perdoar a antipatia.

E se isso tudo não for motivo suficiente pra que a pessoa serenise, centralize, proteja, foque e dê um tempo, então vá lá suas fofoqueiras:

 

Muito prazer, eu sou o mais novo otimista da família.

 

ps: Saudades, moças. Louca pra saber como a vida anda tratando vocês.

ps2: Juro que já já eu apareço no Piscar também. Nem que seja pra anunciar se o baby engravidado é uma otimistA ou um otimistO.

ps3: Enxaqueca é um novo sintoma de gravidez que inventaram recentemente, é isso? Na minha época isso era proibido por lei, praticamente.

ps4:  Erasmo Carlos, meu querido, topas participar de um vídeo? Repita comigo  Minha Mãe que Disse!