As temidas cólicas do lactente

As temidas cólicas do lactente

Por Juliana Buzzinaro

Primeiro devo confessar que quando ainda fazia plantão em pronto socorro, eu recriminava as mães que ali apareciam, tarde da noite, com seus bebês tão pequenos imunes a nada, por conta de dor na barriga. Os bebês chegavam, invariavelmente, dormindo, o que é bem esperado depois de um gostoso passeio de carro. “Ora bolas, são cólicas. O que ela veio fazer aqui? Arriscar o menino num PS por isso?”, pensava eu. Ficha rápida, orientações de sempre, HD de dor abdominal, CID R10, receita, pode comprar genérico, boa noite, tchau.

Agora que sou mãe, depois da primeira crise de cólicas do meu filho, sei que elas me procuravam para ter alguém pra dividir o colo para o bebê, e eu substituiria a coisa toda por um abraço. Porque era um abraço e um ombro pra desabar que eu queria quando o Vinny adormeceu, cansado de tanto chorar, apesar de terntarmos tudo o que havia disponível.

Quase 90 dias depois, sei mais do que sabia antes, como pediatra. Principalmente em como lidar com as crises quando quem chora é um querido seu. Mais uma vez, para quem ainda tinha dúvidas: a pediatria não nos ensina a ser mães. No máximo dá uma facilitada em alguns momentos.

Para esse item em específico, valeu o que eu aprendi na faculdade. Cada criança tem uma sensibilidade e reage a determinados alimentos que a mãe ingere, embora alguns pareçam unanimidades. Não adianta pegar a lista das (palpiteiras) amigas e tentar prevenir, parando de comer tudo o que for relatado como alimento proibido.

As cólicas são “normais” (ou como nós médicos chamamos: fisiológicas) nos primeiros 3 meses de vida dos bebês. Trata-se de um processo natural de adaptação do intestino dele à rotina da digestão. Por isso não são indicados medicamentos anti-espasmódicos (tipo Buscopan), que atrapalhariam o desenvolvimento natural dos movimentos peristálticos, necessário para que depois o intestino da criança funcione adequadamente.

Deve-se sempre ter em mente que, MESMO QUE VOCÊ NÃO COMA NADA, seu bebê terá episódios de cólicas nos primeiros 90 dias de vida. Não tem como evitar. No entanto, a piora na frequência e intensidade das crises é evidente após a ingestão de determinados alimentos e há listas e mais listas deles disponíveis por aí.

Aos poucos a gente vai descobrindo o que piora as dores do NOSSO BEBÊ, e isso não vale como regra para a nossa colega, certo? Mas o fato de alguém relatar esses alimentos facilita a busca nas horas de dúvida.

Eu por exemplo já havia cortado leite e derivados, feijão e repolho. Um belo dia meu filho voltou a ter cólicas na intensidade das crises de quando eu tomava leite. Fiquei um bom tempo tentando achar o que eu tinha comido de diferente até que lembrei de uma paçoca (era fim de maio) que o marido trouxe do mercado. Não tenho hábito de comer amendoim, então fui no Google e vi que muitas mulheres relatavam a piora das cólicas com a ingesta de amendoim. Pronto. Mais um alimento para a MINHA lista.

ALIMENTOS QUE PIORARAM AS CÓLICAS DO MEU FILHO:

Repolho

Feijão

Leite e derivados

Amendoim (no caso foi uma paçoca)

Rabanete

ALIMENTOS QUE AS (PALPITEIRAS) PESSOAS CONDENAM, MAS NÃO PIORARAM AS DORES AQUI EM CASA:

Coca-cola

Café

Chocolate

E vocês? Acrescentariam outros alimentos a estas listas?

 

Juliana é mãe, pediatra e autora do blog Cartas Brasilienses.