BONITO/MS: aventuras para pais e filhos!

BONITO/MS: aventuras para pais e filhos!

Por Thais Rosa

Eu conheci Bonito há mais de dez anos atrás, quando só havia uma ou duas ruas asfaltadas, poucos passeios abertos e estruturados e o destino era associado exclusivamente ao turismo de aventura. Mas foi há três anos, depois que virei mãe, que passei a olhar aquele lugar com outros olhos, e me encantei ainda mais. A região ainda é muito mais procurada por quem viaja sem filhos, em turma, pra curtir as belezas naturais (e as aventuras) durante o dia e se jogar na “taboa”, , a famosa cachaça local, durante a noite (eu era assim…). Mas, cada vez mais, Bonito tem entrado no roteiro de pais que curtem viajar com seus filhos (agora sou assim!), e a cidade e os passeios vêm se estruturando aos poucos para receber os pequenos.

Mesmo assim, vale começar com um aviso: ainda é um destino para pais um pouco aventureiros, já que a cidade é pequena, sem grandes infras, a maioria dos passeios tem trilhas e o contato com a natureza – águas, matas, bichos e cia é intenso. Mas, na minha opinião, por isso mesmo é um destino tão bacana para ir com as crianças. Mais vale um gosto, já dizia minha vó.

Bonito é um lugar maravilhoso, que faz jus ao nome. Mas é também longe (fica na região da Serra da Bodoquena, , no estado do Mato Grosso do Sul) e caro, falemos a verdade. Entretanto, esses dois “defeitinhos” são muito relativos, ainda mais quando se tem filhos: a distância pode ser problema ou diversão (e existem modos mais rápidos de se chegar lá do que indo de carro, como eu sempre fui – veja aqui como chegar ) e o custo, well... se a viagem for bem programada (e, quem sabe, fora de temporada, quando todos os lugares do mundo são mais agradáveis e acessíveis), é possível montar um roteiro que satisfaça pais e filhos sem doer muito no bolso. Um pouquinho vai doer, não tem jeito, já que a política de turismo em Bonito é restringir o número de visitantes por passeio e elevar os custos tendo em vista a preservação do local (“a la” Fernando de Noronha). Isso é polêmico, eu sei, e gera discussões mesmo entre os nativos e empreendedores locais. Mas o fato é que tem funcionado, e os passeios são tão maravilhosos que, ao final, fica aquela sensação de que valeu o investimento.

Em termos de infraestrutura hoteleira e receptiva, Bonito está cada vez mais equipada. Dependendo do tamanho da família, das exigências de conforto e do din-din disponível, há hoje várias opções, de campings e pousadinhas simples a um “eco-resort” cheio de atrações para a criançada, passando por hotéis aconchegantes tanto na cidade quanto no “meio do mato”. Hoje a cidade já é bem ajeitadinha, e tem também alguns lugares bacanas pra comer e prosear, em sua maioria bem amigável aos pequenos – embora apenas um tenha uma área pra eles se divertirem antes ou depois de comer (não vou fazer propaganda aqui, mas, querendo nomes, me escrevam no email no fim do post).
Mas vamos ao que interessa. Bonito tem hoje uma variedade de passeios estruturados, pra todas as idades e pra todos os gostos. O grande atrativo são as nascentes e águas cristalinas e o belíssimo mundo subaquático que elas permitem curtir, mas há também cachoeiras, grutas e outras belezas naturais imperdíveis. Meus dois filhos foram pra lá pela primeira vez com quatro meses, e minha experiência com eles me permite falar dos passeios pra crianças até 4 anos. Mas, como vou muito pra lá por motivos pessoais, já conheci (sem filhos) muitos passeios, e já conversei com muitas pessoas de lá sobre as faixas etárias por passeio, além de ter convivido com outros pais que já foram com filhos para lá, e é nisso que vou me basear pra apresentar passeios pra outras faixas de idade também.

Se você, como eu, tiver crianças pequenas (até 4 ou 5 anos) e não tiver ninguém junto para ajudar a cuidar deles (avós ou tios, por exemplo), as opções serão mais limitadas: vocês não conseguirão curtir os passeios mais bonitos, e talvez não valha a viagem (embora hoje existam cadastros de babá disponíveis em algumas agências de turismo, mas eu nunca usei, não posso recomendar). Caso vocês estejam com alguém pra ajudar, ou toparem fazer um revezamento, é possível combinar esses passeios adequados aos mais pequenos com os outros que vou contar adiante, e aí sim a viagem vale a pena. Mesmo porque a maioria dos passeios possui receptivos muito bonitos, às vezes com piscina e redário, onde quem estiver cuidando das crianças pequenas pode ficar curtindo também. E muitos deles têm a opção com almoços (em geral deliciosos), o que já vale a visita de quem não for fazer o passeio completo.
Pra essa faixa de idade, os passeios mais indicados são:

– os Balneários Municipal e do Sol, que são espécies de “clubes” locais, bem mais acessíveis que os demais passeios e contam com uma infraestrutura pra desfrutar o dia todo (como espaços para jogar bola, churrasqueiras, lanchonetes). Em ambos você vai poder experimentar um pouquinho do que os rios cristalinos têm pra oferecer, só que com muito mais liberdade que nos demais passeios guiados, podendo nadar, tomar sol, caminhar e brincar à vontade. Para os mais animados e em forma, é possível alugar bikes e ir pedalando até o Balneário Municipal, que é o passeio mais próximo da cidade.


– a Praia da Figueira: um passeio mais recente, uma praia mesmo, construída artificialmente em torno de uma lagoa de água corrente, cercada de mata. Eu não acho dos mais bonitos, mas é uma delícia pra ir com as crianças, pois a água é morna, uma boa parte da lagoa é bem rasa, e é possível nadar entre peixes, pular de tirolesa, andar de caiaque ou pedalinho, fazer piqueniques, descansar no redário… Também conta com parquinho e espaço à vontade pras crianças correrem, jogarem bola, e os pais podem se divertir também jogando vôlei de areia ou biribol.

– a Ilha do padre e a Ilha Bonita: a primeira é resultado de uma divisão do Rio Formoso em dois braços, formando uma ilha natural entre eles, com cachoeiras e piscinas naturais deliciosas. A segunda, já mais “desenhada” com intervenções em suas margens para as pessoas sentarem e acessarem a água, possui também áreas de banho e cachoeira, mas suas águas são um pouco mais agitadas que a primeira. Assim como os anteriores, são passeios mais em conta, e mais livres, onde as crianças podem levar bóias, bolas e afins pra brincar até se acabar.

A partir de 6 anos, mais ou menos, já é possível as crianças realizarem algumas flutuações nos rios cristalinos, que são o ponto alto da região: usando roupas de neoprene (em geral inclusas no passeio), máscara e snorkel, pais e filhos descem flutuando ao sabor da correnteza, vendo de perto peixes coloridos e plantas aquáticas. Elas também já poderão curtir passeios como a descida de bote, caminhadas, cachoeiras e grutas.

– o Aquário Natural e o Rio Sucuri são dois passeios de flutuação lindos e que recebem crianças a partir de 5 anos. No primeiro, é feito um treinamento com os equipamentos em uma piscina, e em seguida já se inicia a flutuação. E, ainda por cima, termina numa cama elástica flutuante (dentro d’água!). No Sucuri, o passeio se inicia com uma tranquila caminhada através de trilhas pela mata ciliar, onde podem ser vistos diversos animais, até chegar ao ponto de início da flutuação. Em ambos os passeios, há a opção de fazer o percurso no barco de apoio, caso as crianças (ou mesmo os adultos) se cansem ou fiquem com medo. E, naquele caso de haver alguém cuidando das crianças menores, é possível negociar essa opção, para que possam acompanhar o passeio também.

– o Rio do Peixe é um passeio imperdível, pelo conjunto da obra. O receptivo, na Fazenda Água Viva, é lindo, cheio de bichos, com um redário incrível e uma comida de primeira (além do bom papo do proprietário). De lá sai uma caminhada por trilhas na mata, passando por cachoeiras e piscinas naturais deliciosas. Pra curtir o dia todo, com tempo pra gastar e repor as energias por lá mesmo.


– E pra quem curte cachoeiras, com crianças nessa idade talvez já dê pra curtir também os passeios na Fazenda Ceita Corê, a Estância Mimosa e o Parque das Cachoeiras. São passeios pra caminhar na mata, nadar nas piscinas naturais, se banhar nas cachoeiras e avistar muitos bichos. (Mas, se for pra escolher um, eu fico com o Rio do Peixe…)

– o Bote do Rio Formoso é outra opção bacana pra pais e filhos: é uma descida de 7 km pelo Rio Formoso, em um bote inflável, passando por cachoeiras e corredeiras. Diversão e emoção garantidas. O passeio termina na Ilha do Padre, que já falei acima.


Para os maiores de 8 anos, quase todos os passeios já poderão ser curtidos. Além de todos esses que já falei, ainda vale destacar:
– o Rio da Prata, que é, sem dúvida, a flutuação mais incrível de todas, pela transparência, pela beleza, pela diversidade que o passeio oferece: inicia-se com uma caminhada na mata ciliar até a nascente do Rio Olho D´água (MARAVILHOSA), onde é feito o treinamento para a flutuação. De lá, a flutuação segue nesse mesmo rio, até encontrar o famoso Rio da Prata. Diversão extra é mergulhar em meio aos vulcõezinhos de água nas areias ao fundo do rio.


– Gruta do Lago Azul: uma das marcas registradas de Bonito, não tem como não ir. E a molecada vai curtir descer por uma escadaria de pedras até a caverna, pra ver de perto o impressionante lago azul e cristalino e as formações rochosas belíssimas.

– e ainda têm as aventuras de Bóia Cross (descida nos rios em grandes bóias individuais), Arvorismo (emocionantes travessias por sobre as copas das árvores), Cavalgadas… Basta escolher o que vocês e os filhotes mais curtem fazer, e aproveitar.

Por fim, pra quem já tem filhos maiorzinhos ou adolescentes, Bonito é o destino perfeito para uma viagem em família: a moçada vai adorar curtir aventuras como rapel, mergulho, mergulho em caverna, tudo com muita segurança e instrutores super capacitados. Eu mesma, medrosinha que só, já fiz um rapel de 70 metros numa fenda e foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. Já pensou fazer um desses ao lado do seu filho de 15 anos?

Além desses passeios (e de vários outros), a cidade tem algumas (poucas) opções de passeios urbanos, como o Projeto Jibóia, um passeio noturno onde é possível ter contato direto com jibóias muito mansas (não é muito a minha praia) ou a praça principal da cidade (Praça da Liberdade), que tem um lago com duas enormes esculturas de Piraputangas (o principal peixe da região) que fazem sucesso com a criançada, além de ser um lugar gostoso pra estender uma canga, comer uma pipoca e descansar enquanto a turminha corre ou joga bola.
E, pra quem gosta de aliar contato com a natureza e agito cultural (eu!), ir pra Bonito durante o Festival de Inverno pode ser uma boa pedida (apesar da cidade ficar um pouco cheia). O Festival já acontece há 12 anos, e a programação é de primeira, com muitas atrações pra criançada, como shows na praça, cineminha, teatro de animação, circo. Já curtimos muitas apresentações excelentes nos festivais, com ou sem crianças, realmente vale a pena. Pra saber mais, veja o site da última edição do festival.
Gostaram? Se quiserem saber mais sobre os passeios, hoje existem  muitos sites bem completos com informações sobre Bonito. Ah, e um detalhe importante: por conta da tal política de turismo local que já mencionei, para fazer qualquer passeio você precisará de um voucher e de um guia (com exceção dos balneários), o que pode ser obtido junto às agências de turismo locais (muitas vezes os próprios hotéis agilizam isso também, vale se informar).
O post ficou enorme, mas é que a região oferece mesmo muitas opções para os mini “eco-turistas”. Bonito é um lugar perfeito para pais e crianças brincarem e se aventurarem em meio à natureza!

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Thaís Rosa –  urbanista, é aprendiz de mãe desde 2008, e acredita que vai ser até ficar velhinha. Agora é mãe de dois, e curte as dores e delícias da maternidade intensamente. Por isso criou o blog Aprendiz de Mãe, onde compartilha reflexões e experiências sobre maternidade. Sempre gostou de viajar, e agora tem se tornado uma aprendiz-de-viajante-com-filhos.

Imagens: arquivo pessoal e google images