Por: Ilana

Acabei de passar por um momento de grande incômodo, e vejo que tem muita gente que sofre com isso diariamente, então resolvi escrever essa cartilha sobre o uso da palavra mãe. Sintam-se à vontade para acrescentar itens e divulgar nos lugares que forem necessários.

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Mãe não é pronome de tratamento. Nunca, jamais, em nenhuma situação.

Lógico, como toda regra, há uma excessão. No caso, se você for meu filho, eu não só não vou me incomodar como vou gostar muito de ser chamada de mãe, mamãe, ou mamãããããããe.

Outras formas de se referir a mim como mãe também são aceitáveis:

- Se você estiver conversando com meu filho a meu respeito ou me invocando: "Rapha, vamos mostrar esse desenho pra mamãe (ou pra sua mãe)?"

- Se você estiver conversando com outra pessoa cuja referência em comum for meu filho, e mãe for um adjetivo que fará a pessoa saber quem eu sou: "Você conhece a Ilana, a mãe do Raphael, aquela pessoa super simpática, meiga e fofa?"

Hummm, acho que acaba por aí.

"Ah, mas e se eu trabalho em algum lugar com muitas crianças e mães, como uma escola, um clube, um hospital ou maternidade, um curso de judô/ballet/natação/artes/música, buffet infantil, recreação, etc?"

Sabe o que você pode fazer?

Perguntar o nome. É incrível como funciona! E o melhor disso é que quando você pergunta e chama as pessoas pelo nome - e não pelo genérico mãe - apenas uma irá te responder.

Eu tenho sempre o maior prazer em responder: "Meu nome é Ilana. I-la-na. Não, não tem H. Não, nem Y. É, com I mesmo. Não, pelamordedeus, sem R entre o I e o L. Isso, I-la-na, assim mesmo." Sério. Mil vezes repetir trezentas vezes meu nome, que não é lá muito comum, que ser chamada de mãe.

"Ah, mas eu tenho que falar com uma monte de mulheres, todas elas mães. Não tem como decorar o nome de todas."

Problema seu!

Nesse caso, outros pronomes de tratamento podem ser usados.

1. Você, por exemplo, é ótimo. Generalista, pessoal, informal, funciona para todo mundo. Recomendo!

2. Se a situação exigir um tratamento um pouco mais formal, pode usar o senhora. Não tenha medo. Não irei pensar que você está me chamando de velha-acabada-precisando-de-um-lifting-pra-ontem. Apenas vou entender que a sua mãe te deu educação suficiente para reconhecer o momento e saber utilizar o pronome adequadamente. E vou correndo marcar consulta no dermatologista.

3. Ei, oi, psiu, você aí. Só são admissíveis em último caso. Do tipo emergências mesmo, quando você está no parquinho com seu filho, piscou por 2 segundos e ele enfiou uma pá de areia na boca. É de bom grado avisar, mesmo não sabendo o nome da pessoa-mãe em questão.

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Ok? Entenderam? Ninguém (que não seja filho meu) nunca mais na vida irá me chamar de mãe?

Se você tem mais alguma sugestão de como não usar essa palavra, pode deixar aí nos comentários.

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(Porque ser chamada de mãe pelo segurança-de-terno-e-gravata-e-cara-de-poucos-amigos na porta da escola ninguém merece!)

 

Ilana - Autora do blog: 1 + 1 são três - Mãe do Raphael e grávida de outro garotinho. Mulher do André. Filha, irmã, amiga. Psicóloga e psicanalista. Dona de casa que trabalha. Dona do Chicão. Sou tantas coisas, e ao mesmo tempo nenhuma delas me define...