Aqui tem monstro

Aqui tem monstro



Por: Carol Garcia

E então que arrumei mais um espaço pra dar meus pitacos.

De quebra, mais um lugar onde eu posso desabafar minhas dúvidas e pendenguinhas maternas, pedir ajuda prasamiga e rir junto.

Ô delícia.

Que eu adoro vocês já é sabido, o que não contei ainda é da nova fase que passamos em casa.

Apelidei carinhosamente de Síndrome da Visita das Criaturas Imaginárias e Seres Inexistentes.

Mas pra resumir vai “Fase do aqui tem monstro” mesmo.

Isaac tá nessas.

Se fica em algum lugar onde não se sente bem, se o ambiente está mais escuro do que ele gostaria, se ele não quer tomar banho, se ele não quer comer… Para todos os ses ele enfia um monstro no meio.

– Mamãe! Mamãe!

– O que aconteceu, filho? Deita que está na hora de dormir.

– Não dá. Aqui tem monstro.

E a vida ficou assim. Lá em casa tem um ser esquisito e invisível em cada canto.

Eu, fã da Pixar, imagino aqueles fofos do Monstros S.A., Isaac imagina criaturas que só Deus sabe, até porque ele fixa os olhos num ponto como se a coisa estivesse lá.

Claro, que gritos e olhos fixos me renderam muitos momentos arrepio na espinha, né?

E que mãe vive sem isso?

Arrepio na espinha é aquele cafezinho que a gente toma depois do almoço. É quase o desodorante depois do banho.

Mas o desespero exagerado nesses momentos paranormais não é a única coisa que habita em mim nessa fase monstrológica. O bafo mesmo são as minhocas e caraminholas de outro planeta que agora fazem a festa na minha cabeça.

É que eu sou mãe de primeira viagem. Daquelas loucas que não quer proporcionar trauma desnecessário tentando espantar a criatura imaginária que seja.

Ou ainda, não quer cair na lábia do filho, que já se mostra um malandrinho, assim, antes de completar 3 anos de idade.

E eu fico pensando o que fazer diante dessa monstraiada toda. A dele e a minha.

Alguém aí sabe? Freud? Jung? PatatiPatatá?

Essa noite mesmo, depois de 3 acordadas gritadas por conta de um serzinho básico que insistia ficar no quarto do Isaac não me segurei:

– Meu filho, onde tá o monstro?

Apontou pro canto do quarto.

– Aquele ali? Do seu tamanho?

A cria fez que sim com a cabeça e ficou me olhando, como quem diz “a louca caiu na minha, o que será que vai fazer?”

Aí vira a louca:

– Olha aqui, seu monstrinho, sabe que horas são? Não? Então, são quase 11 da noite e o senhor está aqui de pé!

Aí me empolguei e coloquei mãozinha na cintura:

– Ai, ai, ai, já parou pra pensar em como sua mamãe deve estar preocupada? Já pra casa, escovar esses dentões e dormir!!!

Mirei Isaac e ele estava ali, me olhando como se eu fosse um elefante de duas cabeças se apresentando num circo, mas eu não me intimidei e ainda aproveitei pra aliviar a minha barra:

– E ó, seu monstro! Não esquece de pedir desculpas pra sua mãe, hein???
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Carol Garcia – Mulher, mãe, jornalista. Adora um bom papo, uma boa novidade e um bom destino. Conhecer novos lugares, novos costumes e viver. Muito. Ela escreve no blog Viajando na Maternidade, onde compartilha sua experiência e muitas dicas de toda essa viagem que é ser mama.