Aos meus vizinhos!

Aos meus vizinhos!

Por Mari Hart

Se você é meu vizinho, saiba que:

– Não, eu não sou espancadora de crianças.

– Não, eu também não sou ninfomaníaca.

Explico.

Quem mora em prédio, principalmente condomínio fechado, sabe como a falta de privacidade pode ser um problema. Seja no tom de voz, uma batida de porta, um choro escandaloso de uma criança… onde tem vizinhança tem barulho! (isso muito me lembra a vila do Chaves!)

No caso do meu prédio, o ecoar do som mais devassável é o da janela do banheiro, onde se escuta descargas de privadas ou até ‘escarros’ de terceiros. (ou quartos, quintos…)

Todos os dias a hora do banho é um parto. E um parto normal, sem anestesia. Pela manhã, antes de ir para o colégio, Pedro corre da água como o Cascão, como costumo chamá-lo nessas horas, e ao ser carregado a força para debaixo do chuveiro ele grita:

– “Socorro!” Ou então: “Me deixa em paz!” As vezes ele vai mais longe berrando: “Isso nãããão, isso não, por favor Deus !!!” Algumas vezes ainda me chama de “bruxa”.

E chora, Chora muito. Até desistir e se entreter com seus brinquedos que estão sempre estrategicamente na banheira.

Já a noite, é a hora do meu banho junto com o Leo. Mas Leo é o outro extremo do Pedro. A-M-A com todas as forças do seu ser tomar banho. Mas tomar banho com a mamãe!

Já contei sobre seus sérios problemas de constipação, e descobri após ir 3 x ao PS para fazer lavagem intestinal agressiva, que ele só faz cocô passivamente. Isto é, eu mesma retiro com KY, gel lubrificante, na cara e coragem. Com o aval do proctologista, claro. E como é uma hora “nojenta”, fazemos qdo ele vai tomar banho.

Lembrando que aqui em casa todo trabalho é feito em equipe. Entro no chuveiro, o pai polvo me entrega Leo, e devolvo devidamente limpo e (literalmente) evacuado. A partir daí o paizão seca, veste, põe fraldas, enfim…

Segue o diálogo no banheiro:

Eu: “Môôô… cadê o KY?!”

Ele: “Acho que acabou. Não tá aqui!”

Eu: “Mas no seco assim não entra, vai doer!”

Mas não é só Leo que ama este momento banho noturno não, a mamãe “Felícia” aqui tb que fica dizendo em alto e bom som:

“Ai que gostoso!”

“Vou te comer! Vou te morder!”

“Ai que delícia”

“Vai meu amor!”

Em alguns momentos Leo me morde como o diabinho da Tazmânia e eu dou gritos e gargalhadas!

Ontem eu e marido conversando após um banho desse, nos colocamos no lugar de quem está ouvindo, do outro lado da janela, e rimos muito!

Então, vizinhos, fica a lição. Nem tudo é o que parece ser!

 

Mariana Hart, 32 anos (com corpinho de 31!), casada com Ciro, mãe da Stella (11 anos) e dos gêmeos Leo e Pedro (4 anos). Aquariana, carioca, atrapalhada, estabanada, vive no mundo da lua e apaixonada por moda, culinária e fotografia. Ela é autora do Diário de uma Mãe Polvo.

Post originalmente publicado aquí.