Por: Bruno Bonfim

No sofá, Naty, o bebê (ainda no forno) Nicolas e eu, todos tristes com o final de carnaval, e mais tristes ainda por ouvir a vinheta do Fantástico, que significa “seu domingão já era... segunda-feira esta aí!”. rsrs.

Na introdução do programa, eles apresentam uma nova série chamada “Quem é meu pai?” que me chamou a atenção de imediato, aguardei então para assistir na íntegra a matéria. O apresentador diz, “que peso o nome do pai tem na história de uma pessoa? E que falta esse nome faz?”, em breve, voltaremos nessas questões.

Tenho o privilégio de conhecer meu pai, e digo privilégio porque descobri que mais de 3,5 milhões de alunos brasileiros não têm o nome de pai nas certidões de nascimento. Uma lacuna que pode afetar toda uma vida, toda a estrutura de um sujeito. Um ideal de pai, uma sombra de alguém, que por diversos motivos, acabou não reconhecendo seu filho.

É triste saber que algo tão básico (no sentido familiar) afeta tantas pessoas em nosso país. Não estou falando sobre a função paterna, que pode ser desenvolvida por outro que não seja o pai biológico, falo sobre a função de pai biológico, aquele que promoveu seu nascimento, que ajudou a te dar a vida.

Viver com essa lacuna pode ser desgastante, e mais difícil ainda são as diversas maneiras que o sujeito pode lidar com essa situação: “Nunca me procurou, então nunca o procurarei”; “Ele me deve perdão”; “Eu tenho certeza que ele deve ter alguma explicação para isso ter acontecido”; entre outras variações.

Um dos entrevistados diz “... meu pai não me deve desculpas”, sabe qual foi a primeira frase que o pai recém encontrado disse? “Perdoa-me filho”.

Se para o filho a situação é complicada, imagine para o pai, ao ver seu filho um homem feito, “bem-sucedido” socialmente, casado, com filhos, saúde, resolvido sexualmente, financeiramente, afetivamente, um exemplo de pai que ele nunca foi. Criado por outro, criado pela vida, criado por todos que não possuem essa obrigação paterna. Ser pai de um filho que nunca conheceu, ou soube de sua existência. É como ser rei sem coroa, voar sem asas, desfrutar de algo que nunca se teve e que o tempo já se encarregou de tirar uma segunda chance.

Enquanto via o fim da matéria, não me envergonho de dizer que meus olhos encheram de lágrimas, pois por mais difícil que possa ser a paternidade é algo que estou orgulhosamente disposto a encarar, e esse “peso do nome do pai” ou a “falta que este nome faz na vida de uma pessoa” são problemas que meu filho não precisará se preocupar, claro que ele tendo um pai presente, aparecem outros problemas... rs. Mas isso é assunto para um outro texto.

 

Agradeço a oportunidade de escrever para o Portal MMqD, e continuem acompanhando meus textos de papai babão lá no www.aventurapaterna.com.br

 

Fonte da matéria: http://fantastico.globo.com/videos/t/edicoes/v/serie-quem-e-meu-pai-conta-historia-de-filhos-que-lutam-por-reconhecimento-paterno/1830889/

 

Bruno Bonfim - Nerd, comunicador e marinheiro de primeira viagem! Deixou de ser filho para se tornar PAI. E escreve sobre essa nova fase da sua vida no blog: Aventura Paterna