Por: Bia
Esta semana foi pesada. Uma mãe que conheço e admiro está sofrendo muito, com o maior mal que temos em nossa sociedade hoje: o crack.
Fiquei triste, chorei, tentei ajudar. Mas o que mais me impressionou foi o quanto isso me fez pensar, pensar no que mais eu posso fazer pelo Arthur, pensar que nem sempre o amor e o carinho bastam, que os valores são importantes, e que todo o esforço que eu possa fazer para privá-lo de todo e qualquer sofrimento será pouco, muito pouco.
Quero que ele brinque na terra, colha frutas do pé, que tenha suas cicatrizes para mostrar a seus filhos e seja como meu avô, que foi criança até ir embora aos 80 anos.
Quero que ele mame até quando quiser. E que nunca deixe de pedir colo, seja com 5,10,15 ou 40 anos. E sinta que tem em seu lar toda a segurança que precisa.
Quero que ele brinque de casinha, que seja o papai, que brinque de comidinha, e que seja um bom cozinheiro e um bom pai como o que eu escolhi para ele.
Quero que ele nunca se sinta frustrado por não ter feito algo, por não ter dito eu te amo, por não ter abraçado quem quer que seja.
Quero que ele tenha amigos, mas que saiba que às vezes a gente precisa entender que até o melhor amigo tem sim seus defeitos, e que não temos o direito de mudar ninguém, e sim o dever de aprender a conviver com as diferenças e tirar o melhor de cada cilada, de cada mancada, de cada bolo, de cada pedido de pazes.
Eu quero que Arthur se relacione bem com as pessoas, não seja um homem de pré-conceitos, e que não se sinta envergonhado por chorar ou pedir desculpas.
Quero que ele saiba perdoar, que saiba que independente do tombo, a gente sempre pode levantar e tentar de novo, e que tudo na vida passa, inclusive o que é bom.
Quero que ele saiba que família é para sempre, e que sempre estarei aqui, nos momentos bons e ruins.
Quero que ele saiba que dizer eu te amo é bom, mas sentir é melhor ainda, e que nem sempre conseguimos mensurar em palavras o sentimento, por isso é que eu o abraço tanto, o beijo tanto, e é por isso que escrevo aqui… Para que um dia Arthur saiba que a vida é como uma roda gigante, em um momento estamos em cima, em outro estamos embaixo, mas a aventura é maravilhosa, de contemplação e é preciso estar lá para sentir e participar, o que significa ser humano, amar e viver, sentir e sonhar.
E se mesmo assim o destino nos pregar uma peça dessas, que eu saiba o que fazer.
post originalmente publicado em Novembro/2010
Bia - Eu sou a Bianca, mas aqui em casa todos me chamam de Bia. Sou gaúcha, nutricionista, empresária, esposa do JR e desde o dia 10 de Abril comecei no meu papel mais novo e mais importante: sou a mãe do Arthur! Autora do blog "Bula da Bia"







