Por: Daniela Salles

Quando a Flávia me mandou um email perguntando se eu poderia escrever um post sobre dicas de passeios diferentes em Nova York, fiquei animada com a perspectiva de um projeto tão simples; logo pensei: “será facílimo escrever sobre isso! Afinal, esse é o meu dia a dia”. Engano meu: estou há dias tentando encontrar a melhor forma de começar este post, assim como evitar escrever uma a Biblia aqui. São tantas, mas tantas coisas que esta cidade oferece, que fica difícil resumir. O intuito deste post é realmente fugir do óbvio. Portanto, se não há menções de visitas à Estátua da Liberdade ou à vista do Empire State Building, é porque já existem milhares de guias turísticos que descrevem isso muito melhor do que eu jamais faria. A ideia aqui é, simplesmente, repassar algumas coisas que meus filhos e eu, como moradores desta cidade maravilhosa, gostamos de fazer. Vou dividir em temas, assim fica mais fácil de organizar.

Estações:

A cidade muda completamente de uma estação para outra, assim como as nossas saídas. Pessoalmente, acho que primavera e outono são as melhores épocas do ano para visitar Nova York. As temperaturas são agradáveis e a cidade fica deslumbrante com as cores das árvores. Na primavera, todas as cerejeiras estão floridas e flores variadas podem ser encontradas em qualquer canto da cidade. No outono, principalmente nas primeiras semanas, as folhas vão tomando uns tons avermelhados, com laranjas e amarelos lindos, e a cidade começa a se preparar para a chegada das festas. O inverno é muito frio e o verão muito quente. Porém, como falei no início, a gente vai se adaptando e sempre existem programas para qualquer momento do ano.

Transporte:

Em Nova York, anda-se muito à pé. Aliás, sempre que possível, eu acho que essa é uma das melhores opções, pois dá para descobrir e ver várias coisas que não se apresentariam num passeio de carro, ônibus ou metrô. Os meus filhos adoram andar na rua comigo, mas eles se cansam muito rápido. Então, se for vir com crianças de até 4 ou 5 anos de idade, eu aconselharia trazer um carrinho para eles. Para longas distâncias, táxis são baratos e fáceis de achar. O metrô, apesar de muito sujo, funciona bem e, muitas vezes é até mais rápido que táxi, além de ser sempre uma aventura para as crianças. Os ônibus são mais agradáveis que o metrô, mas tendem a ser muito lentos, uma vez que param a cada dois ou três quarteirões.

Bicicleta é uma outra opção legal. Nos últimos anos, a prefeitura tem feito um bom trabalho de aumentar pistas para ciclistas em toda a cidade.

Central Park:

Faz parte do óbvio, mas não dá para fugir. É simplesmente lindo e dentro do parque exitem várias atrações.

Imagem: http://well.blogs.nytimes.com

  • Se o tempo estiver bom, faça um piquenique num dos vários gramados do parque e leve as crianças para se refrescarem nos jogos com água e brincarem num playground. Têm vários espalhados pelo parque inteiro e para diferentes idades. Aqui você pode encontrar o mapa do parque.
  • O zoológico é uma graça. Apesar de pequeno, as crianças adoram e é muito tranquilo. Portanto, é uma mais boa opção para fugir um pouco do barulho da cidade. Não deixe de esperar pelo toque do relógio Delacorte, que fica na entrada do zoológico. A cada meia hora, os animais de bronze vão girando ao som de alguma melodia infantil conhecida.
  • Alugue uma bicicleta para dar a volta inteira do parque (isto ainda está na minha lista de coisas a fazer, mas quem já fez adorou); ou faça um passeio com um dos ciclistas que ficam na entrada. Não aconselho fazer o passeio de charrete, pois os cavalos nem sempre são bem tratados.
  • Se for inverno, leve as crianças para patinar no Wollman Rink. Embaixo das árvores, com vista da cidade, é muito bonito. Tem uma outra pista de patinação sobre gelo que fica no meio da cidade: o Citi Pond at Bryant Park. É um abiente diferente, mais urbano, mas também muito bacana.
Teatros:

Como meus filhos são pequenos ainda, tento fugir dos shows da Broadway. E são tantas opções que não dá para assistir tudo.

  • New Victory Theatre - na minha opinião, um dos melhores teatros infantis da cidade. A programação é variada, de ótima qualidade e muito original.
  • Adoramos puppet shows (teatro de marionetes). Dentro do Central Park tem-se o Swedish Cottage Marionette Theatre. O lugar é uma graça, com marionetes feitas à mão e apresentadas em shows muito bem montados, em geral. No Brooklyn tem um outro lugar que gosto muito chamado Puppetworks. Eles só apresentam histórias clássicas da literatura infantil e continuam reutilizando as mesmas marionetes ano após ano: algumas já têm mais de trinta anos e são lindas. Elas ficam todas expostas no teatrinho. O lugar é bem simples, mas vale realmente a pena.
Passeios:
  • Chelsea: The High Line: o novo parque suspenso de Nova York. Foi construído sobre os velhos trilhos de trem que ficavam numa estrutura de ferro elevada, abandonada há anos. Ficou absolutamente maravilhoso, com uma vista linda de Manhattan. Acho que é um dos melhores exemplos atuais de projetos de reurbanização de uma área morta da cidade. Aproveite para dar uma volta no Chelsea Market. Você encontrará restaurantes, mercadinhos bacanas, lojas, uma ótima livraria (Posman books) e um dos melhores sorvetes da cidade, no L'Arte del Gelato. E não deixe de conferir a programação das galerias de arte da região. As melhores do mundo estão reunidas no Chelsea, representando os artistas mais importantes. E, como sempre gosto de dizer, a entrada é de graça, então por quê não aproveitar?
  • Lower East Side: um dos lugares mais legais do momento. Por enquanto, o bairro que permanece "low-profile", mas isso está mudando rápido, entrando na moda, digamos. Está cheio de lojas simpáticas, restaurantes e cafés bacanas. Eu fico fascinada com a variedade de opções toda vez que vou até lá. Recentemente, virei fã de uma livraria que ainda tem cara de livraria de bairro, do jeito que eu gosto, chamada McNally Jackson. A seleção de livros infantis é fantástica e eles organizam várias atividades para crianças durante a semana (storytime, manualidades, etc).
  • Williamsburg: bairro do Brooklyn que ficou super trendy nos últimos anos. Escrevi um post sobre um passeio que fiz por lá, alguns meses atrás, e achei o lugar muito interessante. Para almoçar ou jantar, tem a famosa churrascaria Peter Luger que está no mesmo lugar desde 1887. Quando levei meu filho de 4 anos (que adorou), inventei que era o restaurante onde os piratas comiam (o lugar tem cara mesmo de lugar que poderia ter sido frenquentado por piratas) e desde então ficou conhecido aqui em casa como tal.
  • Park Slope: bairro residencial do Brooklyn, com ruas arborizadas, típicas townhouses e parques bonitos. O Puppetwork, que citei acima, está localizado nessa região. Pertinho está também o Brooklyn Botanic Garden, que vale muito a pena visitar na primavera, quando as cerejeiras estiverem brotando.
  • Ainda no Brooklyn, mas numa outra região chamada DUMBO, que fica embaixo da Brooklyn Bridge, tem-se o Jane's Carousel. O carrossel é de 1922, mas foi totalmente restaurado e colocado dentro de uma estrutura de vidro projetada pelo famoso arquiteto francês Jean Nouvel. Ainda não consegui levar os meus filhos, mas dizem que a é uma visita imperdível.
  • Upper West Side: andar pela beirada do rio Hudson é uma delícia. Se for de bicicleta, dá até para dar a volta da ilha toda ou pelo menos chegar até a ponta (Battery Park). Também ao longo do rio, fica um dos parques mais charmosos da cidade: o Riverside Park. O parque foi bem planejado e é muito bem cuidado. Ele é florido, arborizado, tem vários playgrounds legais para as crianças e oferece também muitas atividades para os jovens durante as férias escolares.
  • Grand Central Terminal - como meus filhos gostam muito de trens e não moramos muito longe da estação, faz parte dos nossos passeios habituais. Dentro da estação, tem um mercado lindo, com produtos de ótima qualidade e várias lojas, dentre elas uma loja de brinquedos muito charmosa (Kidding Around) e a mesma livraria que está no Chelsea Market (Posman Books). Existe também um anexo do Museu do transporte de NY (MTA - Transit Museum), onde sempre tem alguma exposição pequena. A pintura do teto do saguão principal da estação é uma das atrações principais do lugar.
Museus:

Fora os óbvios, existem algumas opções diferentes para os pequenos.

  • Material lab do Moma - espaço interativo para as crianças
  • Children’s Museum of Manhattan - museu interativo para crianças. Parece mais um indoor playgound. É uma ótima opção para os dias de chuva, porém fica lotado.
  • Children’s Museum of the Arts – recentemente inaugurado, este museu ganhou um novo espaço bem maior e melhor que o antigo. Oferece várias atividades e aulas (algumas avulsas) para crianças de todas as idades.
  • Whitney Museum - eles oferecem vários tours especialmente para famílias. Em geral, são organizados por faixa etária das crianças.
  • Metropolitan Museum – também oferece uns programas para famílias.

 

Outras fontes: Uso regularmente algumas fontes para saber o que está acontecendo em Nova York (com ou sem crianças). Se estiver planejando uma viagem pra cá, com os pequenos, não deixe de conferir, pois estes sites sempre têm dicas bem valiosas:

  • Mommy Poppins - site/blog de mães super antenadas que sabem tudo o que está rolando na cidade (assim como em outras do país)
  • NY with Kids - blog da Paula Homor sobre dicas, em português, sobre qualquer coisa relacionada com criança (atividades, roupa, restaurantes, etc)
  • NY Local Guides - guias turísticos, em português, editados por quatro brasileiras que moram há anos em NY e sabem absolutamente tudo sobre tudo nesta cidade.
  • Existem diferentes guias que oferecem idéias de tours para serem feitos à pé que acho bem legais. Eu tenho este, e já usei algumas vezes para ter idéias de passeios diferentes para fazer com os meus filhos.

 

Espero que tenham gostado das minhas dicas e que lhes sejam úteis para a próxima visita à Nova York. Bom passeio!
 
Daniela Salles, autora do blog Strolling Around... onde escreve sobre atividades para fazer com (ou sem) criancas e algumas outras coisas interessantes na sua vida novaiorquina, como mãe de dois meninos.