A inteligência que vem das mãos dos nossos filhos

A inteligência que vem das mãos dos nossos filhos

Por Ana Paula

As crianças aprendem por meio de seus sentidos. Nós, adultos, nos damos por satisfeitos em usar a visão para tirarmos as nossas conclusões e, com isso, esquecemo-nos de que os cinco sentidos são  mportantes ferramentas para o aprendizado e desenvolvimento dos pequenos.

 O tato, o olfato, a audição, a visão e o paladar são as suas ferramentas naturais de aprendizagem. Basta visualizar um bebê que pega um objeto novo com suas mãos e depois o coloca na boca, ou então da criança que toca em tudo quanto é superfície que vê pela frente.

A partir do momento que eu assimilei esse conceito que é intrínseco dos estudos e método Montessori, passei a enxergar o comportamento inquieto, espontâneo e curioso das crianças – em especial o da minha filha – com outros olhos.

Para a Dra. Maria Montessori, a inteligência de uma criança é constituída pela exploração de seus sentidos e, essencialmente, pelo “trabalho” que vem de suas mãos. Elas são as maiores professoras de uma criança. Para aprender é necessário haver concentração e para que uma criança fique concentrada em determinada tarefa, trabalho, atividade ou brincadeira é necessário o toque, o manuseio.

É dessa maneira que a criança aprenderá, de forma significativa, as qualidades de peso, textura, medidas e consistência. Ao manipular objetos, haverá o entendimento do seu funcionamento, o agir sobre eles, de lhes transformar, de estabelecer comparações e observar a causa e efeito. É pela atividade das mãos que a criança toma contato com o meio, se encanta por ele e constrói a sua inteligência e criatividade.Também é pela manipulação que a criança aperfeiçoará habilidades e adquirirá a autonomia e segurança para agir por conta própria. A repetição do gesto lhe dará condições de calçar um sapato, vestir e tirar a própria roupa ou abotoar e desabotoar. O que é simples e banal para nós, é algo que requer um grande – e complexo – trabalho interior dos nossos pequenos.

Na gama de trabalho manual dos pequenos também entram os exercícios de vida prática, que são aqueles executados no cotidiano.

Ao varrer o chão, ao lavar a louça ou estender a roupa no varal, a criança aprende a dominar os movimentos adequados para a execução da tarefa e a ter o domínio do movimento do seu corpo.

Se formos comparar, imagine você jogando golf pela primeira vez. Você sabe como posicionar suas pernas e braços e de como fazer os movimentos de forma coordenada, concentrada e harmônica para dar uma tacada? O mesmo acontece com a criança quando aprende a varrer. O segurar cabo da vassoura, o controle das suas mãos, o movimento dos seus braços. Depois “reunir” a sujeira recolhida, colocar numa pá e jogar no lixo. Há toda uma concentração, ordem de movimentos, exigência de coordenação motora e trabalho corporal para executar uma “simples” tarefa. Também é preciso dizer que toda forma de atividade de vida prática contém os requisitos, na sua forma mais primitiva, que facilitarão a futura escrita, leitura e aritmética.

Com base no princípio de valorizar as atividades sensoriais, de modo que as pequenas mãos fiquem bem ocupadas e a mente concentrada e criativa, selecionei algumas atividades que podem ser feitas em casa, com materiais facilmente encontrados.

 Ana Paula trocou a vida estressada de advogada no Brasil por uma vida calma em uma cidade pequena e medieval do interior da França, onde desacelerou e virou mãe em período integral. Ela é apaixonada pela culinária francesa e pela pedagogia Montessori, e escreve no Journal de Béatrice.