Por: Ananda

Enquanto muitas mulheres largam tudo para ficar em casa com os filhos eu estou no caminho inverso. Oi, meu nome é Ananda, tenho 22 anos, um bebê de 6 meses e sou workaholic.

Quando descobri minha gravidez eu morava em Londres, estudava inglês de manhã e trabalhava de tarde como gerente de marketing em uma agência de imigração. Acabou que pedi demissão, terminei meu curso e voltei para o Brasil para ter o Vítor perto da minha família.

Até tentei arrumar alguma atividade quando cheguei, mas não consegui nada. Parecia que a gravidez era problema até mesmo para cobrir férias de outros funcionários. Tentei desencanar e curtir o barrigão, no fim das contas foi melhor assim.

Descansei, arrumei fotos, cataloguei arquivos digitais, olhei todas as temporadas de Friends pela milésima vez e esperei. Curti minhas mini-férias até que o Vítor nasceu. Daí o resumo dos primeiros meses dele eu nem preciso contar, né?! Ciclo de fraldas, mamadas, cólicas, choros e o kit all inclusive.

A fase inicial passou e eu comecei a sentir saudade de trabalhar. Vi que ficar o dia inteiro em casa com meu filho era bom, mas não exatamente o que eu desejava. Queria ver gente, falar sobre outros assuntos, trabalhar em projetos além da maternidade. Estava na hora de procurar um emprego.

E foi o que eu fiz, comecei a correr atrás. Mandei alguns currículos e falei com amigos e conhecidos. Resultado: não só consegui um emprego fixo, mas também engatei um freela permanente.
Então desde setembro é assim: manhã na agência onde faço freela, tarde no jornal. Chego em casa só às 8 da noite. Toda responsabilidade de levar e buscar o baby na escolinha fica com o pai. Sem falar nos demais cuidados do fim da tarde, como alimentação e sono.

Claro que tem dias que chego em casa decidida a largar tudo e dedicar mais tempo ao meu filho. Assim como tem vezes que chego animada com algum projeto novo ou com uma reportagem que fiz e renovo meu votos com a profissão que escolhi. Mãe é uma montanha russa de emoções e comigo não é diferente.

No entanto, o que me anima a continuar é a possibilidade de me (re) descobrir profissionalmente e o apoio familiar. Sei que é um processo de adaptação e saber que meu filho está sendo bem cuidado, mesmo que não por mim, me deixa tranquila para seguir em frente. Além disso, ele acaba tendo momentos exclusivos com o pai, o que considero muito importante. No final de semana eu garanto o grude materno. E assim vamos indo. Até tudo mudar novamente.

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Ananda era um projeto de jornalista que virou um projeto de mãe. Agora tenta conciliar os dois papéis. Uma história sem cortes e com muito drama, pois se não tivesse drama não seria uma história de mãe. Autora do blog projeto de mãe