Aviso: texto longo. Quem quiser ir direto ao sorteio, vá até o último parágrafo. Pela atenção, obrigada.
Por Roberta
Quando eu era pequena meu pai teve problemas com a polícia.
Não matou, nem roubou - o problema dele era ser um empreendedor obstinado e um tanto quanto inconsequente.
Bem resumidamente: ele passou semanas divulgando numa rádio local que uma onça havia fugido do zoológico, uma onça muito perigosa, pronta para ameaçar a paz da pequena cidade. Pode-se imaginar a repercussão de uma notícia dessas, numa época daquelas.
Passadas algumas semanas - deu na rádio - acharam a onça! O endereço é tal e tal. E dá-lhe o povo correr lá conhecer a tal da onça fujona. Chegando ao local, a população se depara com a bichinha já trancada dentro de uma jaula, e com seu capturador - que atendia pelo nome de meu pai.
Atrás da jaula, uma loja. Loja esta que estava sendo inaugurada naquele exato momento. E adivinhem por quem? Ele mesmo - o capturador de araque.
Foi tudo um plano, para atrair gente pra inauguração da loja.
Jogo baixíssimo, reconheço. Mas quem há de negar a genialidade por trás do golpe? E quem mais atrairia um público tão sedento para a inauguração de uma lojinha de malhas?
A onça foi levada para o zoológico, meu pai teve que se explicar à polícia e a loja ficou conhecida como a loja da onça. E vendia feito água.
***
Eu acredito que o que faz uma mãe optar em voltar a trabalhar fora, virar mãe em tempo integral ou seguir os caminhos do empreendedorismo são mais profundos do que nos fazem querer crer. Tão superficiais esses rótulos e explicacões que tentamos dar às coisas que não conseguimos compreender!
Se voltou a trabalhar, não liga pro filho. Se ficou em casa, é uma louca desocupada. Se abriu negócio próprio, é sustentada pelo marido.
A decisão de sair, ficar ou recomeçar envolve tantos, mas tantos fatores. Claro que alguém que já não gostava do que fazia profissionalmente, vai preferir "largar tudo" pra ficar com o filho. O que muitas vezes a pessoa não menciona (porque nem se dá conta!) é que isso nem foi assim uma tremeeeenda abdicação. Ela odiava o chefe, detestava suas funções diárias, abominava a conversa de corredor.
Daí eu parei pra pensar e encontrei os principais fatores que impulsionaram minha escolha pelo empreendedorismo:
- A total antipatia pelo mundo corporativo: isso não é algo que eu possa controlar, simplesmente me falta talento para entender as regras do jogo. Sempre falo o que não deveria ter falado, visto o que não deveria ter vestido, não me maquio o suficiente e acho o gerente um incansável puxa saco.
- A falta de talento específico: não canto, não desenho e bombei em física e matemática. Quando a pessoa nasce assim ela tem que rebolar (isso eu sei! isso eu sei!).
- A minha história com a minha mãe: que voltou a trabalhar quando eu tinha 2 meses. Fui terceirizada mesmo, babá desde sempre. De dia e de noite, já que minha mãe trabalhava e fazia faculdade. Não posso negar que, de alguma forma, me tornei uma pessoa mega independente e autônoma desde muito cedo, acho que por conta de tudo isso. Mas no meu inconsciente (é isso, amigas psicólogas?) sempre grita ABANDONO, ABANDONO, ABANDONO. Não sei se faz sentido pra vocês, mas eu sempre tenho a impressão de que meu filho está sendo abandonado. Isso faz parte da nossa história passada, que quase sempre tem reflexo sobre o que somos hoje (é isso, amigas psicólogas?). E só pra constar e pra que não sejam arremessadas pedras nas mães que trabalham fora: eu amo minha mãe mais que tudo nesse mundo e temos uma relação maravilhosa. Não me considero sequelada por ela ter trabalhado fora, apenas sigo o tal do ciclo da vida, que às vezes nos impulsiona a fazer justamente o contrário daquilo feito por nossos pais. Tenho amigas que trabalham 10 horas por dia e são excelentes mães. Chegou a hora de admitir: tem gente bem mais resolvida e equilibrada que eu por aí.
- A minha história com meu pai: tendo um pai que se mancomunou com zoológico e rádio, só pra pregar uma peça na população e bombar a inauguração da loja dele, eu tinha duas opções: morrer de vergonha do meu pai ou escutar essa história sempre com um sorriso no rosto e sonhar com o negócio próprio. Eu optei pela segunda e, com poucos anos de idade, vendia meus desenhos, cobrava entrada dos convidados da minha mãe e, aos 5 anos, raspava tijolo até virar pó, o qual eu vendia como blush. Para saber mais do tijolo que virou maquiagem dá um pulinho aqui.
- A minha personalidade "descompensada": eu até cheguei a trabalhar período integral depois de virar mãe. O problema é que eu não sou sábia o suficiente pra não exercer a regra da compensação. Por ficar longe o dia inteiro eu compensava como podia: deixava o rapaz fazer tudo o que queria, comprava um bocado de coisa desnecessária e não estava conseguindo ser a mãe que eu queria ser: uma mãe mais general, como eu sempre sonhei (psicólogas, ajudem!) Esse, aliás, o único apelo que faço às mães que trabalham o dia inteiro fora: é favor tentar não exercer o lance da compensação, que depois é a sociedade que paga por isso, colega!
- A minha relação com o dinheiro - não sou hippy, mas não tenho saco pra manicure (faço as unhas em casa) e não sou fã de shopping center. Tenho uma relação muito boa com o dinheiro porque eu bem sei o que é viver SEM ele. Mas porque isso é importante? Se você realmente tem muitos gastos e é louca por sapatos novos toda semana, o empreendedorismo talvez não seja pra você. Porque você pode até vir a ganhar rios de dinheiro, mas até lá seria prudente fechar a carteira. Seja sincera com você, pense o quanto essa redução nos gastos pode te afetar.
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Isso dito, antes de sair criticando a colega do lado, tenta escutar a história dela. O problema é que maquiamos demais nossa própria história de vida, nossos sentimentos e vontades. E dá-lhe auto-crítica. E tome culpa.
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O MMqD, em sua essência e criação, acredita no empreendedorismo materno. Até porque as autoras são mães empreendedoras, nem poderia ser diferente. O que está acontecendo é uma revolução. A mulher criando um plano B, caminhando com suas próprias pernas e acreditando que pode dar certo. Existem contras? E como existem! Alguns deles:
- Trabalhar de casa, ó meu deus, que tédio isso pode ser;
- Por você trabalhar de casa, ninguém de fato acredita que você esteja trabalhando;
- Se você não se programar vai acabar passando menos tempo com seu filho do que se trabalhasse fora. Isso aconteceu comigo no meu empreendimento anterior, não vou mais deixar acontecer. Noah volta da escola à uma da tarde e eu nem volto pra casa, pra não cair na tentação de continuar trabalhando. Mas então você só trabalha de 9 às 13? Não, eu também trabalho de madrugada - mais um "contra" de se ter negócio próprio.
- Como o tempo é curto, você tem que vigiar de perto as prioridades. Por exemplo: filho/empreendimento/atividade não remunerada (blog pessoal). Se eu blogo, não feicibuco, se cozinho não lavo. Não consigo responder aos comentários, nem do Piscar de Olhos e nem do MMqD. E cuidado com as redes sociais, essas mastigadoras de tempo!
- Você pode se irritar com o advindo de negócios parecidos com o seu. Isso é natural e - o mais importante - é saudável. A competição aumenta SIM o nível do seu negócio. Relaxa! Você nunca vai ser a única a vender roupinhas de criança na Internet. Faça o seu trabalho bem feito e bola pra frente!
Os contras não param por aí, mas, ai como existem prós! O primeiro deles há de ser preencher "empresária" no cadastro do médico, existe glamour maior, gente?
"Ah, eu tenho vergonha de dizer que sou empresária, acho muito pretensioso.."
O que?? Se você não acredita que seu empreendimento é uma empresa, então quem vai acreditar? Eu falo sim que sou empresária,e que, junto com uma sócia, comando um portal materno com 1.600 acessos por dia. Então erga sua cabeça, legalize seu negócio, faça um business plan, bata no peito mais forte e diga "eu sou uma empreendedora!"
***
Feito a Fabiana, que, um belo dia, resolver criar bonecas!
Entusiasta da Pedagogia Waldorf, ela criou a Fabiluli - Dolls & Toys. Fabi trabalha de casa, fazendo as bonecas - todas à mão, sabe lá o que é isso? Coisa linda.
Eu fiquei encantada e enlouquecida ao entrar no site: cada boneca tem seu nome, sua história. São lindas, são de pano, feitas com materiais naturais. Eu já tinha visto algo parecido na Alemanha e saí chorando da loja, com a minha bonequinha embaixo do braço.
Fabiana se considera uma otimista, virtude essencial a qualquer empreendedor. Mas entrando no site dela é possível entender que ela é muito, mas muito mais que uma pessoa otimista. Arrepia, vai lá ver. E não deixe de ler os contos e vasculhar o Projeto +Legal!
Mas chega de conversinha e vamos ao que interessa: A Fabiluli está sorteando uma boneca linda, aqui no MMqD! Ladies and Gentlemen, esta é a boneca Lisa:

Lisa tem covinhas nas bochechas, adora música e toca violão. Nas palavras de Fabi "Lisa visita crianças no Mundo Real com freqüência e canta para elas alegres cantigas de fadas, e depois de se divertirem bastante, os pequenos caem num gostoso soninho embalados pelo doce som de Lisa."
Dá pra resistir?
"Ah, mas eu tenho menino!" E daí? Lisa não me parece uma boneca sexista, que se recusar a tocar seu violão pra meninos, oras!
"Ah, mas eu tenho duas sobrinhas!" Então participa do sorteio e corre lá no site pra encomendar mais uma!
Para participar do sorteio você só precisa:
- Curtir a página do MMqD no Facebook (nesse quadradinho à direita)
- Participar do site do MMqD (quadradinho abaixo daquele do Facebook)
- Deixar um recadinho nesse post, avisando que está participando do sorteio
E, se quiser, pode aumentar as chances divulgando nas redes sociais.
Boa sorte, tomara que você leva a Lisa pra casa.
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Educação multilíngue by Flavia on November 23rd, 2011
Direto da toca by Flavia on November 30th, 2011
Duas histórias sobre ser e ter criança by Mari on March 26th, 2012







