Por: Nádia
Minha filha adormece e dorme ao seu lado a mãe em mim. Um sono sereno como já não se vê nos adultos e eu reaprendo a dormir assim, fácil, a qualquer hora, em qualquer colo, sossegada e serena. Mas, quando minha filha dorme e com ela a mãe em mim, aí eu acordo!
Eu acordo pra ser aquela outra que não era inteira, mas tinha todo tempo do mundo pra ser pela metade. Aquela outra que vivia numa liberdade egocêntrica, mas, enfim, resolveu amadurecer. E, ao ceder espaço para a maternidade, vive agora na saudade de si mesma.
A realidade é muito menos dura do que as minhas palavras descrevem, dá tempo de ser você quando uma mãe nasce! De madrugada quando a mãe dorme, quando a mãe já não encontra nada pra fazer, nada pra limpar, nada pra arrumar, nada que deveria estar de outro jeito no caso de uma emergência. Quando já deixou de ser poético olhar o bebê dormindo por mais alguns minutos e não dá pra cheirar ou beijar porque ela está dormindo, entendeu mãe, ela está dormindo! E a mãe em mim ainda alega que fica com saudade dela quando ela dorme muito, se eu deixar ela acorda a menina! Quando a mãe é vencida pelo cansaço dá pra acordar o resto em mim!
Eu acordo pra ser palavras, ler os livros que ficaram esquecidos, aquecer o coração e o corpo no colo do marido, pra ser internauta, psicóloga e outro dia consegui ficar acordada tanto tempo que deu pra madrugar no telefone filosofando com um amigo sobre tudo isso aqui escrito. A mãe em mim quando acordou e soube do acontecido começou a aceitar a possibilidade de me deixar ser inteira. Ela está quase convencida de que eu sou mãe e MUITO MAIS! Mas depois do papo cabeça, antes de dormir mesmo, eu fui até o berço e olhando o meu bebê tive um novo surto de generosidade e senti que , agora, tudo em mim é mãe!
Março-2008
Nádia - “Uma alma acima de tudo!” Filha, irmã, esposa, amiga, católica, educadora, psicóloga, junguiana, mãe e muito mais! Autora do blog e diário virtual Mãe e muito mais onde guarda para suas filhas as suas palavras e a sua história.





