A mãe viajante

A mãe viajante

Por: Patrícia Monahan

Minha paixão por viagens não é de hoje. E sei que esse “vício” não é só meu.

Mas você já se perguntou por que gosta tanto de viajar?

Viajar é muito mais do que um destino. É sobre como pensamos e nos comportamos quando exploramos um novo lugar. Trata-se de descobrir a nossa essência e a nossa atitude em relação à vida quando estamos longe de agendas e rotinas insanas. É aquele estado de alerta constante que experimentamos ao enfrentar novas aventuras, desafios e experiências que as viagens invariavelmente nos proporcionam.

Quando viajamos, abraçamos toda e qualquer oportunidade, lição ou experiência – boa ou ruim – e tiramos o melhor proveito delas. Somos mais corajosos e destemidos. E nos sentimos bem.

Encaramos cada dia como uma nova aventura. Lugares exóticos, aromas únicos, sabores inusitados, gente fascinante e costumes distintos. Levantamos a cada manhã cheios de otimismo e entusiasmo. Certos de que o dia será ótimo. E eles freqüentemente o são.

Quer prova maior de que a nossa atitude determina a nossa vida?

E foi por isso que, ao embarcar na aventura de criar a Our Whole Village, tomei também a decisão de aplicar esta postura de viajante aparentemente simples, mas muito eficaz, no meu dia-a-dia como mãe. E os resultados têm sido surpreendentes.

Aqui vão 5 práticas diárias que têm me ajudado muito:

1. Estar aberta

Nosso nível de tolerância cresce consideravelmente quando viajamos.

Você pode estar feliz da vida acampando a 5.200m de altura, na neve e sem água no Tibet (história verídica), mas se o mesmo acontecesse ao lado de casa (se é que você pode encontrar um lugar tão alto), o entusiasmo provavelmente não seria o mesmo…

Assim como aceitamos as condições mais adversas quando viajamos, abra a sua cabeça para os pequenos contratempos do dia-a-dia, incluindo chiliques e tudo o mais.

E, principalmente, aceite abertamente os seus sentimentos e os de seus filhos. Ao invés de reprimir sentimentos de raiva e tristeza, deixe que seus filhos (e você também!) experimentem estes sentimentos tão naturais e inerentes ao ser humano.

Por exemplo, quando uma das minhas filhas está brava, eu digo: “Está tudo bem. Você não quer bater numa almofada? Acho que você vai se sentir melhor…” Elas acham engraçado, claro. Mas, ainda bravas, elas vão lá e batem. E se sentem melhor. Mágica!

2. Estar presente

Aprecie as pequenas coisas.

Quando a gente viaja, fotografamos absolutamente tudo. Os habitantes locais passam, entretidos em seus afazeres, enquanto a gente fotografa as frutas no mercado, as placas de trânsito, as formigas na calçada…

Seja o turista. Observe os momentos habituais e corriqueiros com novos olhos.

Nossas rotinas frenéticas talvez tornem esse exercício um pouco difícil no começo, mas garanto que é muito gratificante. Como diz Marcel Proust, numa de minhas citações favoritas, “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.”

Você se surpreenderá em quão mais paciente essa prática te tornará. E falo por experiência própria.

3. Ser ousada

Do mesmo jeito que você se joga em novas aventuras quando está longe, saia da sua zona de conforto em casa também.

A rotina é excelente para crianças, mas fazer algo novo e inesperado com seus filhos de vez em quando pode ser extremamente prazeroso. Uma atividade diferente, um caminho alternativo, um jogo inédito, um prato exótico; cada um certamente despertará sua curiosidade e entusiasmo.

Para mim, não há nada mais gratificante do que ver o brilho nos olhos das minhas filhas quando elas descobrem algo novo.

4. Ser gentil e tolerante

As viagens não são perfeitas. Imprevistos acontecem. De repente furtam sua carteira, o vôo atrasa, ou você perde um trem. Mas você deixa que qualquer contratempo arruíne as suas merecidas férias? Não. Você se recupera e contorna a situação. E, mais importante, você não deixa que isso afete o resto da sua jornada.

E quando você se lembra das suas últimas férias, você pensa em tudo o que deu errado ou nos lugares incríveis que visitou e nas pessoas maravilhosas que conheceu?

Recupere-se rapidamente dos contratempos e decepções.

Encontre o seu botão de “reiniciar”, seja qual for: respiração, meditação, uma ducha, uma música. Qualquer coisa que te a ajude a se afastar dessa sensação de desassossego e que te inspire a ser mais gentil e compreensiva consigo mesma.

5. Ser grata

Do mesmo modo que você faz questão de mostrar para os seus filhos as coisas belas quando esta num lugar diferente, mostre para eles tudo o que há de bom e bonito ao seu redor diariamente.

A gratidão gera felicidade.

A gratidão ajuda os pequenos a enxergar além de seu próprio universo.

Este ano comecei um novo experimento. Ampliei o meu diário de gratidão para incluir também as entradas das minhas filhas.

Ao final de cada dia pergunto e anoto seus momentos favoritos, qualquer coisa que elas queiram agradecer.

Um dia esse diário será um belo recordo de como eram seus dias nessa idade. Por ora, já posso notar a mudança na Sofia, que tem quase 5 anos.

Ontem à noite me esqueci de perguntar como havia sido o seu dia e a Sofia prontamente me lembrou: “Mamãe! Você esqueceu de perguntar do meu dia! Estou contente pelo sol!” (Aqui em Madri tem chovido sem parar).

E você? Adoraria saber o que funciona pra você e sua família!

 

Patricia Monahan.  Esposa e mãe apaixonada por viajar e aprender sobre diferentes culturas. Fundadora do  Our Whole Village, uma comunidade dedicada à formação de crianças conscientes e globalmente responsáveis, através do contato com outras culturas.