Eu tenho essa coisa boboca de confiar que “a vida dá um jeito”. Sempre acho que as coisas acabam tomando um rumo e se resolvendo sozinhas, mesmo que a gente não faça grandes coisas pra ajudar. Seria a receita para o fracasso completo em todas as esferas da vida, eu sei. O que me salva é que eu sou sortuda. Certeza que nasci com a bundinha branca virada para a lua, porque em geral a vida realmente dá um jeito, por incrível que pareça. Então eu sigo com esse estilo meio ingênuo, meio bicho-preguiça, meio picareta de ir tocando a vida e deixar que as coisas se arrumem como num passe de mágica (ei, isto NÃO é um conselho!).
Vejamos um exemplo.
Lá ia eu, 27 anos, recém-casada, meio moleca, perdidinha profissionalmente mas confiando na minha bundinha enluarada e na velha máxima do “calma que a vida dá um jeito”.
Então veio aquele positivo inacreditável. Às seis da manhã de um sábado eu mirei um palitinho todo xixizado e soube que a minha vida estava dando um duplo-twist-carpado rumo ao desconhecido mundo da maternidade. Medo, pânico, sudorese, hiperventilação. Mas vambora que a vida dá um jeito, é ou não é?
De lá pra cá uma porção de anos se passou. Eu pari uma garotinha amalucada, depois um molequinho pilantra. Daquele sábado até agora eu virei mãe, virei a minha própria mãe, virei uma mãe chata, uma mãe amiga, uma mãe despreparada, expert, paciente, histérica, depressiva, empolgada. Virei uma mãe blogueira. E o nascimento do meu blog foi quase tão decisivo e transformador para mim quanto o nascimento dos meus filhos.
Porque você escreve o seu blog só para ter o registro, sem a menor pretensão de ser lida, mas um dia alguém comenta (sua mãe). No outro dia, é a sua amiga. No outro, uma amiga grávida da sua amiga. Um belo dia, você se dá conta de que já não sabe mais quem são aquelas pessoas que estão te incentivando, dando dicas ou rindo das gracinhas do seu bebê. Aí você vai lá conhecer outros blogs, e antes que possa se dar conta está incentivando Fulana, dando dicas para Sicrana e rindo das gracinhas do filho da Beltrana.
Pimba!
A tal “blogosfera materna” te pegou, amiga. Te agarrou com força, feito abraço de mãe. Por causa dela você vai ganhar um milhão de amigos, vai aprender e ensinar um monte, vai questionar a mãe que você é e ter mais clareza da mãe que quer ser. Vai passar por alguns estresses, se cobrar, achar que não vai dar conta, vai gargalhar, chorar, se posicionar, se mobilizar, ficar de saco cheio, marcar encontros com quem está mais perto e ter saudade de gente que você nunca viu. Também vai cansar de explicar que aquela amiga de quem você fala sempre é alguém que você nunca encontrou pessoalmente (e talvez você seja meio incompreendida. Pra quem está fora, é difícil dimensionar os vínculos que a gente cria quando entra de cabeça em uma comunidade virtual. Mas eles existem. Flávia e Roberta, por exemplo, nunca se viram na vida. Alguém duvida que elas são amigas de verdade?).
Agora, se você tiver muita sorte, como eu, a blogosfera ainda vai te trazer mais uma coisa: um rumo. Uma ocupação, uma atividade. Uma profissão, por que não?
Eu, aos 32 mas ainda perdidinha de tudo, sem saber se prestava concurso público, fazia outra faculdade ou comprava uma bicicleta, encontrei um rumo no momento em que recebi um e-mail das duas mocinhas mencionadas ali em cima. Uma delas eu nunca vi (mas sempre amei, rá!). Conversamos um bocado nos últimos anos, conversas virtuais cheias de gargalhadas e planos de bebedeiras intercontinentais. A outra, tive o prazer de visitar durante umas férias lá em 2009, ocasião em que botamos nossos filhos brincando peladinhos em uma piscininha de plástico. Faz uma bela feijoada, essa moça.
Mas eu falava que filhos, blog, blogosfera e essas duas mocinhas me deram um novo rumo. Que pode não ser O Rumo de toda uma existência, mas é o que me basta, aqui e agora, para a vida seguir numa boa.

À Flávia e Roberta: obrigada pelo convite e pela confiança, suas queridas! Espero honrar o compromisso.
Às leitoras: Ai, gente. Tô insegura, tô nelvosa, tô ainda por cima cobrindo as féria da Ro, tarefa ingrata pra caraca. Me aceitem como sou?
***
Aproveitando o momento, deixa eu mostrar serviço pra impressionar as patroa.
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(Moças já cadastradas: todos os e-mails não assinados eram meus, tá? É que eu estava toda trabalhada na identidade secreta...)
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