Cama compartilhada

Cama compartilhada

Por Jeane
Esse é um assunto tão lugar comum, no meio materno, quanto a nossa própria cama à noite. Mas preciso dar a minha opinião, se é que ela já está formada.

Sou da geração “Não… Filho no meio do casal não. Senão daqui a pouco não quer mais sair.”, então ainda na gravidez tratei de colocar um bercinho 60cm x 1m, ao lado da minha cama. Fora isso, ainda tinha o berço do quarto dele.

Minha mãe conta que eu dormi no meio dela e do meu pai até os 5 anos, e juro que não quero isso pra mim.

Heitor já chegou da maternidade aprendendo que aquele bercinho era o cantinho dele. E eu tive a imensa sorte de ser abençoada com um bebê que dormia de 20h às 5h, direto, todos os dias. Era uma bênção. Mesmo que às 5h eu estivesse de pé, assistindo a reprise da série JK, no Viva, eu tinha uma noite de sono. Bem… Sempre têm aquelas neuras de ver se está respirando, se está coberto, se está golfado, etc. Mas fora isso, eu dormia.

Quando o Heitor estava prestes a completar 6 meses (1 dia antes do batizado dele, mais precisamente), ele começou a acordar de noite. Eu o pegava no colo, cheia de sono, amamentava, esperava dormir, colocava do berço e virava pro lado. Em menos de 1h, lá estava ele resmungando de novo. Como se tivesse aprendido que fazendo aquilo ele ganhava o colinho da mamãe. Deve ter aprendido mesmo.

Comecei a achar que o problema era que o bercinho não o comportava mais, e o passei pro berço grande no quarto dele. Não adiantou nada. Continuei acordando de madrugada. Meu marido trazia ele pra cama, ele mamava, e ele o levava de volta.

Até que um dia, em pleno junho, inverno Petropolitano lascando, ficamos os 3 doentes. Heitor com febre (exantema súbito), eu com febre (amigdalite) e meu marido com febre (pneumonia). Foi uma semana interminável. O fato foi que meu marido resolveu dormir na sala, porque achou que lá ele tossia menos à noite. E eu não tinha condições de ficar levantando a noite toda pra ver como estava a febre do Heitor, porque eu estava pior que ele. Para facilitar a minha vida, deixei ele dormindo do meu lado essa semana. E sabem o que aconteceu? Ele dormiu a noite toda. Que nem uma pedra.

Ai, meu Deus… Então o que ele tinha à noite não era fome? Era saudade da mamãe? Como é que fica a culpa materna numa hora dessas? E nos dias que se seguiram, para trabalhar e ficar quase 12 horas longe dele?

Pois é, usei a desculpa do inverno e deixei ele no nosso meio. Conversei com algumas mães em grupos virtuais, que me disseram que era o tal pico do crescimento. Uma mãe até me criticou severamente, por achar que um bebê na cama de casal atrapalha o casamento. Minha pediatra disse que não tem nada de errado com ele, e disse que concorda com a teoria de que ele estava usando a noite para compensar a minha falta durante do dia.

Bom lá se vão 2 meses e o bacuri continua dormindo no nosso meio. Às vezes eu resisto bravamente e o coloco no berço, mas no meio da madrugada ele chora e vem pra cama.

Confesso que nessas vezes eu custo a dormir. A cama fica muito vazia só com 2…

Jeane Avellar é mãe do Heitor e autora do Blog Meu Filho Usou .