Criança doente pode ir pra escola? Enquete!

Criança doente pode ir pra escola? Enquete!

Daí lá se vão 9 meses de barriga, mais outros tantos de insensatez pós-parto, noites em claro, dúvidas, teorias, amamentação vai bem, amamentação vai mal, choro, olheiras e amor.

Devastador amor.

Aos poucos tudo vai melhorando (dizem), a vida entre nos trilhos (dizem) e chega o momento em que você decide que é hora de procurar uma escola.

Você visita várias, reclama de muitas e despreza outras tantas. Afinal, nenhuma escola está à altura do seu pequeno Messias, a versão aperfeiçoada de Einstein, o cara prometido.

Até que você acaba por simpatizar por uma das escolinhas: procura defeitos, investiga procedimentos, visita a cozinha e acha que finalmente encontrou um lugar que esteja mais ou menos à altura daquela criaturinha linda e perfeita que você teve a fineza de colocar no mundo.

O que você não sabia, cara colega, é que ali, naquela escolinha de nome fofo, brinquedos educativos e aulas de psicomotricidade reside um número alarmante de germes, vírus, bactérias e agentes patogênicos nada bonitinhos.

 

escola gracinha, mas cheia de pereba

 

E o seu filho, criaturinha outrora perfeita e risonha, se transforma num ser de nariz chafariz, tosses horrendas, diarréias e febres. Um pesadelo que parece não ter fim. E tudo que você escuta ao procurar respostas é o bom e velho “é assim mesmo, com dois anos melhora.”

Mas será que tem que ser assim mesmo?

Parece que não.

Me acompanhem:

Quando fui matricular meu filho em uma escola, aqui em Cingapura, o que mais me surpreendeu foram os primeiros parágrafos do formulário de matrícula:

– Em caso de doença, especificar, em detalhes, quem tomará conta do seu filho. Lembrando que a escola não receberá, em hipótese alguma, crianças doentes ou com temperatura acima de 37.5.

– Todas as crianças terão, diariamente, sua temperatura checada duas vezes:

a. na hora que chegam na escola;

b. duas horas após a chegada.

Em caso de suspeita de qualquer doença os pais serão imediatamente contactados e a criança permanecerá em uma sala isolada, acompanhada de um adulto, até que os pais ou responsáveis cheguem para buscá-la. Não serão ministrados anti-térmicos ou similares portanto pedimos que busquem a criança o mais rápido possível;

– Estas normas são inegociáveis e irredutíveis e elas visam proteger nossas crianças.

Na época eu achei um exagero todo aquele ritual: chega na escola, tira a temperatura com um termômetro classudo (aqueles tipo pistola, que marcam a temperatura do seu corpo em 2 segundos, quando apontados pra testa) e passa gelzinho na mão.

Mas aos poucos, ao perceber que meleca e tosses indecifráveis (é seca? é produtiva? socorro?) se tornaram coisas do passado em nossas vidas, virei meio fã do sistema.  Noah nunca mais ficou doente. Nem ele, nem as quatro outras crianças cujos pais eu conheço, com idade entre 1 e 2 anos, que estudam nessa mesma escola.

Uma vez fui conversar com a diretora (porque falar com a diretora é o meu hobby favorito) e conversamos sobre as medidas preventivas adotadas pela escola e o quanto meu filho não ficava mais doente. Comentei que achava incrível como até as crianças bem menores que o Noah pareciam sempre bem e desmelecadas. 

Perguntei à diretora se os pais achavam ruim  ter que ir buscar os filhos e tals. Ela me olhou e disse:

– Não sei se acham ruim ou não mas pensa comigo: Imagina que um coleguinha do seu filho esteja com uma estomatite, vomitando, com febre. A escola pode adotar duas posturas: fazer corpo mole, deixando a criança no meio das outras, eventualmente ligando pros pais mas sem cobrar que eles a busquem imediatamente OU a escola pode proteger as outras crianças, retirar a criança doente daquele ambiente, e exigir que os pais (ou aqueles indicados na ocasião da matrícula) a busquem imediatamente. Lugar de criança doente não é na escola, primeiro por consideração ao outro, segundo porque criança doente precisa de atenção, descanso e acolhimento da família.

Claro que ninguém vai mandar pra casa uma criança com um leve resfriado, sem febre, super disposta. Prevalece o bom senso – dos pais e da escola.

E eu não acho que o mérito de Cingapura ter ambientes escolares mais saudáveis que os nossos, seja atribuído tão somente ao fato de que as escolas não permitem que crianças doentes permaneçam ali. Isso tem a ver também com as campanhas governamentais de esclarecimento sobre contágio e prevenção de doenças. Assim o povo fica sabendo que lavar as mãos é essencial. E que frio e vento encanado não causam gripe. O que causa gripe, minha gente, é vírus.

cartaz ensinando a lavar as mãos - nada daquela lavadinha meia boca!

 

Mas e quem não tem plano B? Quem não tem com quem deixar a criança doente? Como faz?

Bem, aqui em Cingapura não faz. Eles querem nomes, contatos, certeza de que você tem um plano B, já na hora da matrícula. Senão eles não matriculam.

Essas diretrizes são dadas pelo governo e se acentuaram ainda mais depois do surto de H1N1, lembram?

Não é só na escola: todos os playgrounds indoors devem oferecer gel, meias e tiram a temperatura da criança antes de ela entrar.

Cartazes dizendo “Você não vai lavar o bumbum do seu bebê aqui na pia, vai?” são comuns por aqui.

Agora, eu pergunto. Considerando agendas atribuladas, chefes nada compreensivos e mães que não possuem o tal plano B, vocês acham que é possível não levar a cria doentinha pra escola?

Essa é a enquete de hoje, colegas:

Criança doente pode ir pra escola?

Você já perguntou pra diretora da escola do seu filho quais as medidas preventivas adotadas pela mesma?

(Porque aporrinhar falar com a diretora é o hobby favorito de toda mãe.)