Por: Talita Guedes Bittioli

O bebê chegou! A Família está feliz. O pai, todo babão; a mãe, realizada! Os avós, parentes e amigos celebram a chegada de uma criança tão especial. Os sentimentos ficaram todos confusos, os pais sentem medo, alegria, preocupação, ternura, satisfação, receio, tudo junto ao mesmo tempo! E como não? A chegada de um filho significa mudança! Mudança total.

As mudanças são boas, gostosas. Existe o período de adaptação com aquele novo integrante da Família em casa, mas, depois desse tempo - que é distinto de uma casa para outra - os pais se habituam e cada dia é um novo e agradável aprendizado.

Até aí, tudo lindo, certo? Pois bem. Mas há uma questão que algumas vezes é negligenciada. Não de propósito! É simplesmente porque mudar pode ser difícil e definir prioridades também não é tarefa fácil. O casal deixa de ser um casal e se torna Casal-Pais! BUM! E agora? A chegada de uma criança à Família agita a vida do casal, transforma sentimentos e exige alterações na rotina. Acontece que por vezes, o casal fica tão absolutamente envolvido com a criança, que acaba se esquecendo de que o título de esposo e esposa é que possibilitaram a existência do filho! O título de pai e mãe são um plus! Eles não extinguem os papéis anteriores. As mudanças não podem abalar o casamento.

Mas, caras mães e caros pais, nem tudo está perdido! Existe algo que pode resolver essa situação, uma palavrinha mágica e simples: equilíbrio! Tudo bem, eu sei que não é tão simples como parece, mas, também não é impossível, certo?! Umas dicas aqui, uma organização de tempo ali, uma consulta ao Psiquiatra um aperto acolá e tudo fica bem.

Equilíbrio é essencial para qualquer pessoa, em qualquer momento da vida, em qualquer situação. Tudo bem, dizer isso não mudou muita coisa, então, vamos às dicas práticas!

- Compreender que o filho PRECISA de um ambiente familiar saudável: Um casamento saudável traduz numa criação de filhos saudável. Toda criança precisa de, ao menos, três propriedades essenciais para crescer maduro, integralmente saudável e feliz: segurança, aceitação e amor. Pais que oferecem isso aos filhos estão garantindo que eles cresçam capazes de tomar decisões sábias, lidar com as frustrações da vida e relacionar-se com o mundo e as pessoas de forma autêntica e alegre. Imagine uma criança crescendo num ambiente hostil, em que os pais não se respeitam, não investem em sua intimidade, não são parceiros?  Um casamento vibrante e feliz é puro exemplo pros pequenos! É muito mais provável que sua criança seja um futuro marido amoroso, quando cresce vendo que o papai trata a mãe com respeito e carinho. Igualmente, será uma futura esposa paciente, se vir a mamãe tratando o pai com zelo e tolerância.  Os pais são os maiores modelos dos filhos, repare nisso! Investir no relacionamento do casal é propiciar condições favoráveis ao crescimento satisfatório dos filhos. Esse investimento é um exercício diário, uma forma de pensar o casamento, quase um estilo de vida. É moldado com o tempo e precisa sempre ser reavaliado e adaptado para a realidade do casal.

- Um bom papo: isso mesmo! Existe conversa franca e sincera entre o casal? Não! Então é preciso começar UR-GEN-TE. Um casal que conversa é um casal que se entende. Além disso, não dá pra ficar vivendo só no campo das ideias, certo?! Ao contrário do que alguns maridos pensam, as esposas não possuem bola de cristal! Tudo bem, vai, algumas esposas pensam o mesmo dos maridos... Esposas, eles também não têm! Um bom papo sobre os filhotes, a mudança que a chegada deles trará e até alguns limites, é importante desde o início da gestação. É preciso conversar sobre a chegada do bebê, a expectativa de cada um, os anseios que ambos possuem e como pretendem que seja a rotina após o nascimento da criança. Jogo aberto, sempre.

- Estabelecer prioridades: cada Família tem sua própria dinâmica, jeito de ser e valores. Ótimo, isso vai ajudar o casal a estabelecer as prioridades. Difícil se aprofundar nesse item, porque cada Família pensa de um jeito, mas, algo é certo: O casamento é prioridade e os filhos também. Os dois precisam ser cuidados de forma intensa e eficaz. Pense nesse exemplo: o bebê tem 3 meses de vida, é um sábado, faz um mês que a mãe parece uma doida não consegue fazer as unhas e os cabelinhos e finalmente, hoje conseguiu um horário a tarde no salão, pra arrasar no jantar que conseguiu marcar com o maridão (a sós, gente!) nessa noite. Só que o pimpolho resolveu ter uma cólica de doer o coração bem na hora da saída para o salão. E? Cada um pode responder da maneira que acreditar ser melhor! A prioridade é estar bonita pro encontro? Oriente o pai ou cuidador que ficará com o bebê essas horinhas, sobre como tratar a cólica e vá em Paz. A prioridade é cuidar do pequenino? Ligue pro salão, desmarque o horário e avise ao marido que você irá ao jantar do jeito que está, em Paz! Percebem? Mães têm escolha sim. Uma pode escolher diferente da outra, mas, cada uma sabe de suas prioridades, onde seu próprio calo aperta e o que é melhor pro seu casamento, filho, Família. Sem culpa. Sei que a culpa é grande amiga das mães, porém, é uma amiga da onça. Não deixe ela tomar espaço em suas vidas. Toda escolha significa uma renúncia e olhar para o que foi renunciado, no máximo, gera uma gastrite. Não vale a pena e não muda o que passou, certo?! Faça disso um mantra! Se for muito difícil lidar com isso, corre para a terapia!

- Entender que é só um momento: vamos agradecer a Deus, à Natureza, à Mãe Terra e quem mais for preciso: filhos crescem! Tá certo, eles são umas delicinhas quando pequetitos, cheios de graça e charme. Mas, exigem muito tempo dos pais. Conforme vão crescendo, é possível pensar em deixar uma noite com os avós ou aquela amiga querida, pra passar a noite fora como nos velhos tempos, hã?! Jantarzinho, cinema, um bom vinho, barzinho e por aí vai. Sim, os pais vão se preocupar, a noite será diferente, mas, é um momento só para os dois, pra conversarem amenidades, contar novidades, dividir sonhos bobos. Isso fortalece o relacionamento e é saudável. Então, enquanto seu pequeno for um serzinho que precisa de você para única e exclusivamente TUDO, aproveite! Vai passar... Ele vai crescer, vai se tornar menos dependente, e a vida social e de casal volta com tudo! Ok, não quer esperar a cria fazer dez anos de idade crescer um tantinho pra poder dar umas escapadas? Use da criatividade que toda mãe tem! Dê um jeitinho, você é esperta. Arrume a mesa bem bonita, arranje umas velas, tome um banho enquanto o filho dorme, dê uma chance pro delivery da pizzaria e pronto: um jantar charmoso em casa, com o maridão! Pensa ele chegando do trabalho e vendo a mesa feita, uma comida diferente, o herdeiro no terceiro sonho e a esposa só pra ele?! Só tome os devidos cuidados pra não arrumar um segundinho, ok?! E se o bebê acordar no meio do jantar? Não se martirize, não se entristeça... Pense que ao menos alguns minutinhos foram bem aproveitados com o querido, e saiba: esses minutinhos são o suficiente pra não deixar o tédio tomar conta do relacionamento, certo?!

- Abra espaço um para o outro: quando os filhos nascem, principalmente o primeiro, os pais entram num transe total de encantamento que pode acabar anulando o dito ou dita cuja. O nascimento de um filho é algo especial. É lindo sim e esse encantamento é puro e saudável. Mas tem felicidade pra todo mundo não é, gente?! Sempre observem e avaliem se estão cuidando só do bebê ou um do outro também. Dividam as tarefas de casa, os cuidados com o pimpolho, as conversas, as descobertas desse mundo novo. Renovem os votos de amizade e companheirismo! Afinal, é um momento diferente de tudo que já viveram, e, melhor serem dois do que um! Saber que não está sozinho enche o coração de alegria e faz os olhos brilharem pelo amado ou amada, né?! Ponto pro relacionamento.

- Organizar o tempo: parece chatice, mas isso faz um bem danado! Sério, mesmo que seja preciso criar uma planilha de horários e tudo o mais, ajudará muito. A falta de organização acarreta em falta de momentos de prazer, que pode ser entendido como falta de bons momentos de marido e mulher. A pessoa fica tão bagunçada com as responsabilidades, que não consegue encontrar o momento de sentar e relaxar. Sim! É possível sentar e relaxar quando se tem recém nascido, filho pequeno, filho grande casa pra cuidar, trabalho, marido, louça na pia, cachorro gato papagaio, guerra no Iraque. Com os horários organizados, é muito aceitável sentar e relaxar assistindo um filme, batendo um papo, tomando um café com o marido ou a esposa. Separe tempo para cada tarefa, remaneje o que for preciso, delegue o que for possível, desfaça-se de tarefas desnecessárias, organize as atividades de acordo com o tempo que você geralmente gasta para cada coisa, compre uma agenda e seja feliz! Dona do seu tempo. Aí, fazendo sua lista de responsabilidades e tarefas a cumprir, inclua momentos a sós com seu cônjuge. Lembre-se: você manda no seu tempo, não o contrário. Lembre-se (2): ninguém aqui está dizendo que é fácil, mas é possível! Lembre-se (3 e o mais importante!): são os filhos que entram na rotina do casal, não os pais que entram na rotina dos filhos! E não fique aí pensando ‘ai, que vida chata, rotineira, tempo programado pra tudo, tudo planejado, sem imprevisto e mimimi’... A maternidade é pura aventura! A vida em Família é pura aventura. Deixe os imprevistos e improváveis fazerem o trabalho deles tranquilos, eles o farão. Certeza.

- Pensamento minimalista: nessa hora, amigos, menos é mais! Como já dito, é só um momento. Esse furacão vai passar e dia após dia tudo fica mais fácil. Enquanto esse momento não chega, encare as coisas com mais naturalidade, paciência, tolerância e simplicidade. Não deu pra dormir de conchinha essa noite porque o bebê surtou não passou bem e tomou conta de todo o momento de sono dos pais? Amanhã é outro dia. Não deu pra fazer aquela viagem de final de semana porque não havia com quem deixar os filhotes dois dias inteiros? Providencia uma tarde inteira, é mais fácil e tão gostoso quanto. Sejam simples e criativos.

- Aah, os detalhes!: eles fazem TODA diferença. Não é só com saidinhas, jantarzinhos e extravagâncias que se demonstra amor, certo? Maridos, cheguem em casa com uma flor! Elogiem suas esposas, mesmo que quando chegarem em casa elas estejam descabeladas, com olheiras, sem banho, sem salto, sem paciência um pouco desorganizadas física, social e emocionalmente. Ofereçam ajuda com a criança, telefonem ao longo do dia pra saber se está tudo bem, deem a deliciosa notícia de que o jantar é por conta de vocês uma noite, estimulem suas esposas a deixarem o baby com vocês uma tarde todinha de sábado, para a mamães poderem ir fofocar cuidar de si num salão de beleza, façam surpresinhas divertidas. Nenhuma dessas dicas é difícil de realizar e, demonstram o quanto vocês permanecem maridos, cuidadosos, apaixonados, prestativos e carinhosos, mesmo com a prole na área. Esposas... eu sei eu sei eu sei que o bebê é lindo, que é cheiroso, que é um amor diferente, que é um cuidado especial... Mas, não esqueçam que o maridão faz parte! Estabelecendo prioridades é possível dar atenção pra todo mundo na hora certa! Mães são tão requisitadas, né? Um luxo, gente! Tem que ficar feliz e saber aproveitar isso. Deixe um bilhetinho na carteira do marido, dizendo o quanto ele é importante pra você. Mande um torpedo ao longo do dia só pra dizer ‘oi’, elogie o empenho dele em dar banho no pequeno! Afinal, sabem como é, homens têm menos habilidades desse tipo, né?! são mais práticos e menos delicados que as mulheres.

- Amor é decisão: ué? Uma Psicóloga dizendo isso? Que horror! não estranhe, é isso mesmo. Amar alguém exige uma tomada de decisão. Amor é atitude. Quando se decide amar alguém, toma-se pra si a responsabilidade de investir tudo o que for preciso pra que esse relacionamento resulte na felicidade e bem estar do outro. Você decidiu amar teu maridão? Decidiu amar a mulher da tua vida? Pois banque essa responsabilidade e encha a vida da pessoa de alegria, através de companheirismo, respeito, cuidado e carinho.

Para quem aguentou ler chegou até aqui, uma última dica e por favor, não queiram me matar: por mais incrível, lindo e especial que teu filho seja, ele não é sua propriedade. Você se imagina bem velhinha (o), cabelinho branco, sentada (o) num balanço e tomando um chazinho com seu marido, sua esposa, ou seus filhos? Pois é. Os filhos crescem e tomam seu próprio rumo. Invista em seu casamento. Ele é a base que seu filho precisa para crescer feliz.

 

Talita Guedes Bittioli, psicóloga graduada pela Universidade Metodista de São Paulo, com extensão na abordagem Fenomenológico-Existencial. Palestrante em Escolas sobre diversos temas relacionados ao contexto Infantil, para pais e alunos. Ainda não é mãe, mas já é apaixonada pela maternidade e principalmente pela Família.

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