Quando a realidade é melhor que o sonho

Quando a realidade é melhor que o sonho

Por: Luanda Fonseca

Sabe aquelas histórias sobre a gente mesmo que repetimos a exaustão? Aquela que todos os seus amigos sabem e quem sentar para tomar uma cerveja mais animada ao seu lado vai acabar ouvindo? Pois então. E eu sempre começo assim: “Sabe que meu sonho quando tinha 13 anos era ser mãe solteira, né?”

Pausa para a claquete, já que não estamos na minha casa, sentadas no meu sofá e você não necessariamente me conhece.

Meu nome é Luanda, sou consultora de estilo (personal stylist para ser chic). Tenho 30 anos e sou mãe de dois, o João de 4 anos e a Irene que está para chegar a qualquer momento. Sou casada com Pedro, que além de ser um pai incrível, é o grande amor da minha vida, daqueles dignos de filme sessão da tarde – também adoro contar essa história, mas isso fica para um outro post.

Voltando.

Sou filha de pais separados desde sempre. Cresci vendo meu pai a cada lua nova de ano bissexto. Ele morava em outro estado e sempre foi uma criatura bem maluca, da qual eu não tinha nenhuma lembrança. Na verdade, tinha apenas uma, a lembrança de uma promessa que um dia ele me daria um pônei. Não o meu querido pônei em miniatura, mas um pônei de verdade. Não era tudo que uma criança de 6 anos poderia querer?? Imagina ter um bicho de estimação como esse??? Seria genial. Claro que o pônei nunca chegou e depois do trauma, isso se tornou uma grande piada na família.

Minha mãe sempre foi a coisa mais perto da mulher maravilha que já existiu. Eu achava ela simplesmente o máximo e nunca, nunca, nunca na minha vida, senti falta de ter um pai. Na verdade, não fazia a menor ideia para que servia um pai na vida de um filho. Hoje eu fico pensando e nem imagino como ela conseguiu fazer isso.

Diante desse cenário, era natural que o meu sonho fosse ser mãe solteira, já que eu não entendia muito bem a necessidade de uma presença masculina na vida de uma criança.

Tempo vai, tempo vem, aos 15 anos conheci Pedro e dez anos depois a gente se casou (claro que não namoramos por 10 anos, que isso não ia ter a menor graça. Foram muitos encontros, desencontros e um lindo reencontro em pleno carnaval!!)

 

Dois anos depois nasceu o João e minha relação com Pedro mudou para sempre. O amor dele pelo nosso filho, fez e faz meu coração se encher de orgulho e de mais amor ainda. Observar a relação deles sendo construída a cada nova etapa, fez e faz eu me apaixonar mais e mais por ele, como uma renovação de votos mesmo.

Pedro era o pai que eu nem sabia que queria dar para os meus filhos e hoje, quando penso na minha família, vejo o quanto é importante cada um ter o seu papel muito bem definido na vida dos filhos e o quanto os dois juntos, pai e mãe, facilita o processo inteiro.

Não ter um pai não define caráter de ninguém – olha eu aqui, gente! Mas na estrutura que eu escolhi, de ter pai e mãe juntos, facilita a vida, tanto dos filhos, quanto dos próprios pais.
A minha relação com o meu pai teve uma reviravolta quando eu, aos 18 anos resolvi procurá-lo e de lá pra cá muitas coisas aconteceram, entre elas, a descoberta de dois irmãos lindos e muito especiais. A chegada do primeiro neto serviu para nos aproximar de uma forma muito inusitada – como são todas as coisas com ele e está tudo bem.

Eu devo ter um monte de defeitos, manias e esquisitices por conta de tudo isso, mas para minha vida acho que o grande aprendizado dessa história toda é que mãe é um bicho muito legal e importante na vida dos filhos, mas pai é menos neurótico e consequentemente, mais normal e que um bom pai faz toda diferença.

 

Luanda – autora do blog Amei – um blog de moda, de mãe, de coisas e um diário super particular da sua maneira de ver o mundo, sempre sob uma ótica positiva e do bem.