Por: Milene (Diiirce)
Então me tornei mãe. Parei de trabalhar faltando menos de 15 dias para eu ganhar meu bebê. Disse que voltaria em 2 meses. E voltei: trabalhei 2 semanas e desisti. Eu queria curtir a plenitude da maternidade. Fechei meu pequeno negócio sem dar maiores satisfações.
Pensei que quando meu pequeno completasse 1 ano, eu voltaria à ativa. Mas eu já queria engatilhar um filho atrás do outro, então optei por dar um tempo na vida profissional em prol do desenvolvimento da prole.
Para uma pessoa que já assumiu diversos cargos na vida, como eu, foi estranho estar sem uma profissão. Ainda que esporadicamente eu realize alguns trabalhos freelance, “nada do que foi será do jeito que já foi um dia”.
Até que certa vez, num cadastro qualquer, me perguntaram sobre meu trabalho e eu, do nada, disse “sou dona de casa”.
Meu mundo caiu! Um precipício se abriu bem na frente dos meus pés… Já posso me jogar?
Mas eu não parei de trabalhar para cuidar da casa, parei? Parei pelos filhos, cuidar da casa foi uma consequência. Então, no caso, sou uma mom@home, em tradução/adaptação livre, uma mãe em tempo integral.
O caso é que ser dona de casa, atualmente, é algo degradante. Não pelo ofício em si, mas pela conotação. Dona de casa nos remete ao mundinho da limpeza e da cozinha, às futilidades da TV durante à tarde, à conversa de vizinhas. No entanto, não é bem assim que a coisa funciona.
A prioridade aqui meu filho: primeiro o desenvolvimento e a alegria dele, depois a organização e a limpeza da casa. Ok, meu lado neura fala mais alto com frequência, mas tento balancear as coisas. Assim como tento balancear a alimentação da família, buscando novas receitas, novas apresentações do mesmo alimento (geralmente sem sucesso). E quando, enfim, o cochilo da tarde chega para ele, é hora de por o QG em ordem para começar tudo de novo: brinquedos vão se espalhando enquanto o jantar fica pronto, ou então convido um ajudante para auxiliar bagunçar na cozinha.
A faxina eu tercerizei: barriga + filho + marido + casa com quintal = muita coisa para dar conta! Mas só quem sabe cuidar da casa pode gerir uma faxineira com eficácia.
Enfim: administrar educação, desenvolvimento infantil, cozinha, faxina, organização, agenda da família, cardápio, vida conjugal AND vida social – não necessariamente nesta ordem –, dá um pouco mais de trabalho do que sugere o esteriótipo dona de casa.
Dona DA casa, sim. Dona de casa, jamais. Sou mãe profissional em tempo integral!
Milene é diiirce, aquela sacola. Já foi de tudo um pouco, mas atualmente é dona da casa, blogueira e mãe (graduada em quatro gestações, pós-graduada com um filho de três anos e aguardando a chegada de mais um diploma, digo, filho/a), . Escreve sobre seu universo materno-doméstico no seu blog www.diiirce.com.br, é colunista do www.testdrivemami.com e também desabafa no www.loucuramaterna.blogspot.com.







