A culpa não é minha!

A culpa não é minha!

Por: Nivea Sorensen

Aqui em casa não teve livre demanda. Não teve nem amamentação exclusiva porque não tinha leite. Mas teve mamadeira, dada sempre com muito carinho, feita com a maior higiene, com o maior amor do mundo e vontade de nutrir.

Não tem fralda de pano, cama compartilhada, sling, ou bebê no colo o dia todo. Não tem ninar, porque ele não gosta. Desde muito pequeno, dormir no colo nem pensar, ele gostava mesmo é de ficar no bercinho e adormecer sozinho.

Tem respeito. Por ele, pela individualidade dele e pelos meus limites.

Aqui tem chupeta e tem um pouco de TV. Sim, porque não tem babá, não tem empregada, não tem família para ajudar. Tem uma casa para ser limpa, roupas para serem lavadas e passadas, jantares a serem feitos.

Ao mesmo tempo, tem muita conversa, tem muita estória e muitos livros.

Tem muita vontade de se criar um filho para o mundo, de maneira que ele seja independente e muito, mas muito feliz.

Tem uma mãe que precisa de tempo para si mesma. Tem um pai presente e nem um pouco menos capaz do que a mãe na hora de cuidar do bebê.

Tem paciência quase infinita, muita alegria, muita doação.

Tem amor.

Tem comida fresquinha, feita em casa. Tem fruta, legume e verdura. Não tem sal, não tem açúcar.

Tem tentar. Tem errar. Tem fazer de novo.

Também não tem nenhuma certeza de que isso tudo é certo ou errado. Não tem nenhuma critica à quem faz diferente, à quem acredita e exerce outro tipo de maternagem.

Porque o que acontece na minha casa não é a tal da maternidade real. Não é a da teoria X ou Y. Não é baseada em livro ou pesquisa.

É minha, e SÓ minha. E acima de tudo é absolutamente livre de culpa.

 

Nivea Sorensen – mãe de um filhote de irlandês de cabelo vermelho e fogo na fralda, escreve o Que Seja Doce, um blog sobre as pequeninices da vida de mãe no exterior.